No setor de beleza, o mais habitual é vermos produtos desenvolvidos no exterior chegarem ao Brasil. Essa rota, no entanto, está prestes a ser percorrida no sentido inverso: um skincare 100% nacional, de origem curiosa, será lançado em breve no mercado europeu e em outros países da América Latina.
Tudo começou em 2024, quando a Bayer percebeu que uma “misturinha” de Bepantol Derma com óleo de rosa mosqueta, criada por consumidoras brasileiras, viralizou nas redes sociais como truque para hidratação, regeneração e uniformização da pele.
A popularidade da receita chamou a atenção da farmacêutica e inspirou a criação de um produto oficial, o Bepantol Derma Rosa Mosqueta, lançado em maio de 2025.
Ricardo Salazar, vice-presidente de Assuntos Médicos para o negócio de Consumer Health da Bayer Global, avalia que o caso ilustra a importância de estar próximo do consumidor e de compreender o mercado. “Tudo começou com a escuta das redes sociais, ao entender o que as pessoas falavam sobre o Bepantol. A partir daí, nosso time local buscou o racional científico e realizou estudos clínicos para validar a segurança e a eficácia da mistura”, conta.
Na sequência, Salazar acrescenta que o brasileiro tem uma criatividade muito interessante, que nem sempre as empresas acompanham — mas a Bayer acompanhou. “Primeiro fizemos uma inovação local e, agora, estamos nos preparando para levá-la para outros países”, afirma.
A expectativa da empresa é lançar o produto, nos próximos 12 meses, na Alemanha e na França, os dois maiores mercados de Bepantol no mundo — o Brasil ocupa o terceiro lugar —, além de Colômbia e Chile. Dentro de um prazo de até 24 meses, o México também está nos planos.
Teste clínico validou ida para a Europa
O Bepantol Derma Rosa Mosqueta combina óleo de rosa mosqueta, conhecido por suas propriedades antioxidantes e clareadoras, com o dexpantenol, ingrediente da linha Bepantol Derma que atua na hidratação e na regeneração da pele.
A fórmula passou por avaliação dermatológica e, de acordo com a Bayer, apresentou resultados positivos na uniformização da textura e do tom da pele, com efeitos percebidos já nas primeiras aplicações.
Um estudo de 120 dias contou com 45 voluntárias brasileiras de 21 a 70 anos. Salazar ressalta que, embora a pesquisa tenha abrangido todos os seis fototipos de pele — classificação que mede a quantidade de melanina e a reação de cada tipo à exposição solar —, o foco principal esteve nos fototipos 3, 4 e 5, que correspondem à maior parte da população local.
O produto age diretamente em dois tipos de hiperpigmentação: a pós-inflamatória, que surge em casos como machucados e acne, e a solar. Com a aplicação duas vezes ao dia, de manhã e à noite, os resultados apontaram que mais de 50% das pacientes e dos dermatologistas responsáveis pelas avaliações notaram melhoras na pele a partir do 30º dia.
Os demais números mostram que 87% das voluntárias observaram manchas visivelmente mais claras, mesma porcentagem que percebeu melhora geral na aparência da pele; 76% notaram um tom mais uniforme, e 84% relataram redução das manchas.
“O sucesso do estudo clínico no Brasil foi o que determinou a entrada do Bepantol Derma Rosa Mosqueta em um mercado tão exigente quanto o europeu”, enfatiza Salazar.
Ainda conforme o executivo, realizar a pesquisa no país também teve relevância estratégica. “Usualmente, grandes farmacêuticas como a Bayer conduzem estudos na Europa e nos Estados Unidos, mas, ao fazê-los em países como o Brasil, observamos muita qualidade, por causa da diversidade de pacientes, e economia de custos.”
No quesito financeiro, Salazar revela que o projeto gerou economia de 300 mil euros (aproximadamente R$ 1,8 milhão) diretamente para a operação. “O valor será integralmente reinvestido em mais inovação local”, conclui.







