Nações se reúnem para debater a saída dos combustíveis fósseis em cenário de conflito global
Governos de cerca de 60 países – entre eles Brasil, Alemanha, Canadá e Nigéria – promovem a primeira reunião internacional da semana para tratar da eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. O encontro ocorre em um momento em que a guerra do Irã desestabiliza os mercados mundiais de petróleo e gás, provocando uma disparada nos preços.
O evento, que reúne ministros e autoridades em Santa Marta, na Colômbia, tem início na terça-feira (28). O foco estará em ações concretas para distanciar as economias dos combustíveis fósseis, sem a intenção de definir novas metas globais como as acordadas nas cúpulas climáticas da ONU.
“Não estamos aqui para negociar ambições ou compromissos. O objetivo é, de fato, trocar experiências sobre como realizar essa transição”, afirmou Stientje van Veldhoven, ministra do clima da Holanda, que organiza o encontro ao lado da Colômbia.
Durante as discussões, os governos vão analisar “que tipo de instrumentos financeiros, que tipo de incentivos regulatórios e que tipo de ferramentas de planejamento” são fundamentais para dar início a essa eliminação gradual, conforme explicou a ministra.
Outros temas em pauta incluem a criação de condições favoráveis de investimento para que as indústrias migrem do gás para a eletricidade, além de como reformar os subsídios destinados aos combustíveis fósseis.
A reunião congrega uma coalizão de nações dispostas a agir, mas conta com a notável ausência dos dois maiores poluidores do planeta – China e EUA. Também não participam Arábia Saudita e outros grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio.
O conflito no Irã evidenciou a forte dependência de diversas nações em relação às importações de petróleo e gás. Economias asiáticas já enfrentam escassez de combustível, enquanto países europeus lidam com o aumento dos custos energéticos.
Van Veldhoven destacou que a crise energética reforçou os argumentos a favor do abandono do petróleo e do gás, não apenas para combater as mudanças climáticas, mas também para fortalecer a segurança econômica e energética.
“Essa guerra no Oriente Médio gera consequências em todo o mundo por causa da nossa dependência dos combustíveis fósseis”, declarou. “Quanto menor for essa dependência, menor será sua vulnerabilidade.”
O encontro também expressa a insatisfação de alguns governos com o ritmo lento das negociações anuais da ONU sobre o clima, nas quais quase 200 países precisam chegar a decisões por consenso.
Na cúpula climática COP28, em 2023, as nações concordaram em realizar a transição dos combustíveis fósseis. Contudo, as reuniões seguintes da COP pouco avançaram para transformar essa promessa em realidade, com países como a Arábia Saudita bloqueando propostas recentes direcionadas ao setor fóssil.
As emissões de dióxido de carbono resultantes da queima de carvão, petróleo e gás continuam sendo o principal impulsionador das mudanças climáticas.







