Exportações de petróleo para China dobram e Brasil bate recorde

Os embarques de petróleo brasileiro para a China apresentaram crescimento de 100% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2025, alavancando as exportações do país para a nação asiática.

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Após o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, o mês de março atingiu o maior volume mensal de exportações de petróleo para a China desde o começo da série histórica da balança comercial, em 1997.

No agregado, as exportações para a China totalizaram US$ 23,9 bilhões entre janeiro e março, o maior valor já registrado para o período, com alta de 21,7% frente a 2025, conforme análise do comércio bilateral realizada pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Na direção contrária, o Brasil adquiriu US$ 17,9 bilhões em produtos chineses no primeiro trimestre, com ênfase para US$ 1,23 bilhão em veículos eletrificados, incluindo híbridos e elétricos puros.

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Somente em petróleo, as exportações alcançaram US$ 7,19 bilhões, valor 94% superior ao observado no primeiro trimestre de 2025. Essa escalada já era perceptível desde janeiro e fevereiro, antecedendo o novo conflito no Oriente Médio. A China foi destino de 57% de todo o volume de petróleo bruto exportado pelo Brasil no trimestre — proporção que chegou a 65% apenas em março.

Fornecedor Confiável

De acordo com Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, as tensões geopolíticas fortalecem a tendência de alta nas vendas de petróleo brasileiro para os chineses. Com laços diplomáticos e comerciais estáveis, o Brasil se consolida como um fornecedor confiável, a ponto de atrair investimentos chineses para o setor.

“Com essa questão no Irã e, principalmente, com a instabilidade no Estreito de Ormuz, que é uma rota crucial, naturalmente os chineses começaram a procurar outros fornecedores seguros. O Brasil é um país com uma grande oferta de petróleo, e há empresas chinesas atuando aqui há bastante tempo”, declarou Cariello.

Antes mesmo de a produção do pré-sal transformar o Brasil em exportador de petróleo, as chinesas CNPC e CNOOC integraram o consórcio vencedor do primeiro leilão da área. Doze anos depois, a CNPC figurou entre as vencedoras do leilão mais recente, realizado em junho passado, que incluiu áreas da Margem Equatorial. Essa faixa, entre a costa do Amapá e do Rio Grande do Norte, emerge como uma nova fronteira petrolífera no país, mesmo diante de questões ambientais.

“Percebo o Brasil como uma aposta muito evidente dos chineses no setor de petróleo. Temos uma relação muito estável com eles, do ponto de vista político, geopolítico e geoeconômico. O Brasil é um parceiro confiável e que possui oferta”, complementou o diretor do CEBC.

Os outros itens de destaque na pauta de exportações do Brasil para a China foram os tradicionais: soja e minério de ferro. Para ambos os produtos, houve redução nas quantidades embarcadas, mas com leve aumento nos valores, devido à alta dos preços.

Carros Eletrificados com Alta Expressiva

No segmento de importações, ocorreu uma queda de 6% na comparação com o ano anterior. Apesar disso, o valor permanece como o segundo maior para um primeiro trimestre na história, ficando atrás apenas de 2025, quando os dados foram inflados pela chegada ao país de um navio-plataforma fabricado em estaleiro chinês. Excluindo esse equipamento bilionário, as importações teriam registrado alta de 9,3%.

O grande destaque ficou com as aquisições de carros eletrificados, que somaram US$ 1,23 bilhão nos três primeiros meses do ano, valor 7,5 vezes maior que o registrado no mesmo período de 2025.

Segundo Cariello, o salto reflete o sucesso dos veículos eletrificados no mercado nacional e a posição de liderança global da China na fabricação desses produtos. Apenas no primeiro trimestre, 100 mil carros eletrificados foram vendidos no mercado interno, como já indicou a Anfavea, entidade que representa as montadoras multinacionais com produção no Brasil.

“O brasileiro está aderindo, não é? E, atualmente, carro elétrico é sinônimo de carro chinês e vice-versa aqui no Brasil”, afirmou Cariello.

O diretor do CEBC ressaltou que a disparada nas importações de carros eletrificados também envolve um movimento de antecipação, relacionado ao Mover. Essa política federal para a indústria automobilística manteve tarifas reduzidas para a compra de carros e peças eletrificados, mas com um cronograma de retorno gradual ao nível tributário aplicado a todos os veículos. O gradualismo tem como objetivo estimular a produção local de elétricos.

Por exemplo, a isenção do imposto de importação para kits CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados) de veículos eletrificados terminou em 31 de janeiro passado. Os incentivos e o ritmo de sua redução já colocaram em lados opostos as multinacionais associadas à Anfavea e as novas entrantes chinesas, que têm anunciado investimentos bilionários em fábricas no Brasil.

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