Maio: mês da sanfona

É muito comum ouvirmos que maio é o mês das noivas, período no qual muitos congestionam a agenda de casamentos das igrejas. Para quem lida com música, porém, maio é o mês da sanfona, pois no dia 6 celebramos o dia deste instrumento e 26 de maio é conhecido como o Dia Nacional do Sanfoneiro.

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Por isso, no texto de hoje vamos homenagear esses músicos que alegram nossos corações e os bailes pelo Brasil ao som de sua sanfona, acordeon ou gaita. Vamos abrir nossa homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Para muitos ele é o nome mais lembrado quando falamos de acordeon e música nordestina. Seu nome de batismo é Luiz Gonzaga do Nascimento e, desde pequeno, encantava as pessoas com seu estilo de tocar sanfona. Ele sempre deixou evidente a sua origem nordestina, seja pela forma de se vestir, seja pelo seu sotaque e o seu estilo musical.

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Luiz Gonzaga nasceu em 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, distante cerca de 600 km de Recife. Ele não era apenas sanfoneiro. Compunha e cantava também. Foi através da sua música que o xote, baião e xaxado ficaram conhecidos em todo o país. Sua música retratava a realidade da pobreza, tristezas e injustiças do sertão nordestino.

Pau de Arara

José Domingos de Morais, o Dominguinhos, nasceu em 12 de fevereiro de 1941, e era filho de um conhecido sanfoneiro e afinador de sanfonas, o mestre Chicão. Como dizem que filho de peixe peixinho é, desde pequeno Dominguinhos já se interessava por música e aos seis anos de idade aprendeu a tocar sanfona. Fazia curtas apresentações em feiras livres da cidade e portas de hotéis de Garanhuns, agreste pernambucano, onde ficou conhecido como Neném do acordeon.

Foi em uma dessas apresentações na porta do hotel que teve a honra de conhecer Luiz Gonzaga. Impressionado com o talento do menino, Gonzaga convidou Dominguinhos a ir ao Rio de Janeiro, estudar acordeon em Recife e fazer parte do próprio grupo musical. Foi assim que ele se tornou músico e arranjador e consolidou sua carreira em gêneros musicais como bossa nova, jazz e pop.

Elba Ramalho e Dominguinhos De Volta Pro Aconchego.

Sivuca ou Severino Dias de Oliveira nasceu em 1930, foi sanfoneiro e compositor de choros, frevos, forrós, baião, blues, jazz, entre outros ritmos. Também compôs trilhas para os filmes Os Trapalhões na Serra Pelada (1982) e Os Vagabundos Trapalhões (1982).

Ganhou uma sanfona do pai aos nove anos de idade e aos 15 começou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco, na cidade de Recife. Em 1955 foi morar no Rio de Janeiro e em 1958, depois de muitas apresentações na Europa, optou por morar em Lisboa. No ano seguinte foi trabalhar em Paris, onde ficou por quatro anos. Em 1962, foi considerado pela imprensa parisiense como o melhor instrumentista do ano.

Clara Nunes e Sivuca – “Feira de Mangaio” (1978)

Apesar de nos brindar com grandes nomes, o nordeste não é a única região do Brasil a nos presentear com talentos no acordeon. O sul do país tem os seus grandes nomes do instrumento, que lá é chamado de gaita.

Vamos começar por Renato Borghetti. Começou na música aos 12 anos, tocando uma gaita-ponto que ganhou do pai em Barra do Ribeiro. Pouco tempo depois se tornou atração no Centro de Tradições Gaúchas comandado por seu pai. Aos 16 anos, se apresentou pela primeira vez, na 9ª Califórnia da Canção Nativa, em 1979, com a canção Retorno. Foi nessa ocasião que chamou atenção tanto por sua música quanto por sua performance no palco. Ele usava cabelos compridos, chapéu sobre os olhos, bombacha de campo e alpargatas.

Renato Borghetti & Yamandu Costa no Auditório Ibirapuera

Não poderíamos terminar essa lista sem mencionar Élio da Rosa Xavier, o Porca Véia, produtor rural até aos 16 anos, começou sua carreira artística com seis anos de idade, por influência da família, formada por muitos músicos amadores. O nome artístico surgiu na época em que fez o curso de técnico agrícola, quando, participou de muitos festivais e apresentou-se com Kleiton e Kledir nas melhores casas de espetáculo do Brasil, como o Canecão do Rio de Janeiro e o Palace em São Paulo.

Criou e dirige o grupo musical Cordiona. Recebeu vários títulos, como Cidadão de São José do Ouro, Comendador da Brigada Militar, Amigo da Brigada e Destaque Musical. Tem 15 CDs gravados e um DVD. Ganhou duas vezes o Disco de Ouro. 

LEMBRANÇAS – PORCA VÉIA

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Ulisses Mantovani
Ulisses Mantovani
Bacharel em Música da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), violeiro, compositor e Servidor Público Estadual

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