Na região metropolitana da Grande Vitória, a Serra se apresenta como um dos municípios mais variados do Espírito Santo. A localidade reúne crescimento econômico, legado histórico, expressões culturais, faixas de areia, áreas serranas e vivências de turismo rural.
Graças à sua posição privilegiada, o acesso à cidade é facilitado. O município fica a aproximadamente 20 quilômetros do aeroporto de Vitória e é atravessado pela BR-101, principal via rodoviária do estado.
Além de concentrar um dos maiores polos fabris capixabas, a cidade se consolida como um ponto turístico capaz de atender diversos tipos de viajantes. Em poucos minutos, é possível transitar do litoral para zonas rurais, percursos ecológicos, sítios agrícolas e regiões montanhosas.
Praias para diferentes perfis de visitantes
A Serra possui cerca de 23 quilômetros de costa. Ao longo do litoral, o turista encontra praias urbanizadas, faixas tranquilas, trechos pouco habitados e panoramas emoldurados pela vegetação de restinga.
Entre os principais balneários estão Carapebus, Bicanga, Manguinhos, Jacaraípe e Nova Almeida. Cada um apresenta características únicas e proporciona distintas alternativas de lazer, gastronomia e imersão na natureza.
Jacaraípe ficou conhecida como a “Vila do Surf”. As ondas locais atraem adeptos do esporte durante boa parte do ano e também favorecem a organização de torneios de surfe, vôlei de praia e beach soccer.
Manguinhos mantém o clima de uma antiga comunidade pesqueira. As ruas sossegadas, o mar tranquilo e os bares e restaurantes transformaram o balneário em um dos principais polos gastronômicos da cidade.
O consagrado Festival Manguinhos Gourmet também ajuda a movimentar a região. O evento agrega estabelecimentos, chefs e visitantes interessados na cozinha capixaba.
No extremo norte do litoral serrano está Nova Almeida, uma das localidades históricas mais relevantes do Espírito Santo. O distrito combina praias, belezas naturais e edificações que narram os primeiros momentos da colonização do estado.
Reis Magos preserva parte da história capixaba
Um dos principais tesouros de Nova Almeida é a Igreja e Residência dos Reis Magos. Erguida pelos jesuítas no século XVI, a construção está entre os marcos históricos mais expressivos do Espírito Santo.
Tombada pelo patrimônio histórico nacional, a estrutura arquitetônica preserva traços do período colonial e recebe visitantes de várias partes. Do alto do local, é possível avistar parte do litoral da Serra.
O monumento simboliza a atuação das missões religiosas na formação da região e mantém viva uma parcela importante da história indígena, religiosa e colonial do estado.
Mestre Álvaro é referência para o ecoturismo
O Mestre Álvaro domina a paisagem da Serra e é visível de vários ângulos da Grande Vitória. Com mais de 800 metros de altitude, o maciço é protegido por uma Área de Proteção Ambiental.
O local figura entre os principais destinos de ecoturismo da região. Suas trilhas atraem aventureiros interessados em atividades ao ar livre, observação de fauna e flora e contato com áreas conservadas.
Durante os trajetos, os visitantes encontram formações naturais variadas e mirantes com vistas panorâmicas da Grande Vitória. A experiência exige preparo e respeito às normas de preservação ambiental.
A proximidade entre o Mestre Álvaro, as praias e a zona urbana reforça uma das principais marcas turísticas da Serra: a chance de reunir diferentes vivências em um único itinerário.
Agroturismo valoriza a produção rural
A zona rural do município mantém atividades ligadas à agricultura familiar e aos costumes do interior capixaba. As propriedades recebem visitantes curiosos para conhecer a produção local e acompanhar parte do dia a dia das famílias do campo.
Os roteiros de agroturismo oferecem produtos artesanais, alimentos coloniais e experiências gastronômicas. Entre os itens disponíveis estão cafés especiais, licores, doces caseiros e pratos preparados com ingredientes cultivados na própria região.
Além de expandir as opções de lazer, o turismo rural contribui para fortalecer a agricultura familiar, gerar renda e preservar saberes transmitidos entre gerações.
A atividade também aproxima moradores e turistas das tradições rurais que fizeram parte da formação econômica e cultural do município.
Congo mantém viva a identidade cultural

A Serra é considerada um dos principais redutos do Congo no Espírito Santo. A manifestação agrega música, dança, religiosidade, fé e costumes populares.
