Petroleiras dos EUA lucram alto com tensão no Oriente Médio

As petroleiras dos Estados Unidos registraram alta lucratividade no segundo trimestre de 2026, em meio à tensão no Oriente Médio. ExxonMobil e Chevron, as duas maiores empresas americanas do setor, somaram juntas 26,5 bilhões de dólares em lucro no período, impulsionadas pela disparada dos preços globais do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, que chegou a elevar o barril do Brent para mais de 112 dólares.

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A Exxon reportou lucro de 14,5 bilhões de dólares no trimestre, mais que o dobro do resultado registrado no mesmo período do ano anterior e o maior desde 2022, início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Na prática, a companhia lucrou cerca de 160 milhões de dólares por dia. O lucro ajustado por ação, no entanto, ficou em 3,52 dólares, número que ficou ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, de cerca de 3,63 dólares, o que derrubou as ações da empresa em até 3% no pré-mercado.

Segundo a companhia, custos relacionados a manutenções programadas pesaram sobre o resultado. A produção da Exxon somou cerca de 4,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia, uma das maiores em mais de duas décadas, com destaque para o recorde de mais de 1,8 milhão de barris diários na Bacia Permiana. A operação da Guiana segue como pilar de crescimento, com o quinto navio-plataforma previsto para entrar em operação no quarto trimestre deste ano.

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Já a Chevron praticamente quadruplicou o lucro na comparação anual, somando 12,1 bilhões de dólares, ante 2,5 bilhões no mesmo trimestre do ano passado, um avanço de 385%. A companhia registrou produção recorde nos Estados Unidos, de 2,07 milhões de barris por dia, 18% acima do mesmo período do ano anterior, com a produção mundial total crescendo 20% na mesma comparação. Parte desse avanço vem da aquisição da Hess, concluída em julho de 2025, que deu à Chevron acesso a importantes campos de petróleo no território marítimo da Guiana. A empresa também se beneficiou de margens de refino mais altas, superando as expectativas do mercado.

Segundo Andy Lipow, presidente da consultoria Lipow Oil Associates, essas empresas estão praticamente imprimindo dinheiro por causa da disparada dos preços do petróleo ao redor do mundo, que já subiram mais de 40% neste ano. A Shell, outra gigante do setor, também anunciou lucro de quase 10 bilhões de dólares no trimestre, mais que o dobro do resultado do ano anterior e o segundo maior da história da companhia.

Vale lembrar que o setor de petróleo costuma alternar entre ciclos de bonança e crise. Em 2020, quando os preços do petróleo chegaram a ficar negativos com o colapso da demanda durante a pandemia, a própria Exxon registrou prejuízo de 22,4 bilhões de dólares. O cenário atual, no entanto, é oposto, com o conflito no Oriente Médio compensando até mesmo quedas na produção, estimadas em cerca de 6% para as duas companhias, já que o preço elevado do barril superou com folga a perda de volume.

Os resultados já provocaram reação política nos Estados Unidos. Diante dos lucros bilionários em meio às dificuldades de parte da população para arcar com o preço da gasolina, parlamentares têm discutido a possibilidade de impor taxações extraordinárias sobre os ganhos das petroleiras, tema que deve seguir em debate no Congresso americano nas próximas semanas.

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