Guerra no Irã pesa sobre economia global

A tensão em torno dos efeitos do conflito no Irã sobre a economia mundial cresceu nesta segunda-feira. Diversas nações anunciaram medidas emergenciais para conter a alta nos custos energéticos, enquanto outras solicitaram auxílio internacional.

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Este confronto — o terceiro grande abalo a atingir a economia global após a pandemia de Covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia — será o tema central do encontro de autoridades financeiras no Fundo Monetário Internacional, em Washington, nesta semana.

Quaisquer expectativas de uma retomada rápida dos embarques de petróleo pelo ponto crítico do Estreito de Ormuz foram frustradas. O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana deixou um frágil cessar-fogo ainda mais ameaçado.

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Tanto o FMI quanto o Banco Mundial já indicaram que revisarão para baixo suas projeções de crescimento mundial e elevarão as estimativas de inflação devido à guerra. Mercados emergentes e países em desenvolvimento devem ser os mais afetados.

A Nigéria declarou nesta segunda-feira que necessita de maior apoio internacional para lidar com os custos crescentes de combustível. A situação persiste mesmo com os preços mais altos do petróleo bruto aumentando os ganhos em moeda estrangeira para o maior produtor africano.

O choque ocorre em um momento crítico de transição, intensificando as pressões inflacionárias e elevando o custo de vida das famílias, afirmou o ministro das Finanças, Wale Edun, em comunicado divulgado antes das reuniões em Washington.

Os preços locais da gasolina subiram mais de 50% e os do diesel ultrapassaram 70% desde o início do conflito, detalhou Edun. Ele acrescentou que o abalo ameaça comprometer os esforços iniciados em 2023 para estabilizar a economia e reativar o crescimento.

Mais Países Sinalizam Apoio

Poucas nações permanecem imunes aos transtornos causados pela interrupção do transporte de energia pelo estreito desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O episódio provocou a pior ruptura de suprimentos do mundo. Dezenas de governos já agiram com medidas focadas na economia de energia ou no apoio direto aos consumidores.

O governo de coalizão da Alemanha, que inicialmente resistia a pedidos de auxílio, informou nesta segunda-feira ter acordado um pacote de alívio nos preços de combustível para consumidores e empresas. O valor é de 1,6 bilhão de euros, obtido por meio da redução de impostos sobre diesel e gasolina.

Esta guerra é a verdadeira causa dos problemas que enfrentamos também em nosso próprio país, declarou o chanceler Friedrich Merz em coletiva de imprensa.

O governo da Suécia também anunciou cortes nos impostos sobre combustíveis e aumento nos subsídios à eletricidade, em um pacote avaliado em cerca de 825 milhões de dólares.

É um sinal de que faremos o que for necessário para amortecer o impacto do que está acontecendo agora para as famílias, disse a ministra das Finanças, Elisabeth Svantesson, a repórteres.

A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, deve apresentar no final da semana sua estratégia para auxiliar empresas que enfrentam dificuldades com os altos preços da energia. Em artigo para o Sunday Times, ela escreveu que os produtores no Reino Unido enfrentaram preços de energia não competitivos por muito tempo.

Em declaração separada, o primeiro-ministro Keir Starmer fez referência a conflitos em todo o mundo ao explicar os planos de seu governo para se realinhar com a União Europeia e seu grande mercado único. A iniciativa ocorre uma década após o país votar pela saída do bloco.

Estamos em um mundo com enorme conflito e grande incerteza. Acredito firmemente que os melhores interesses do Reino Unido estão em um relacionamento mais forte e próximo com a Europa, afirmou ele à rádio BBC.

Impacto nos Bancos Centrais

A guerra no Irã também está influenciando a atuação dos bancos centrais ao redor do globo. Formuladores de política monetária tentam avaliar o quanto o conflito afetará o crescimento econômico e elevará a inflação — potencialmente ao mesmo tempo, o que configuraria um surto indesejado de estagflação.

O vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, afirmou nesta segunda-feira que qualquer aumento da taxa de juros do BCE dependerá de como a alta dos custos do petróleo bruto afetará os preços na economia como um todo.

Os responsáveis pela política monetária do Banco do Japão também mantêm suas opções em aberto antes da reunião de definição de taxas deste mês. No entanto, as chances de um aumento dos juros, antes considerada uma forte possibilidade, agora são cada vez menores.

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