O senador Flávio Bolsonaro (PL RJ), pré candidato à Presidência, negou nesta segunda feira (1º) qualquer relação entre a operação da Polícia Civil de São Paulo na sede da produtora Go UP Entertainment e o filme “Dark Horse”, que conta a história de seu pai, o ex presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao chegar a um evento no Rio de Janeiro, Flávio respondeu rapidamente aos jornalistas: “[Não] tem nada a ver com o filme.”
No entanto, informações da Folha de S.Paulo mostram que o delegado responsável pela investigação citou “consistentes suspeitas” de desvio de recursos públicos da Prefeitura de São Paulo para a produção do longa metragem. O pedido para acesso a dados financeiros da empresa incluiu essa justificativa.
A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação na manhã desta segunda feira (1º) na sede da Go UP Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”. As ações também ocorreram em um endereço ligado à dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, na sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e em uma entidade presidida por Karina, o Instituto Conhecer Brasil (ICB).
A operação foi autorizada pela Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ SP) e decorre de uma investigação policial sobre um contrato entre o ICB e a gestão do ex prefeito Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo. O contrato, no valor de R$ 108 milhões, previa o fornecimento de Wi Fi gratuito. A apuração foi aberta pela Polícia Civil a partir de um requerimento do Ministério Público, que originalmente investigava indícios de irregularidades nesse contrato.
A linha de investigação da polícia indica que o instituto de Karina foi contratado de forma irregular pela Prefeitura, por um valor acima do praticado pelo mercado, e que houve pagamentos sem a devida prestação dos serviços. O conjunto de ações teria desviado recursos do município. Segundo a polícia, há suspeita de que parte desse dinheiro tenha sido destinada à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
No ofício assinado pelo delegado, que está sob análise da Vara Regional de Garantias do TJ SP, consta: “Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo.”
Os crimes investigados são frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas públicas, todos previstos no Código Penal.
Flávio Bolsonaro participou na manhã desta segunda de um evento do projeto Prisma RJ, na capital fluminense, organizado por pesquisadores da Coppe UFRJ. A iniciativa reúne estudos técnicos para a implantação da linha 3 do metrô, que prevê a conexão de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí com a cidade do Rio de Janeiro. O projeto contou com uma emenda parlamentar destinada por Flávio, segundo a organização do evento.






