A Cimed anunciou um investimento de R$ 80 milhões para ingressar no segmento de skincare por meio da Mili, nova marca de cosméticos criada em parceria com a fabricante sul-coreana GDK Cosmetics. A linha chega ao Brasil em novembro com sete produtos fabricados na Coreia do Sul, preços entre R$ 100 e R$ 200 e expectativa de faturamento de até R$ 150 milhões na fase inicial.
Conforme divulgado pela Exame, a farmacêutica já iniciou os primeiros lotes de importação e planeja encerrar 2026 com a marca presente em 10 mil pontos de venda. A estratégia marca uma nova etapa da diversificação da Cimed para além dos medicamentos e amplia sua presença no mercado de beleza.
Farmácias concentrarão 80% da distribuição
A comercialização da Mili será conduzida pela própria Cimed no Brasil. A companhia prevê que 80% da operação fique concentrada em farmácias, enquanto os demais canais responderão pelos outros 20%. Uma parte dos R$ 80 milhões será direcionada a estoque, marketing, ações comerciais e treinamento das equipes de vendas. A empresa considera a demonstração dos produtos e a educação do consumidor elementos importantes para o desenvolvimento da categoria no varejo.
“Não adianta fazer marketing se não prepararmos os pontos de venda. Vamos ter um time de treinamento muito forte”, afirmou João Adibe, CEO da Cimed, à Exame.
Produtos serão fabricados exclusivamente para a Cimed
A produção ficará concentrada na Coreia do Sul, sob responsabilidade da GDK Cosmetics. De acordo com Adibe, as fórmulas serão produzidas especificamente para a companhia e adaptadas às exigências regulatórias brasileiras. A primeira linha utilizará METAexosome L55 combinado a um complexo de peptídeos. Peptídeos são cadeias de aminoácidos empregadas em diferentes formulações cosméticas, enquanto exossomos são partículas extracelulares estudadas por seu papel na comunicação entre células.
“Não é simplesmente um produto importado pronto. É um produto feito exclusivamente para a Cimed, com tecnologia coreana e adequado às normas da Anvisa”, afirmou o executivo.
Cimed percorreu 18 cidades e avaliou mais de 60 fornecedores
O desenvolvimento da nova marca foi precedido por cerca de três meses de pesquisa e prospecção na Ásia. Profissionais da Cimed passaram por 18 cidades entre Coreia do Sul, China, Taiwan e Japão, identificaram mais de 60 fornecedores e participaram de feiras e congressos do setor. A companhia acompanha o mercado sul-coreano há mais de cinco anos, inicialmente por meio da Milimetric, marca voltada à estética injetável. Essa aproximação permitiu à empresa observar também a expansão internacional dos cosméticos coreanos.
Importações de cosméticos coreanos cresceram 951%
A entrada da Cimed ocorre em meio ao avanço da chamada K-beauty no mercado brasileiro. Dados da Korea Customs Service citados pela Exame mostram que as importações brasileiras de cosméticos sul-coreanos cresceram 951% em 2025, chegando a US$ 54,36 milhões. Para a Cimed, a expansão desses produtos nas redes sociais ajudou a indicar uma oportunidade de mercado.
“Esse fenômeno cresceu e se popularizou muito rápido no Brasil, principalmente pela digitalização”, afirmou Adibe.
Mili pode chegar a 100 produtos em 2027
Os sete produtos de novembro representam apenas a primeira etapa da estratégia.
A Cimed prevê uma nova linha para o primeiro trimestre de 2027 e pretende realizar lançamentos trimestrais. Cada nova molécula poderá originar entre cinco e dez SKUs. A ambição é terminar 2027 com 100 produtos na categoria e espaços próprios para Mili dentro das farmácias.
Cimed quer repetir aprendizado do Carmed
A estratégia de construção da nova marca também aproveita parte da experiência adquirida com o Carmed. A empresa pretende formar uma comunidade em torno de cuidados com a pele e estimular rotinas desse tipo entre consumidores mais jovens.
O público da Mili, porém, será mais velho e terá maior poder de compra em comparação ao perfil predominante do hidratante labial. A companhia demonstra interesse em consumidores a partir dos 15 anos e também pretende ampliar a comunicação com o público masculino.
Beleza pode passar de 5% para 20% do negócio
A estratégia vai além da Mili. Hoje, beleza e estética representam aproximadamente 5% dos negócios da Cimed. A companhia pretende elevar essa participação para 20% até 2030. A expansão passa tanto pelo skincare quanto pela Milimetric, operação direcionada à estética injetável.
A Cimed investiu R$ 200 milhões na criação e produção da Milimetric e projeta faturamento superior a R$ 400 milhões em 2026 para a marca. A empresa também está ampliando a atuação para preenchedores corporais e novas tecnologias utilizadas na indústria estética sul-coreana.
Missão Coreia reúne cerca de 250 participantes
O anúncio da Mili acontece durante a Missão Coreia 2026, organizada pela própria Cimed. A iniciativa reúne cerca de 250 participantes, entre representantes de redes farmacêuticas, varejo alimentar, perfumarias e outros segmentos.
De acordo com a companhia, as empresas participantes representam juntas aproximadamente 60% do varejo farmacêutico brasileiro. A agenda inclui visitas a fábricas, centros de pesquisa e lojas para apresentar modelos de varejo, desenvolvimento tecnológico e experiências adotadas na Coreia do Sul. A edição anterior reuniu representantes de 26 grandes redes de farmácias.
Novas categorias entram no plano de crescimento
Às vésperas de completar 50 anos, a Cimed vê categorias fora de medicamentos como uma das principais alavancas para dobrar o tamanho da companhia. Além de skincare e estética, a estratégia inclui áreas de consumo amplo, como higiene bucal e desodorantes.
A Mili representa uma dessas novas frentes: combina fabricação sul-coreana, distribuição nacional e uma rede de farmácias que a Cimed pretende utilizar para transformar o crescimento da K-beauty em uma operação de escala no Brasil.







