O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compartilhou um vídeo em suas plataformas digitais que vincula a influenciadora e advogada Deolane Bezerra ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A publicação contém um trecho no qual se afirma que os “amigos de Lula nunca decepcionam”, em referência direta à influenciadora, que foi detida sob suspeita de envolvimento com o PCC.
Deolane foi presa na última quinta-feira (21.mai.2026) durante a Operação Vérnix, e atualmente está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. O material audiovisual difundido por Flávio Bolsonaro inclui diversas imagens da advogada ao lado de Lula, registradas inclusive durante a posse presidencial em 1º de janeiro de 2023, ocasião em que Deolane acompanhou a cerimônia do Palácio do Planalto.
A publicação também destaca uma declaração feita pela advogada em um podcast, na qual ela afirma que “gosta de defender bandido”. Ao final do vídeo, o narrador questiona se isso poderia explicar a resistência do presidente em classificar facções como PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, concluindo com a frase “Perguntar não ofende.”
Na legenda da postagem, Flávio Bolsonaro escreveu “você também quer que facções sejam classificadas como organizações terroristas?”
A reportagem buscou contato com a assessoria do presidente Lula, mas não obteve retorno até o momento. O espaço permanece disponível para eventuais manifestações.
Prisão de Deolane
A detenção da advogada e influenciadora ocorreu no âmbito de uma operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, que investiga lavagem de dinheiro vinculada ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Conforme as apurações, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau teria sido utilizada como empresa de fachada para movimentar os recursos.
A audiência de custódia realizada na quinta-feira (21.mai.2026) resultou na manutenção da prisão preventiva de Deolane. Em nota oficial, a defesa da influenciadora declarou que ela é inocente e que “os fatos serão devidamente esclarecidos”.
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados à advogada, incluindo sua residência em Barueri. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e ativos financeiros. Os principais alvos das medidas incluem:
- 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões
- R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados
- R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra
Segundo os investigadores, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10.000 entre 2018 e 2021. Também foram identificados quase 50 depósitos destinados a duas empresas dela, totalizando R$ 716 mil. A polícia informou não ter encontrado registros de prestação de serviços advocatícios que justificassem tais repasses. Para a Justiça, há indícios de movimentações suspeitas, risco de fuga, ocultação patrimonial e possibilidade de interferência nas investigações.