As bandas utilizam tambores, caixas e a tradicional casaca, instrumento de madeira tido como um dos símbolos da cultura capixaba. Os cortejos também incluem mestres, rainhas, princesas e integrantes das comunidades.
Os cantos e ritmos preservam memórias indígenas, africanas e religiosas. Ao longo do tempo, as bandas de Congo se tornaram essenciais para a valorização da identidade cultural do município.
Uma das principais festividades ocorre durante a Festa de São Benedito, em Nova Almeida. A programação reúne manifestações religiosas e culturais e atrai moradores e visitantes.
Mais do que uma apresentação artística, o Congo simboliza a continuidade de saberes, histórias e práticas mantidas pelas comunidades serranas.
Origens da Serra remontam ao século XVI
A história da Serra começou nos primeiros anos da colonização portuguesa. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada por povos indígenas, sobretudo os Temiminós.
Entre os principais personagens indígenas desse período estavam o cacique Maracajá-Guaçu e seu filho Arariboia. Eles participaram de alianças que tiveram papel decisivo nos conflitos e na ocupação da área.
O padre jesuíta Brás Lourenço também teve participação na formação do núcleo populacional. Ele chegou ao Brasil em 1553 na mesma missão religiosa que trouxe o padre José de Anchieta.
A atuação conjunta de missionários e indígenas deu origem à Aldeia de Nossa Senhora da Conceição da Serra. A organização do povoamento avançou no início do século XVII, acompanhando a construção de espaços religiosos e administrativos.
Em 1752, a localidade foi elevada à categoria de freguesia por determinação da Coroa Portuguesa. A instalação oficial ocorreu posteriormente, após a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Em 1822, a região passou à categoria de vila. O Município da Serra foi criado oficialmente em 2 de abril de 1833, após ser desmembrado de Vitória. A instalação ocorreu em 19 de agosto do mesmo ano.
A sede municipal recebeu o título de cidade em 6 de novembro de 1875, consolidando sua importância política e administrativa no Espírito Santo.
Insurreição de Queimado marcou luta pela liberdade
Entre os episódios mais marcantes da história da Serra está a Insurreição de Queimado. O movimento ocorreu em 19 de março de 1849, na localidade de São José do Queimado.
A revolta reuniu pessoas escravizadas que reivindicavam a liberdade prometida durante a construção da Igreja de São José. O movimento foi reprimido pelas forças imperiais, mas se tornou um dos maiores símbolos da resistência negra no Espírito Santo.
Chico Prego e João da Viúva estão entre os principais nomes ligados à insurreição. Suas trajetórias permanecem na memória histórica como exemplos da luta contra a escravidão.
As ruínas da Igreja de São José do Queimado preservam parte dessa história. O local representa um importante espaço de memória e reflexão sobre a resistência da população negra no estado.
Comércio e agricultura impulsionaram o município
Na segunda metade do século XIX, a Serra passou por um período de crescimento econômico. A posição entre Vitória e o norte do Espírito Santo favoreceu a circulação de pessoas e mercadorias.
A agricultura, especialmente a produção de açúcar e café, teve papel relevante nesse processo. A pecuária e outras atividades rurais também contribuíram para a economia local.
O Rio Santa Maria da Vitória era utilizado para o transporte de produtos agrícolas e alimentos. Na região de São José do Queimado, o Porto do Una ajudava a conectar as comunidades rurais aos principais centros comerciais da província.
Grandes canoas transportavam mercadorias pelo rio, fortalecendo a integração da Serra com outras localidades capixabas.
Industrialização transformou a cidade
Até a década de 1970, a Serra possuía uma população menor, formada principalmente por comunidades ligadas à pesca, à agricultura e às atividades rurais.
A expansão industrial da Grande Vitória mudou esse cenário. O município passou por um rápido crescimento populacional e recebeu famílias de diversas regiões do Brasil.
Em poucas décadas, a Serra se transformou em um dos principais polos econômicos e urbanos do Espírito Santo. Novos bairros surgiram, a infraestrutura foi ampliada e as atividades industriais ganharam espaço.
Mesmo diante das transformações, diferentes comunidades continuam preservando costumes religiosos, culturais e rurais. Essa convivência entre desenvolvimento e tradição tornou-se uma das principais características do município.






