Aqui está o texto com parágrafos mais curtos e concisos:
Uma pesquisa coordenada pela Griffith University estima em 7 biliões de dólares australianos o valor anual proporcionado por parques e áreas verdes para o bem-estar mental. Os autores sugerem que a natureza seja incorporada aos sistemas públicos de saúde.
O estudo, divulgado na Communications Health, revela que áreas protegidas e espaços verdes urbanos geram anualmente o equivalente a 5 biliões de dólares norte-americanos em benefícios para a saúde mental. Ainda assim, esse valor representa apenas uma fração do potencial da chamada “nature-based mental healthcare” (NBMHC), conceito que propõe a exposição regular a ambientes naturais como instrumento terapêutico.
A equipa é liderada pelo professor emérito Ralf Buckley e pela professora Paula Brough, ambos da Griffith University. Eles destacam uma contradição no modelo atual de cuidados: a procura por serviços de saúde mental cresceu 63% nos casos de ansiedade e 26% na depressão na última década e meia, mas os recursos financeiros continuam desproporcionais.
“Mais de metade das consultas médicas hoje são motivadas por questões de saúde mental, mas essa área recebe apenas meio por cento dos fundos públicos de saúde”, observa Buckley. “É a natureza que colmata essa lacuna.”
Segundo o pesquisador, se os contribuintes precisassem financiar integralmente esse défice, a despesa com saúde duplicaria nos países desenvolvidos, um acréscimo de 10% do PIB.
O paradoxo está no custo de acesso. As pessoas gastam cerca de 1 bilião de dólares por ano em tempo e transporte para chegar a parques e áreas naturais, arcando individualmente com esse encargo. As receitas de taxas de entrada, na maioria dos países, são reduzidas ou inexistentes.
“As pessoas visitam a natureza pela sua própria felicidade, mas os benefícios em produtividade e redução de custos de saúde revertem para empregadores e seguradoras”, acrescenta Brough.
Apesar das evidências, muitos ainda estão excluídos. Na Austrália e nos Estados Unidos, cerca de um terço das pessoas não tem contacto regular com ambientes naturais; na China, esse número duplica.
Diane Westaway, fundadora da Coastrek e coautora do estudo, aponta as barreiras: falta de tempo, de transporte ou desconhecimento do meio rural. “Damos-lhes um empurrão e algum apoio social”, explica.
Os investigadores propõem uma mudança de paradigma: em vez de tratar a natureza como complemento opcional aos tratamentos convencionais, defendem que o acesso a espaços verdes seja infraestrutura essencial de saúde pública.
Isso implica integrar áreas naturais aos projetos escolares, ligar transportes públicos a parques urbanos, criar percursos pedestres em reservas municipais e investir em infraestrutura para visitantes nos parques nacionais. “Os investimentos públicos são pagos pela redução dos custos de saúde e pelo aumento da produtividade no trabalho”, sintetiza Buckley.
O artigo, intitulado “Public nature-based mental healthcare”, é assinado por Buckley, Brough, Westaway e colegas, num momento em que os sistemas de saúde de vários países estão sobrecarregados.
A proposta não elimina a necessidade de fármacos ou psicoterapia, mas posiciona a natureza como recurso preventivo e curativo, subutilizado e, em grande parte, gratuito. A equipa reconhece que implementar esse modelo exige articulação entre saúde, ambiente, educação, transportes e ordenamento do território, algo que esbarra na rigidez administrativa e na disputa por orçamentos limitados.
Apesar das dificuldades, os autores insistem na urgência da mudança, alertando para o custo, esse sim mensurável, da inação.







