A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), promoveu uma reunião na última quarta-feira (10/6) com órgãos federais e instituições de monitoramento. O encontro teve como objetivo analisar os cenários climáticos projetados para os próximos meses e coordenar ações de preparação e resposta para eventos extremos ligados ao El Niño.
No encontro, especialistas compartilharam as previsões climáticas mais recentes para o território nacional e debateram os prováveis efeitos do fenômeno em distintas áreas do Brasil. A Sedec monitora a evolução dessa conjuntura e articula estratégias para auxiliar estados e municípios diante de possíveis ocorrências relacionadas ao El Niño.
O coordenador-geral de Gerenciamento de Riscos da Sedec, Leno Rodrigues de Queiroz, destacou que as consequências do El Niño variam conforme a região brasileira, demandando um planejamento específico. “Estamos analisando atentamente as possibilidades de estiagem, queimadas e precipitações intensas. A Defesa Civil Nacional está preparada e mantém contato constante com os órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil para orientar estados e municípios e assegurar suporte nas estratégias de enfrentamento ao El Niño”, declarou.
Para o trimestre de junho, julho e agosto, os impactos previstos indicam uma tendência de chuvas superiores à média na região centro-sul, com o Rio Grande do Sul sendo o estado potencialmente mais afetado. Em contrapartida, há expectativa de seca intensa nas regiões Norte e Nordeste, com riscos elevados de incêndios florestais e ondas de calor a partir de agosto e setembro.
Intensidade ainda indefinida
De acordo com Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Cemaden, as autoridades já consideram certa a ocorrência do fenômeno. “Temos condições de assegurar que o El Niño vai se instalar, mas ainda não dispomos de prognósticos confiáveis sobre a força do fenômeno”, afirmou.
O meteorologista Fábio Rocha, da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ressaltou que a previsão para a intensidade do El Niño vai de moderada a forte, com maior consistência esperada para a primavera. “Já é possível notar o aquecimento progressivo das águas do Oceano Pacífico, sinalizando a chegada do fenômeno, e há previsão de elevação na temperatura da superfície do mar até o fim do ano”, detalhou.
A vigilância contínua é uma das estratégias essenciais para lidar com o El Niño. Para assegurar esse monitoramento, a Sedec realiza um briefing diário sobre a evolução do fenômeno. “É necessário nos anteciparmos aos cenários prováveis, acompanhando de perto os relatórios e as notas técnicas emitidas pelos institutos de pesquisa”, acrescentou Tiago Schnorr, coordenador-geral de Gerenciamento de Desastres da Sedec.
Atuação conjunta entre ministérios
O enfrentamento dos efeitos do El Niño será conduzido de forma interministerial. A reunião contou com a participação de pastas fundamentais, como o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Ministério da Saúde (MS), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Defensoria Pública da União (DPU), assegurando que as populações em situação de maior vulnerabilidade recebam o suporte adequado.
O INPE, o INMET, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) divulgaram, na última segunda-feira, uma nota técnica conjunta com as análises mais recentes sobre a possível trajetória do El Niño em 2026. O documento indica cerca de 60% de probabilidade de formação do fenômeno durante o segundo semestre, com potencial para persistir até o começo de 2027.






