Krisiun (RS), Sacred Reich (EUA) e Metal Allegiance (EUA). Essas são as bandas que subirão ao palco no derradeiro show de despedida do Sepultura, evento confirmado para o dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. O anúncio foi revelado pelo grupo na semana passada.
Desde março de 2024, a banda percorre estradas com a turnê Celebrating Life Through Death, oficialmente apresentada como sua despedida dos palcos. A estreia ocorreu no Arena Hall, em Belo Horizonte, cidade onde o Sepultura foi formado em 1984.
Ex-integrantes do Sepultura, como o baterista Jean Dolabella e o guitarrista Jairo Guedz, já confirmaram presença como convidados especiais na apresentação derradeira. Dolabella fez parte da banda entre 2006 e 2011. Jairo integra a formação original e permaneceu no grupo até 1987.
Outros nomes da formação clássica são os irmãos Max Cavalera e Iggor Cavalera. Ambos deixaram a banda em momentos diferentes — Max em 1996 e Iggor em 2006. As saídas marcaram uma ruptura que ultrapassou os bastidores e dividiu os fãs que acompanhavam a ascensão do grupo desde o início da cena extrema mineira.
Em entrevista à revista Metal Hammer, o guitarrista Andreas Kisser declarou que Max e Iggor foram convidados a participar do show de despedida, mas optaram por não integrar a apresentação.
Mais recentemente, o baterista Eloy Casagrande foi outra saída que gerou forte repercussão na cena musical. O músico deixou o Sepultura poucas semanas antes do início da turnê de despedida para assumir as baquetas do Slipknot, uma das maiores bandas de metal do planeta.
Em meio à despedida, o Sepultura lançou, em abril de 2026, o EP The Cloud of Unknowing, último trabalho de estúdio da carreira do grupo. Com quatro faixas inéditas, o registro funciona como uma despedida definitiva após mais de quatro décadas de trajetória no metal mundial.
A sepultura da banda
“O Sepultura vai parar. Vai morrer. Uma morte consciente e planejada.”
Foi dessa forma que a banda anunciou oficialmente sua despedida.
Antes do sepultamento definitivo, o grupo ainda passará pelo Rock in Rio, no dia 5 de setembro, levando ao Palco Mundo a turnê Celebrating Life Through Death.
Uma turnê de quase três anos, atravessando mais de 40 países e com apresentações em alguns dos maiores festivais do mundo, como Wacken Open Air (Alemanha), Hellfest (França), Graspop Metal Meeting (Bélgica), Download Festival (Reino Unido) e Resurrection Fest (Espanha).
Entre os principais álbuns da trajetória, destacam-se os lançados durante a chamada fase Cavalera, como Chaos A.D. (1993) e Roots (1996).
Roots ampliou enormemente a visibilidade da banda ao mesclar metal com elementos da música brasileira. O disco alcançou posições de destaque em diversos países, levou o Sepultura a festivais de grande porte e ajudou a consolidar sua popularidade internacional.
Além disso, a faixa Roots Bloody Roots tornou-se provavelmente a canção mais conhecida da história do grupo.
Mas nada é mais fundamental para a história do metal brasileiro do que Bestial Devastation / Século XX (1985), split gravado ao lado do Overdose e lançado pelo lendário selo Cogumelo Records, em Belo Horizonte.
Mas talvez o fim do Sepultura não seja apenas o encerramento de uma banda. Talvez seja também o fechamento de um capítulo.
Dentro deste caixão
Dentro desta sepultura há histórias mofadas pelo tempo, como uma velha camisa preta esquecida no fundo do armário que nunca mais verá a luz do sol.
Há memórias que envelhecem tanto que já não se recordam da própria idade. Tantas camadas, tantas cicatrizes, que já não são mais aquilo que um dia foram.
Há brigas antigas cujos motivos ninguém mais guarda na lembrança. Há histórias contadas tantas vezes que já ninguém sabe onde termina a memória e começa a lenda. Há ruas pavimentadas sobre recordações.
O primeiro ensaio? Talvez hoje seja apenas mais um lote. Um estacionamento. Uma esquina qualquer de Santa Tereza.
O metal mineiro é sacrílego e espirituoso. Mas é especialmente blasfemo quando se trata de desafiar o esquecimento. Ele nunca foi confortável para o marketing. Nunca foi limpo o suficiente para a indústria. Nunca foi dócil para o poder.
O metal mineiro retorna de uma turnê europeia e senta na calçada da Lagoinha para beber cerveja em um copo lagoinha, depois de fazer um som brutal o suficiente para ecoar pelos quatro cantos do planeta.
Minas Gerais não inventou o metal. Reinventou.
O eco continua vivo em bandas espalhadas pelo mundo. Mas o que existe neste caixão após a sepultura?
Um coveiro, cansado de trabalhar, uma vez me disse:
Não conto os mortos que enterrei. Eu conto os vivos
(Um coveiro)
No fim, não importa o caixão. Nem o que está dentro dele. Nem o que restou de você depois da erosão do tempo.
Importam as histórias que você deixa para serem contadas.
O resto morre com você. Ficam as pessoas. As árvores que você plantou. O som que ainda ressoa.
Ficam os caminhos abertos para o groove metal moderno. A influência que atravessou gerações e ajudou a moldar o nu metal.
Ficam discos que ainda habitam as listas dos maiores álbuns da história do metal.
E o metal mineiro? Nunca coube em uma sepultura. Está em sarcófagos.







