Falha na base já provoca crise na seleção de vôlei

A seleção brasileira masculina foi eliminada precocemente na Liga das Nações de Vôlei, competição anual que reúne as principais equipes do globo, marcando a primeira vez que o time não alcançou a fase final do torneio.

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O nono lugar obtido nesta edição se soma a outros desempenhos aquém do esperado nos últimos ciclos, como o oitavo posto na Olimpíada de Paris-2024 e a eliminação na primeira etapa do Mundial do ano passado, delineando um quadro de dificuldades para o vôlei masculino brasileiro.

Este é o custo que o país começa a arcar com as deficiências na formação de atletas. O problema é antigo e amplamente reconhecido no meio esportivo, porém as categorias de base continuam registrando cada vez menos praticantes, e mesmo aqueles que ingressam não recebem o treinamento adequado para chegar preparados ao time adulto.

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Entre os anos 1980 e 2010, o Brasil era um celeiro de jovens talentos que formavam equipes competitivas e conquistavam títulos em todas as faixas etárias.

Ao ascenderem às seleções principais, esses atletas agregavam ainda mais qualidade ao elenco. Esse foi o caso das conquistas olímpicas: em Barcelona-1992, com Tande, Maurício, Marcelo Negrão e Giovane; em Atenas-2004, com Ricardinho, André Nascimento, Nalbert, Giba e Escadinha; e na Rio-2016, com Bruninho, Wallace, Lucão, Lucarelli e novamente Escadinha.

Nos últimos anos, porém, gradualmente as seleções de base começaram a enfrentar maiores obstáculos nos torneios. O último título mundial na categoria sub-21 data de 2009, conquistado por um grupo que tinha como destaque o ponteiro Maurício Borges, campeão olímpico em 2016.

Desde então, os resultados se deterioraram até o Brasil terminar em 18º lugar no Mundial sub-21 do ano passado, sendo eliminado na fase inicial, assim como a seleção principal, que ficou em 17º no Mundial adulto – a pior colocação histórica.

Em 2024, a equipe comandada por Bernardinho alcançou o oitavo lugar na Olimpíada de Paris, o pior desempenho desde Munique-1972.

Na categoria sub-19, os resultados já eram ruins desde 2007, e o time ficou em 10º na última edição do torneio.

O atual grupo dirigido por Bernardinho conta com alguns atletas experientes, como o ponteiro Lucarelli (34 anos), o central Flávio (33) e o levantador Fernando Cachopa (30), mas, de modo geral, o elenco carece de vivência em competições de alto nível e acaba sentindo a pressão de manter o país no pódio.

Nomes como os opostos Darlan (24) e Brayan (20), e os ponteiros Arthur Bento e Maicon (ambos com 22 anos), precisam adquirir bagagem e aprender a decidir nos momentos cruciais.

“As críticas são, digamos, legítimas. Nós precisamos evoluir em muitas coisas, precisamos trabalhar. Mas pode ter certeza de que a autocrítica é muito maior do que as críticas que vêm de fora. E certamente nós vamos seguir fazendo aquilo que a gente acredita que deve ser feito”, afirmou Bernardinho após a eliminação na Liga das Nações.

“Há um longo processo pela frente. Nós vamos seguir firmes, fazendo o que tem que ser feito, que é seguir trabalhando, acreditando que o processo é a coisa mais importante”, concluiu.

Com esse pensamento, o treinador mantém o grupo em treinos intensivos no Centro de Treinamento da CBV, em Saquarema (RJ), e já programou amistosos contra adversários de primeiro nível para proporcionar experiência aos atletas.

Estão previstos dois jogos contra o Japão, seguidos pela participação na Copa Fipav Elite, na Itália, contra a anfitriã, Cuba e Alemanha. Depois, mais dois amistosos contra a França, em Paris.

O principal objetivo é o Campeonato Sul-Americano, de 15 a 20 de setembro no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, que dará ao campeão a vaga na Olimpíada de Los Angeles-2028.

Enquanto Bernardinho luta para reerguer a seleção masculina, José Roberto Guimarães tem conseguido renovar o grupo feminino mantendo o alto rendimento nas competições, nas quais quase sempre alcança o pódio.

Mesmo sem duas titulares – a capitã Gabi e a central Júlia Kudiess –, a equipe chegou às finais da Liga das Nações deste ano com grande atuação das ponteiras Júlia Bergmann (25 anos, 1,91 m) e Ana Cristina (22 anos, 1,92 m). A seleção enfrenta a Turquia na final, neste domingo (26), às 8h30, com transmissão por SporTV 2, Ge TV e Ge.

O que chama a atenção nessa geração é a altura e o nível das jogadoras, que mantêm a competitividade independentemente de quem entra em quadra.

Duas jovens que ainda não são titulares, mas certamente ganharão espaço no futuro, são a meio-de-rede Luzia (22) e a ponteira Helena (21), ambas com 1,99 m de altura.

A única posição que, por enquanto, não possui jogadoras à altura das atuais é a de levantadora. Macris (37) e Roberta (36) se revezam nos jogos, mas não há uma atleta jovem da posição que esteja pronta para assumir a responsabilidade de armar a seleção. Essa é a maior preocupação de Zé Roberto.

Desempenho da seleção masculina

2021: Ouro na Liga das Nações e 4º lugar na Olimpíada de Tóquio

2022: Bronze no Mundial e eliminado nas quartas de final da Liga das Nações

2023: Ouro no Pan de Santiago, mas perdeu a hegemonia no Sul-Americano ao ser derrotado por 3 a 0 pela Argentina, no Recife. Eliminado nas quartas de final da Liga das Nações. Após a classificação para a Olimpíada no Pré-Olímpico, o técnico Renal Dal Zotto pediu demissão e Bernardinho voltou ao comando da seleção

2024: Eliminado nas quartas de final da Liga das Nações. Na Olimpíada de Paris, foi eliminado nas quartas de final e ficou em oitavo. Aposentadoria de Bruno, Lucão e Leal

2025: Bronze na Liga das Nações, mas eliminado na primeira fase do Campeonato Mundial, terminando em 17º de 32 participantes

2026: Pela primeira vez não avançou à fase final da Liga das Nações

Desempenho da seleção feminina

2021: Ouro na Olimpíada de Tóquio e prata na Liga das Nações

2022: Prata no Mundial e prata na Liga das Nações

2023: Eliminada nas quartas de final da Liga das Nações

2024: Bronze na Olimpíada de Paris e 4ª colocada da Liga das Nações

2025: Bronze no Mundial e prata na Liga das Nações

2026: Está na semifinal da Liga das Nações

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