A polícia conhece as pessoas nos seus piores dias

Há uma peculiaridade na profissão policial, dificilmente encontramos alguém vivendo seu melhor momento.

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Quando uma viatura chega, quase sempre há dor, medo, violência, perda ou desespero. A polícia conhece famílias no instante em que recebem uma notícia difícil, vítimas logo após um crime, pais procurando um filho desaparecido, idosos sem amparo, mulheres buscando proteção e pessoas que perderam tudo em poucos minutos.

Enquanto muitos profissionais acompanham os melhores capítulos da vida das pessoas, o policial quase sempre é chamado para testemunhar os mais difíceis.

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Talvez por isso a sociedade associe a farda apenas ao conflito. Mas essa percepção ignora um detalhe importante; o policial não leva o problema até aquele lugar, ele chega porque o problema já existe.

Sua missão é interromper a violência, restabelecer a ordem e permitir que a vida continue.

Depois que a ocorrência termina, a viatura parte. A família permanece. A vítima tenta recomeçar. A comunidade volta à rotina. E, muitas vezes, ninguém se lembra de quem esteve ali para impedir que a situação fosse ainda pior.

Entender a atividade policial é compreender que, por trás de cada atendimento, existe alguém que precisou tomar decisões rápidas diante da dor de outra pessoa. É descobrir que a farda representa uma instituição, mas é vestida com por homens e mulheres que também carregam suas próprias histórias, preocupações e famílias.

O sucesso do trabalho policial nem sempre será uma prisão ou uma grande apreensão. Às vezes, será apenas o silêncio que volta a uma rua antes dominada pelo medo. Será uma criança que consegue dormir tranquila. Será uma vítima que encontra coragem para recomeçar.

A melhor polícia não é apenas a que combate o crime. É aquela que, ao final de cada atendimento, consegue devolver às pessoas aquilo que a violência tentou lhes tirar: a esperança de que amanhã será um dia melhor.

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Gabriela Pacheco Brandão
A Cabo Gabriela Pacheco Brandão é Bacharel em Direito, com pós-graduações em Ciências Criminais e Direito Aplicado. Possui prática forense reconhecida pelo TJES .Na PMES desde 2014, integrou o GAO e atua na Força Tática desde 2017. É formada em cursos como APH Brasil e CPAAR, com sólida experiência operacional e jurídica.
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda é uma coluna especial que abre espaço para que militares compartilhem suas vivências dentro e fora do serviço. Aqui, o leitor encontra relatos, reflexões e bastidores do cotidiano de quem vive o dever de proteger, mas também carrega medos, sonhos e desafios. A proposta é humanizar a farda, aproximando a sociedade da realidade policial e dando voz a quem, todos os dias, está na linha de frente da segurança pública.

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Marcos Paulo Bastos

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