O crescente interesse pela rotina de cuidados com a pele mudou a maneira como muitos brasileiros protegem o rosto. Atualmente, hidratantes, bases, séruns e outros itens cosméticos com fator de proteção solar (FPS) estão presentes no dia a dia de milhões de pessoas. Esse movimento representa um avanço significativo na conscientização sobre os efeitos da radiação ultravioleta. Contudo, também levanta uma questão que merece reflexão: será que os produtos de skincare com FPS podem substituir o protetor solar convencional?
A resposta é não.
Apesar de os cosméticos com FPS colaborarem para a proteção cutânea, eles não foram criados para cumprir a mesma função do protetor solar e, quando usados como única barreira contra a radiação, podem gerar uma falsa percepção de segurança.
O câncer de pele segue como o tipo mais frequente no Brasil. Conforme projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA), estão previstos 263.280 novos casos anuais de câncer de pele não melanoma entre 2026 e 2028, sendo o tumor de maior incidência no país. A causa principal é a exposição excessiva e cumulativa à radiação ultravioleta ao longo da vida, tornando a fotoproteção uma medida essencial.
Cosméticos com FPS versus protetor solar: entenda as diferenças
Grande parte da confusão sobre os cosméticos com FPS decorre da forma como são utilizados. O fator de proteção informado nos rótulos é determinado em testes laboratoriais, em que se aplica uma quantidade padronizada do produto na pele. Na prática, essa quantidade raramente é replicada.
No caso de uma base ou hidratante facial, por exemplo, costuma-se aplicar apenas o suficiente para cobrir ou hidratar. Isso significa que a proteção efetiva obtida geralmente é menor do que a indicada na embalagem.
Outro ponto crucial é a reaplicação. O protetor solar precisa ser reaplicado ao longo do dia para manter sua eficácia, especialmente em situações de exposição solar contínua, suor intenso ou contato com água. Já a maioria das pessoas não reaplica maquiagem ou hidratante várias vezes ao dia, fazendo com que a proteção diminua gradualmente enquanto a pele fica exposta aos raios UV.
Essa diferença é determinante quando se pensa na prevenção do câncer de pele.
Há ainda um erro frequente: acreditar que apenas longos períodos na praia ou piscina representam risco. Na verdade, a exposição solar ocorre em atividades cotidianas, como caminhar até o trabalho, dirigir, fazer exercícios ao ar livre ou ficar perto de janelas. Essas pequenas doses diárias de radiação ultravioleta se acumulam com o passar dos anos e contribuem para o envelhecimento precoce da pele e para o aumento do risco de tumores cutâneos.
Isso não quer dizer que os cosméticos com FPS devam ser abandonados. Pelo contrário. Eles representam uma camada extra de proteção e podem complementar os cuidados diários, especialmente quando associados ao uso correto do protetor solar. O problema surge quando passam a ocupar o lugar do principal agente de fotoproteção.
A prevenção do câncer de pele envolve um conjunto de ações. Além do uso diário do protetor solar em quantidade adequada e da reaplicação ao longo do dia, é importante adotar hábitos como usar chapéus, roupas com proteção UV, óculos escuros e buscar sombra nos horários de maior intensidade da radiação solar.
Estamos em uma época em que o autocuidado ganhou destaque e o skincare passou a fazer parte da rotina de muitas pessoas. Essa mudança é positiva e deve ser incentivada. Mas é fundamental entender a função de cada produto. Cosméticos com FPS são aliados importantes, porém não substituem o protetor solar. Quando o objetivo é prevenir o câncer de pele, o cuidado mais moderno continua sendo apostar na proteção mais eficaz.







