O policial também precisa saber contar histórias

Quando se fala em atividade policial, é comum pensar na ação: a viatura que chega, a abordagem, o atendimento de uma ocorrência, a prisão, o socorro. Mas existe uma parte fundamental desse trabalho que acontece longe dos olhos da população: contar, com precisão, o que aconteceu.
A farda exige coragem para agir, mas também exige atenção para observar e responsabilidade para registrar.

Continua após a publicidade

Em uma ocorrência, tudo pode acontecer em poucos minutos. Pessoas diferentes apresentam versões, emoções estão à flor da pele e decisões precisam ser tomadas rapidamente. Depois que a situação é controlada, o policial precisa fazer o caminho inverso, desacelerar, organizar as informações e transformar aquela experiência em um relato compreensível.

É aí que entra o boletim. Quem escreve estava lá. Quem vai ler, muitas vezes, não.
Por isso, não basta conhecer termos técnicos ou utilizar palavras difíceis. É preciso saber comunicar. O policial precisa conseguir transportar para o papel aquilo que seus olhos viram, aquilo que foi constatado e as providências que foram adotadas, sem acrescentar interpretações que não correspondam aos fatos.

Continua após a publicidade

No fundo, trata-se também de uma forma de respeito com quem estará do outro lado do documento. O policial não escreve apenas para si. Seu relato poderá ser consultado posteriormente por outros profissionais da segurança pública e da Justiça e poderá ajudar a reconstruir uma situação da qual essas pessoas não participaram.

Por isso, escrever bem, no contexto policial, não significa escrever difícil.
Significa fazer com que a realidade vivenciada na rua não se perca quando chegar ao papel.
A sociedade vê a farda em ação. Poucas vezes vê o policial depois dela, diante de um computador, tentando organizar em palavras aquilo que acabou de viver. E o preparo que ele precisa ter antes da ocorrência começar, sabendo da legalidade das ações e direcionar o desenvolver de uma ação crítica de forma a minimizar os efeitos negativos que podem advir de um fato típico.

E talvez essa seja uma das faces menos conhecidas da profissão: o policial também precisa saber contar histórias, não histórias inventadas, mas histórias reais, com precisão, responsabilidade e respeito aos fatos.

Continua após a publicidade
Gabriela Pacheco Brandão
A Cabo Gabriela Pacheco Brandão é Bacharel em Direito, com pós-graduações em Ciências Criminais e Direito Aplicado. Possui prática forense reconhecida pelo TJES .Na PMES desde 2014, integrou o GAO e atua na Força Tática desde 2017. É formada em cursos como APH Brasil e CPAAR, com sólida experiência operacional e jurídica.
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda é uma coluna especial que abre espaço para que militares compartilhem suas vivências dentro e fora do serviço. Aqui, o leitor encontra relatos, reflexões e bastidores do cotidiano de quem vive o dever de proteger, mas também carrega medos, sonhos e desafios. A proposta é humanizar a farda, aproximando a sociedade da realidade policial e dando voz a quem, todos os dias, está na linha de frente da segurança pública.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Vitória, ES
Temp. Agora
30ºC
Máxima
28ºC
Mínima
22ºC
HOJE
14/10 - Qua
Amanhecer
05:11 am
Anoitecer
05:42 pm
Chuva
0.87mm
Velocidade do Vento
16.67 km/h

Média
24.5ºC
Máxima
26ºC
Mínima
23ºC
AMANHÃ
15/10 - Qui
Amanhecer
05:10 am
Anoitecer
05:43 pm
Chuva
0.62mm
Velocidade do Vento
22.57 km/h

Review: Corda Volkl V-Square 1.25mm

Reinaldo Olecio

Leia também