China, Brasil e África do Sul preparam parceria para detectar fenômenos cósmicos

Um novo acordo de cooperação científico-tecnológica entre os parceiros do Brics, China, Brasil e África do Sul, dará origem a uma rede de telescópios voltada ao monitoramento de eventos astronômicos transitórios. Esses fenômenos, como explosões estelares, supernovas e rajadas de raios gama, são de curta duração e exigem observação contínua. A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta a eventos imprevisíveis e impulsionar pesquisas em processamento de dados e inteligência artificial.

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A parceria foi formalizada por meio de um memorando de entendimento assinado entre instituições dos três países, criando a Global Open Transient Telescope Array (GOTTA) – Brics Pathfinder Network. Trata-se de uma plataforma experimental para redes internacionais de grande escala que servirá de base para o futuro Brics Intelligent Telescope and Data Network (BITDN).

Participação brasileira e instituições envolvidas

No Brasil, a coordenação do projeto fica a cargo do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As observações brasileiras serão realizadas pelo Observatório do Pico dos Dias, localizado na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. A rede também inclui o Observatório Astronômico Sul-Africano e os observatórios chineses de Xinglong e Lenghu, que operarão de forma contínua em diferentes fusos horários.

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Outras instituições de pesquisa envolvidas são o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o Observatório Nacional (ON) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

  • China, Brasil e África do Sul assinam memorando para criar a Global Open Transient Telescope Array (GOTTA), rede que detectará fenômenos cósmicos transitórios em tempo real.
  • A rede integrará o Observatório do Pico dos Dias (MG), o Observatório Astronômico Sul‑Africano e os chineses de Xinglong e Lenghu, garantindo observação contínua em fusos horários diferentes.
  • No Brasil, a coordenação fica a cargo do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), ligado ao MCTI, com participação do CBPF, ON e INPE.
  • O objetivo é ampliar a capacidade de monitoramento, responder a eventos imprevisíveis e avançar pesquisas em processamento de dados e inteligência artificial.

Astronomia do domínio do tempo e desafios de observação

Diferentemente de estrelas e galáxias, que permanecem praticamente inalteradas por milhares ou milhões de anos, os fenômenos transitórios podem durar segundos, dias ou meses antes de desaparecer. A astronomia do domínio do tempo é a subárea dedicada à observação desses eventos, realizada por meio de levantamentos automatizados do céu. No entanto, ela exige sistemas capazes de identificar rapidamente quais fenômenos merecem acompanhamento detalhado.

A nova rede do Brics, com telescópios posicionados na América do Sul, na África e na Ásia, reduzirá as lacunas de observação causadas pela alternância entre dia e noite e por condições meteorológicas adversas. Uma futura expansão do sistema poderá formar uma estrutura global capaz de monitorar praticamente todo o céu em intervalos de poucas horas.

Tecnologia e inteligência artificial na operação da rede

Um dos diferenciais da GOTTA-Brics Pathfinder será o desenvolvimento de tecnologias para a operação distribuída de telescópios utilizando inteligência artificial. Algoritmos avançados analisarão automaticamente o enorme volume de imagens gerado a cada noite de observação, identificando alterações de brilho ou novos objetos quase em tempo real. Quando um evento potencialmente relevante for detectado, o sistema emitirá alertas para outros observatórios da rede, que passarão imediatamente a acompanhar o fenômeno, reduzindo o intervalo entre a descoberta e o início das observações científicas.

A iniciativa também prevê o compartilhamento de infraestrutura para armazenamento e processamento de grandes volumes de dados astronômicos.

Cooperação ampliada no Brics

Nos últimos anos, o bloco tem ampliado sua agenda conjunta em ciência, tecnologia e inovação, incluindo projetos nas áreas de inteligência artificial, computação de alto desempenho, energia, biotecnologia, hidrogênio verde e grandes infraestruturas científicas. Em 2026, o MCTI e o CNPq lançaram uma chamada de R$ 33 milhões para financiar pesquisas colaborativas entre instituições dos países membros, abrangendo projetos estratégicos classificados como flagship, categoria na qual se insere a futura rede inteligente de telescópios do Brics.

A GOTTA-Brics Pathfinder também deverá estimular a formação de pesquisadores, engenheiros e especialistas em instrumentação astronômica, ciência de dados e inteligência artificial aplicada à observação do Universo.

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