A mulher de 38 anos detida em Santa Catarina nesta terça-feira, acusada de se passar por adolescente para ser adotada, já realizava esse mesmo golpe havia pelo menos 15 anos. Conforme registros, Amanda Maria Souza de Oliveira tentou colocar em prática a farsa nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará, Goiás, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro. O primeiro episódio conhecido data de 2010, quando foi internada no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, em Natal, para a remoção de nove agulhas do corpo. Na época, com 22 anos, ela afirmou ter 13 anos para a polícia.
Naquele momento, Amanda relatou que residia com os pais em Fortaleza, mas havia fugido para Natal por causa de agressões físicas e sexuais sofridas em supostos rituais de magia negra. Essa narrativa é praticamente idêntica à que ela apresentou nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, em outras duas ocasiões em que foi detida sob suspeita de falsidade ideológica. Em depoimentos à polícia, a própria falsa adolescente mencionou ter passado também pelos estados da Bahia e Espírito Santo.
O registro em São Paulo ocorreu em 2022, na cidade de Jundiaí. Lá, ela disse se chamar Ana Clara e ter 12 anos ao dar entrada no Hospital Universitário. Em seguida, foi transferida para o CAPS Infanto-juvenil, e a Polícia Civil foi acionada para tentar identificá-la, já que não havia registros com os dados fornecidos. Foram os investigadores que localizaram o caso de Natal e, pela semelhança das histórias, decidiram contatar os responsáveis pelo atendimento na época, os quais confirmaram tratar-se da mesma pessoa.
Após novamente narrar a história de que era vítima de “rituais satânicos” promovidos por seus pais, Amanda foi submetida a exames, que identificaram agulhas em várias partes de seu corpo, novamente retiradas. Aos policiais, após confessar ter fingido ser adolescente, Amanda afirmou que ela mesma colocava os objetos no próprio corpo e que resolveu “sair pelo mundo” contando as mentiras porque percebeu que as pessoas se comoviam e a ajudavam.







