Manteiga, balm ou loção: erro comum no inverno que causa acne

Manteiga, balm ou loção: erro comum no inverno que causa acne

Com a chegada dos dias mais frios e secos de inverno, a procura pelo hidratante corporal ideal aumenta nas farmácias. No entanto, diante de prateleiras repletas de alternativas como manteigas, balms, loções e géis, é fácil cometer um equívoco na escolha.

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Frequentemente, o consumidor opta pela textura mais espessa acreditando que ela proporcionará mais maciez, mas termina o dia com a pele pegajosa, poros obstruídos ou até crises de acne no corpo.

Para esclarecer essa confusão, o Social1 conversou com a Dra. Ana Luiza Gadelha, dermatologista do Hospital Jayme da Fonte.

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A especialista detalhou os fundamentos científicos por trás das texturas e o segredo para restaurar o viço da pele — especialmente a madura — sem deixá-la untuosa.

A Física do Hidratante: Tudo Depende da Proporção de Água

De acordo com a Dra. Ana Luiza, a principal diferença entre os produtos disponíveis na farmácia não está apenas no marketing, mas sim na quantidade de água e óleo em suas formulações.

  • Sérum e Gel: Possuem um percentual muito elevado de água. Evaporam rapidamente e são recomendados para peles oleosas ou com tendência à acne.
  • Loção e Creme: Apresentam um equilíbrio intermediário. O creme contém um pouco mais de oleosidade que a loção, sendo o aliado de peles ressecadas pelo clima ou pela menopausa.
  • Manteiga: Geralmente produzida com matéria-prima vegetal ou animal, como karité, cacau ou lanolina. Funciona como um ponto intermediário entre o creme e o bálsamo, oferecendo alta emoliência.
  • Bálsamo (Balm): É quase uma cera, com pouquíssima água e alta concentração de gordura. Forma um verdadeiro “filme protetor” que impede a perda de água da pele.

Alerta da Especialista: Cuidado com as armadilhas do rótulo! Um produto que afirma “conter manteiga de karité” ou “óleo de coco” não significa que seja uma manteiga pura. “Muitas vezes o ativo está diluído em uma loção leve. Se você aplicar a manteiga pura em áreas como colo e costas, o risco de obstruir os poros e causar espinhas é alto”, adverte a dermatologista.

O Perigo Oculto dos Cosméticos Importados no Brasil

Um equívoco comum destacado pela Dra. Ana Luiza é o uso indiscriminado de hidratantes pesados importados de países muito frios.

“O risco de utilizar produtos importados está em comprar fórmulas feitas para um clima e peles totalmente diferentes das nossas. No Brasil, isso pode gerar muita irritação, acne cosmética ou reações alérgicas. O ideal é buscar produtos fabricados sob a normatização nacional, adequados à nossa realidade climática”, explica.

O Veredito sobre o Clássico ‘Nivea da Lata Azul’

Fenômeno multigeracional que sempre volta a viralizar nas redes sociais, o tradicional creme Nivea da latinha azul foi analisado pela médica.

“Ele é um creme extremamente concentrado, com índice de água muito baixo, que já está quase beirando um bálsamo“, define a Dra. Ana Luiza. O veredito? Ele funciona muito bem, mas não é para o corpo inteiro. Deve ser restrito a áreas de ressecamento extremo e peles severamente secas.

A médica também faz um alerta sobre os produtos muito perfumados: “Fórmulas muito cheirosas podem ser irritantes. Os produtos mais recomendados em consultório têm o mínimo de fragrância — ou nenhuma — para evitar alergias”.

O Truque da Pele Úmida: Por que seu Hidratante Fica Pegajoso?

Se você costuma passar o hidratante horas depois do banho, com a pele totalmente seca, está aplicando o produto errado ou da forma errada. É isso que gera aquela sensação incômoda de “pele melada”.

A física da pele explica: para que ativos potentes, como a Ureia — muito indicada para devolver o viço à pele madura 50+ — penetrem de verdade, a pele precisa estar úmida. Aplicar o hidratante logo após fechar o chuveiro “tranca” a umidade da água na barreira cutânea.

  • Nota de atenção: A ureia é excelente para recuperar o colágeno perdido indiretamente, mas a Dra. Ana Luiza alerta que ela nunca deve ser usada sobre rachaduras ou feridas abertas, pois causa intensa ardência e irritação. Nesses casos, usa-se primeiro um bálsamo reparador.

Guia Rápido: O Produto Certo para Cada Zona Sensível

Para não errar mais na rotina de cuidados de inverno, a dermatologista esquematiza as melhores texturas para as áreas que mais sofrem com o vento frio:

  • Lábios (Pele sem glândulas sebáceas): Use bálsamos ou manteigas. O bálsamo cria um filme oclusivo, com pantenol ou ácido hialurônico, que impede a boca de rachar. Fuja dos géis, que evaporam rápido e pioram o ressecamento.
  • Colo e Mãos (Zonas expostas ao envelhecimento): Exigem hidratação combinada com proteção solar. A especialista explica que produtos “2 em 1”, com filtro e hidratante, exigem alta tecnologia: “A parte hidratante precisa penetrar, enquanto o filtro solar deve ficar na superfície. Por isso, são fórmulas mais tecnológicas e caras, mas que valem o investimento”.
  • Pálpebras (Região fina e de muito atrito): Use apenas produtos específicos, creme ou gel-creme, testados oftalmologicamente. Géis puros causam sensação de repuxamento ao piscar, e bálsamos ou manteigas pesadas podem escorrer para dentro dos olhos, turvando a visão.

Antes de comprar seu próximo produto na farmácia, consulte seu dermatologista para entender as necessidades reais da sua pele neste inverno.

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