As manchas amarronzadas localizadas abaixo dos olhos de cães e gatos, conhecidas como lágrima ácida, podem parecer um mero detalhe estético, mas servem como um importante indicador de saúde dos animais. Profissionais da área afirmam que o problema está relacionado à produção excessiva de lágrimas ou à dificuldade na drenagem da secreção ocular, o que pode levar a irritações e desconfortos nos pets.
A conhecida lágrima ácida é, na verdade, um alerta sobre a saúde dos animais de estimação. Conforme explica o veterinário Felipe Alonso, essa condição resulta do excesso de lágrima ou da dificuldade na drenagem ocular, o que provoca irritações. Raças como Shih-Tzu, Pug e Poodle têm maior predisposição ao problema. As causas do surgimento variam e incluem alergias, infecções e obstruções, com o tratamento dependendo de um diagnóstico veterinário.
De acordo com ele, embora o nome popular utilize a palavra “ácida”, na realidade, a lágrima não possui essa propriedade. O termo surgiu devido às marcas escuras que se formam nos pelos, principalmente em animais de pelagem branca ou clara.
“A lágrima contém elementos que, ao entrar em contato com o ar e se acumularem nos pelos, passam por um processo de oxidação. Ademais, a umidade constante favorece a proliferação de fungos e bactérias, que intensificam a coloração escura na região,” explica o médico-veterinário Felipe Alonso.
Ele aponta que algumas raças são mais propensas ao desenvolvimento desse problema, especialmente os cães com focinho achatado e olhos mais salientes, como Shih-Tzu, Maltês, Lhasa Apso, Pug, Bulldog Francês e Poodle.
“Esses animais apresentam alterações anatômicas que dificultam a drenagem natural das lágrimas. Em muitos casos, o canal lacrimal não consegue escoar adequadamente a secreção, resultando em seu acúmulo constante abaixo dos olhos,” detalha.
Felipe alerta que a lágrima ácida pode ser provocada por diversas razões, e por isso não há uma única solução que sirva para todos os casos. Entre as causas mais recorrentes estão alergias ambientais ou alimentares, irritações causadas por pelos em contato com os olhos, obstrução dos canais lacrimais, inflamações, conjuntivites, anomalias nas pálpebras e até problemas dentários.
“Muitos tutores acreditam que basta limpar a região e pronto, mas o excesso de lágrima pode ser sinal de algo mais grave. Em algumas situações, pode haver dor ocular, infecções ou até questões estruturais que necessitam de tratamento,” afirma.
Os sinais podem ir além das manchas no rosto. O médico-veterinário orienta os donos a ficarem atentos a sintomas como olhos avermelhados, secreção persistente, coceira frequente, odor forte, sensibilidade à luz e pelos constantemente úmidos ao redor dos olhos.
“Quando o animal começa a coçar excessivamente a região, apresenta irritação na pele ou secreção em excesso, isso já é um indicativo importante que requer avaliação veterinária,” ressalta.
A umidade contínua pode levar ao surgimento de dermatites na área abaixo dos olhos, provocando desconforto e facilitando o crescimento de fungos e bactérias. “A pele fica submetida a um ambiente constantemente abafado e úmido. Com o passar do tempo, isso pode resultar em inflamações, feridas e até odores desagradáveis,” comenta.
Para prevenir o problema, a recomendação é manter os pelos da face sempre aparados, realizar limpezas periódicas na área ocular com produtos indicados por veterinários, oferecer uma alimentação de qualidade e ficar atento a quaisquer mudanças no comportamento ou na secreção ocular.
“O tratamento depende da causa subjacente. Em alguns casos, ajustes na higiene e na alimentação podem ser muito eficazes. Em outros, pode ser necessário o uso de medicamentos ou até mesmo procedimentos oftalmológicos,” explica.
O veterinário enfatiza a importância de não ignorar os sinais apresentados pelos pets. “Frequentemente, os tutores pensam que é normal que o animal tenha lacrimação constante, mas o excesso de lágrimas nunca deve ser visto apenas como uma questão estética. A saúde ocular está diretamente relacionada ao bem-estar e à qualidade de vida dos animais,” finaliza.







