6 ativos de skincare para usar na amamentação

A chegada de um filho transforma profundamente a vida da mulher, e a pele também sente os efeitos dessa nova fase. Oscilações hormonais, noites mal dormidas, estresse e mudanças na rotina podem favorecer o aparecimento de manchas, ressecamento, perda de viço e até acne. Paralelamente, muitas mães ficam inseguras sobre quais cosméticos podem continuar utilizando durante a amamentação, receosas de que algum componente cause danos ao bebê.

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A boa notícia é que existem ativos seguros e eficazes, capazes de proporcionar resultados reais sem comprometer esse período. A CRESCER ouviu a enfermeira obstetra e consultora de amamentação Cinthia Calsinski e os dermatologistas Paula Yume, Herbert Amaral e Eidi Motta Cardoso para esclarecer o que realmente funciona e por quê.

“Isso passa para o leite?”: a pergunta que toda mãe faz

Antes de falar dos ativos, vale compreender o medo mais frequente. A resposta dos especialistas é tranquilizadora. “Nem tudo que é aplicado na pele chega à corrente sanguínea, e uma quantidade ainda menor teria potencial para atingir o leite materno. A pele atua como uma barreira protetora importante”, explica a enfermeira obstetra Cinthia Calsinski.

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A dermatologista Paula Yume detalha esse percurso com um exemplo prático. “Imagine um creme com um ativo em que apenas 2% é absorvido pela pele. Se, desse total, somente 1% consegue passar para o leite, e o bebê ingere 150 ml, a quantidade final que chega ao bebê é praticamente residual. Estamos falando de uma fração da fração, geralmente sem relevância clínica”, afirma.

Ela ressalta, porém, que há exceções importantes: aplicar produtos na aréola ou no mamilo é diferente, pois o bebê pode ingerir diretamente, o mesmo ocorrendo com o uso de grandes quantidades sobre pele machucada ou inflamada.

A recomendação prática é unânime entre os especialistas: evitar a região mamária, aplicar os produtos preferencialmente logo após a mamada e priorizar ativos com baixa absorção sistêmica. A seguir, conheça os seis ativos seguros e eficazes para essa fase.

1. Niacinamida: a multifuncional

Considerada um dos ativos mais versáteis da dermatologia, a niacinamida, forma da vitamina B3, é quase unanimidade entre os especialistas. “Ela auxilia no controle da oleosidade, melhora a função de barreira da pele, reduz vermelhidão e contribui para o clareamento gradual de manchas pós-inflamatórias”, explica a dermatologista Eidi Motta Cardoso. Sobre a concentração ideal, Paula Yume orienta: “A literatura mostra que a faixa mais eficaz fica entre 2% e 5%. Em torno de 4% a 5%, ela já demonstra melhora real de oleosidade, acne, manchas e barreira cutânea.”

2. Ácido hialurônico: hidratação profunda

Muitas mulheres percebem a pele mais ressecada após o parto, e aqui entra o ácido hialurônico. “É um ativo naturalmente presente no organismo e tem grande capacidade de atrair e reter água. O resultado é uma pele mais hidratada, preenchida e saudável, sem interferir na amamentação”, explica Eidi. Paula acrescenta um detalhe técnico importante: mais do que a concentração, o que importa é o peso molecular. “As melhores fórmulas costumam combinar diferentes pesos moleculares: os de alto peso hidratam a superfície, e os de baixo peso atuam em camadas mais profundas.”

3. Vitamina C: luminosidade e antioxidante

A vitamina C é uma aliada da pele em qualquer fase da vida, e na amamentação não é diferente. “Ela ajuda a combater os radicais livres, melhora a luminosidade, estimula a produção de colágeno e contribui para uniformizar o tom da pele”, afirma Eidi. Segundo o dermatologista Herbert Amaral, o ácido L-ascórbico estabilizado, em concentrações de 10% a 20%, é uma excelente alternativa para recuperar a luminosidade da pele no pós-parto, com ação antioxidante e clareadora.

4. Ácido azelaico: o aliado contra acne e melasma

Talvez o ativo com a melhor relação entre eficácia e segurança nessa fase. “Atua na acne, na rosácea e principalmente no melasma, um problema frequente no pós-parto. Sua absorção sistêmica é pequena e já existe experiência clínica bastante ampla”, explica Herbert, que indica concentrações de 15% a 20%. Paula reforça que ele é considerado um dos ativos mais seguros do período, justamente por atuar ao mesmo tempo em acne, manchas e inflamação.

5. Ceramidas e pantenol: reparação da barreira

Muitas mulheres apresentam a pele sensibilizada no puerpério, e é aí que entram as ceramidas e o pantenol. “Restaurar a barreira cutânea reduz irritação, melhora a tolerância aos demais ativos e diminui a inflamação crônica”, explica Herbert sobre as ceramidas. Já o pantenol, conhecido como pró‑vitamina B5, é destacado por Eidi: “É um poderoso hidratante e reparador, especialmente útil para peles sensibilizadas, ressecadas ou irritadas, ajudando a restaurar a maciez e a resistência natural da pele.”

6. Peptídeos: estímulo inteligente ao colágeno

Para quem deseja investir na prevenção do envelhecimento sem recorrer a ativos mais potentes, os peptídeos são a aposta. “São pequenas moléculas que funcionam como mensageiros celulares, estimulando os mecanismos naturais de renovação e produção de colágeno”, explica Eidi. Herbert confirma que os peptídeos biomiméticos promovem melhora de firmeza e linhas finas, sendo uma alternativa interessante aos retinoides, que devem ser evitados nessa fase.

O sétimo item indispensável (e o que evitar)

Embora não seja exatamente um “ativo de tratamento”, o protetor solar é considerado obrigatório pelos especialistas. “Durante a amamentação, muitas mulheres ficam mais propensas a manchas, especialmente melasma, por influência hormonal. E nenhum clareador funciona de verdade se a pele continua exposta à radiação UV diariamente”, alerta Paula. Tanto filtros físicos quanto químicos são considerados seguros na lactação.

Entre os ativos que exigem cautela estão os retinoides, como a tretinoína e a isotretinoína, e alguns clareadores como a hidroquinona, que devem ser evitados nessa fase. A mensagem final das especialistas é libertadora. “A amamentação não precisa ser um período de pausa no autocuidado”, resume Cinthia Calsinski. Como conclui Eidi, o segredo não está em usar muitos produtos, mas em escolher os ingredientes certos, sempre com orientação de um dermatologista de confiança.

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