O Espírito Santo alcançou o segundo lugar no ranking de volume de atividades turísticas do Brasil, registrando expansão de 3,9% no segundo trimestre de 2026. O estado capixaba ficou atrás somente da Bahia, que apresentou alta de 6,3%. Mato Grosso apareceu na terceira colocação, com 2,8%, e o Rio de Janeiro na quarta, com 2,4%.
Com esse resultado, o turismo capixaba acumulou a oitava alta consecutiva na comparação com igual trimestre do ano anterior. No acumulado dos quatro trimestres finalizados em junho, o avanço no Espírito Santo chegou a 2,9%, superando os percentuais de 1% observados no Brasil e de 0,9% no Sudeste.
O boletim Economia do Turismo, produzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) em parceria com a Secretaria de Estado do Turismo (Setur-ES) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), afirma que “esse resultado evidencia a recuperação da atividade turística depois da forte retração observada a partir de 2022, que se estendeu até meados de 2024”. O estudo utiliza dados da Pesquisa Mensal de Serviços, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua e do Novo Caged.
Faturamento do turismo
A receita gerada pelas atividades turísticas no Espírito Santo avançou 13,3% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O crescimento foi mais de três vezes superior ao do volume de serviços do setor, que subiu 3,9%. Esse descompasso é justificado, em parte, pela elevação dos preços das atividades turísticas.
Esse desempenho superou as médias do Sudeste e do Brasil. No mesmo período, o faturamento do setor subiu 11,1% no Sudeste e 10,2% em âmbito nacional. No acumulado de 2026, o Espírito Santo registra alta de 10,8%. Quando considerados os quatro trimestres encerrados em junho, o crescimento chega a 12,2%, enquanto Sudeste e país registraram 9,1% e 9,5%, respectivamente.
O comportamento distinto entre receita e volume indica que a expansão financeira do turismo não se deve somente ao aumento na quantidade de serviços prestados. De acordo com o IJSN, o faturamento vem crescendo de forma mais intensa exatamente por causa da alta dos preços das atividades turísticas.
Emprego
O avanço das atividades e do faturamento, no entanto, não veio acompanhado de aumento equivalente no número de ocupados. O Espírito Santo contava com cerca de 169 mil trabalhadores nas atividades turísticas no segundo trimestre, praticamente o mesmo total de um ano antes. No primeiro trimestre de 2026, esse contingente era de aproximadamente 166 mil.
Os ocupados no turismo correspondem a 8,1% de todos os trabalhadores do Espírito Santo, participação menor que as médias nacional e regional, de 9,3% e 10,4%, respectivamente. Nesse indicador, o Estado ocupa a 19ª posição no ranking brasileiro.
Alimentação e transporte respondem por mais de 85% dos vínculos do setor: 90,7 mil pessoas atuam na alimentação e 53,3 mil no transporte. O alojamento emprega cerca de 9,1 mil trabalhadores, e as atividades culturais e desportivas reúnem 8,6 mil.
A informalidade também segue alta. Cerca de 37,1% dos ocupados no turismo atuam sem carteira assinada ou sem proteção previdenciária, índice acima dos 33,4% observados nas outras atividades da economia capixaba. No segmento de alimentação, esse percentual alcança 43,7%.
Carteira assinada
O mercado formal de trabalho trouxe outro contraste diante do aumento da receita. As atividades turísticas encerraram o segundo trimestre com saldo negativo de 101 vagas no Espírito Santo, resultado de 9.937 admissões e 10.038 desligamentos.
No mesmo intervalo, o turismo gerou 15.694 postos no Sudeste e 22.138 no Brasil. Os demais setores da economia do Espírito Santo, por sua vez, fecharam com saldo positivo de 11.339 empregos. Entre os estados, o Espírito Santo teve o terceiro pior desempenho no saldo de empregos formais do turismo, superando somente a Bahia, que eliminou 721 vagas, e Santa Catarina, que registrou redução de 1.342 postos.






