Afastar-se da tela: impactante reflexão sobre a saúde mental de profissionais expostos à violência extrema

Visualize que o seu turno de trabalho está prestes a ter início. Você já se alimentou, tomou banho e acabou de ligar o computador para reiniciar suas atividades diárias. No entanto, imagine que nas próximas horas, quase sem interrupções, você irá presenciar todo tipo de violência ocorrendo no ambiente virtual, especialmente envolvendo adolescentes. Diferente dos filmes de terror, você não tem a opção de virar a cabeça ou fechar os olhos, pois é o seu monitoramento que desempenhará um papel crucial em identificar casos que podem representar uma ameaça iminente. Agora, retroceda um pouco no tempo e reflita sobre como isso afetará sua saúde mental em médio e longo prazo.

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“Em determinados momentos, é imprescindível que eu me afaste da tela”, afirma um integrante do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve) responsável pela vigilância – o anonimato, nesses casos, é fundamental para proteger os profissionais. “Todos os dias, é possível ter contato com conteúdos extremamente pesados: sadismo, crimes de ódio, abusos e o sofrimento de vítimas e animais. Portanto, é vital estabelecer limites e compreender que não se pode consumir esse material de maneira indiscriminada”, acrescenta, antes de completar: “É indispensável ter cuidado para não internalizar nem perder a esperança, pois a sua percepção do mundo e da humanidade é drasticamente alterada ao trabalhar nesta área.”

Essa situação não é única. Desde que assumiu a direção do Núcleo, Fábio Costa Pereira notou mudanças em sua rotina. “Não consigo mais dormir. Minha vida tornou-se uma vigilância incessante”, ele revela. O procurador de Justiça compara sua experiência ao futebol para explicar a pressão constante que sente. “É como se eu fosse o goleiro na final de um campeonato. O placar está 0 a 0 aos 46 minutos do segundo tempo e eu preciso defender um pênalti”, compara. Porém, quando questionado se gostaria de trabalhar em outra área, o “não” é quase instantâneo.

“Chegar a este cargo me fez perceber que existe um outro nível de maldade humana”, afirma o promotor Rodrigo Mendonça.

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É esperado que, para autoridades que atuam na segurança, lidar com situações de violência extrema não cause um abalo significativo na rotina de quem foi preparado para tais circunstâncias. Contudo, não é necessariamente assim. “É um nível mais profundo na direção da maldade humana, e isso nos afeta, sem dúvida alguma”, descreve Rodrigo Mendonça, responsável pela Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência Extrema e ECA Digital (Proeve). Mesmo com anos de experiência no Ministério Público do RS, ele admite que a gravidade dos casos impressiona até os mais veteranos: “Foi preciso chegar a esta função para entender que há um outro abismo da maldade humana.

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Redação
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