Depois que a crise de 1929 fez os preços despencarem e deixou um grande excedente de café no Brasil, pesquisadores na Suíça se dedicaram a preservar sabor e aroma até o lançamento do Nescafé, em 1938. O produto ganhou destaque durante a Segunda Guerra Mundial e segue presente no dia a dia de muitos consumidores.
O café solúvel Nescafé surgiu de uma dificuldade que afetou diretamente o Brasil. A crise de 1929 derrubou as cotações, diminuiu a demanda e deixou depósitos repletos de café brasileiro sem comprador.
As informações foram divulgadas pela Nestlé, companhia de alimentos dona da marca Nescafé. A empresa recebeu a missão de descobrir um jeito de conservar aquele café e desenvolver uma nova alternativa de consumo.
A missão demandou longos anos de estudo na Suíça. O produto precisava dissolver-se em água, preservar parte do sabor e do aroma dos grãos e ser simples o bastante para chegar à mesa dos consumidores.
A crise de 1929 deixou um enorme excedente de café brasileiro
A quebra financeira de 1929 diminuiu o poder de compra da população e causou uma forte desvalorização do café. O Brasil, então grande produtor mundial, viu-se com um imenso volume de grãos estocados e poucas chances de escoamento.
As sacas tomavam conta dos armazéns, mas os compradores não surgiam na quantidade esperada. O café encalhado se tornou um obstáculo para os produtores, para os estoques e para toda a cadeia envolvida na comercialização do grão.
O desafio não se limitava a conservar os grãos. Era necessário dar um novo destino ao café brasileiro que estava parado e ampliar as formas de consumo.
Guardar as sacas não resolvia o problema do café sem comprador
Manter o café nos depósitos apenas adiava o problema. Os estoques seguiam altos, enquanto a procura continuava insuficiente para absorver toda a produção.
A solução cogitada era transformar os grãos em outro produto. Em vez de depender somente do preparo convencional, o café poderia ser oferecido ao consumidor de um jeito mais prático, pronto para ser dissolvido em água.
A ideia abriria uma nova frente para o mercado e permitiria aproveitar parte do excedente brasileiro. No entanto, converter o café em pó solúvel sem perder suas características pedia uma técnica que ainda precisava ser desenvolvida.
Max Morgenthaler enfrentou anos de pesquisa na Suíça
Max Morgenthaler, químico de alimentos vinculado à Nestlé, liderou uma equipe na Suíça para criar uma bebida que pudesse ser feita somente com água e ainda mantivesse parte das características naturais do café.
A Nestlé, companhia responsável pela marca Nescafé, afirmou que Morgenthaler comandou o trabalho que resultou no produto lançado em 1938.
O químico não inventou sozinho o conceito de café instantâneo, que já tinha experiências anteriores. Sua contribuição foi decisiva para o desenvolvimento da versão solúvel que deu origem ao Nescafé, junto com outros profissionais participantes da pesquisa.
O desafio era preservar sabor e aroma em um pó solúvel
Obter um pó que se dissolvesse na água era só uma etapa do trabalho. O principal desafio era manter o sabor e o aroma que fazem o café ser reconhecido pelo consumidor.
Se o processo eliminasse essas propriedades, o produto até seria prático, mas não proporcionaria uma experiência parecida com a bebida tradicional. Por esse motivo, os testes se prolongaram por vários anos.
A equipe procurou equilibrar facilidade no preparo e qualidade da bebida. O resultado final precisava dispensar os métodos tradicionais sem abrir mão do sabor e do aroma característicos do café.
O lançamento do Nescafé em 1938 mudou o destino da pesquisa
Depois de anos de estudos, o Nescafé chegou ao mercado em 1938. O produto trazia o café em versão solúvel e permitia fazer a bebida com a simples adição de água.
O lançamento conectou uma crise agrícola brasileira a uma solução criada nos laboratórios suíços. O café que permanecia parado nos armazéns ajudou a impulsionar um novo modelo de produção e consumo.
A conveniência conquistou espaço em situações em que o preparo tradicional era complicado. O café solúvel podia ser feito depressa, sem os utensílios usados para coar ou passar a bebida.
A Segunda Guerra levou o café solúvel às rações militares
A Segunda Guerra Mundial teve início logo depois do lançamento. No período do conflito, o Nescafé entrou nas rações militares, porque oferecia um meio rápido de preparar café somente com água.

A inclusão nas rações ampliou o contato dos soldados com o produto. Dessa forma, uma bebida desenvolvida a partir do desafio de aproveitar o café brasileiro conquistou novos consumidores e alcançou outros mercados.
A guerra não inventou o café solúvel, mas colaborou para difundir seu consumo. A união de conveniência, simplicidade no preparo e distribuição militar fez o Nescafé ficar mais popular.
Uma solução para o excedente brasileiro chegou à mesa de muitos consumidores
A trajetória do Nescafé teve início com armazéns lotados, preços em baixa e café brasileiro sem comprador após a crise de 1929. O problema reuniu pesquisadores na Suíça e resultou no lançamento da bebida solúvel em 1938.
O produto passou pela Segunda Guerra Mundial, saiu dos laboratórios e seguiu presente na rotina de muitos consumidores. Uma crise envolvendo o café brasileiro acabou estimulando um modo de preparo que ainda marca presença nas mesas.







