Brasil lidera com alta de 37% em chegadas de estrangeiros, quase dobro do Egito

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, assumiu a pasta em dezembro de 2025 e já colhe recordes históricos. Durante a abertura do 9º Conexidades, realizado em Campos do Jordão na segunda-feira (15), Feliciano anunciou que o setor injetou US$ 7,9 bilhões na economia brasileira, gerou 8,2 milhões de empregos e recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, o que representa uma alta de 37% em relação ao ano anterior.

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O Brasil encerrou 2025 com o melhor desempenho da história no turismo internacional. Dados divulgados pela Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas (ONU Turismo), confirmados pelo Ministério do Turismo e pela Embratur, apontam que o país recebeu 9.287.196 visitantes estrangeiros ao longo do ano, número que representa um crescimento de 37,1% em relação a 2024, quando o recorde anterior havia sido registrado com 6,7 milhões de turistas.

O desempenho brasileiro colocou o país no topo do ranking global de crescimento do setor. Enquanto a média mundial de expansão foi de 4% em 2025, o Brasil cresceu quase dez vezes mais. O segundo colocado no ranking, o Egito, registrou alta de 21% — menos de dois terços do avanço brasileiro. Vietnã também marcou 21%, seguido por Etiópia e Japão, ambos com 18%.

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Recorde de receitas e geração de empregos

O fluxo recorde de visitantes estrangeiros teve impacto direto na economia. Segundo o Banco Central, os gastos de turistas internacionais no Brasil somaram US$ 7,9 bilhões em 2025, o equivalente a R$ 41,5 bilhões — o maior valor já registrado na série histórica. O montante supera em 7,1% o registrado em 2024.

O setor também se consolidou como motor de geração de emprego e renda. Dados da Embratur indicam que o turismo atingiu 8,2 milhões de postos de trabalho formais e informais em 2025, o que representa cerca de 8% do total de vagas do país. Apenas no mercado formal, foram abertas mais de 120 mil vagas com carteira assinada ao longo do ano.

“O fortalecimento da promoção internacional do Brasil, aliado ao crescimento do fluxo de turistas estrangeiros e à diversificação da oferta turística, tem impacto direto na criação de vagas formais e informais de emprego”, afirmou o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, em pronunciamento oficial.

Aviação doméstica também bate recorde

Não foi apenas no turismo internacional que o Brasil atingiu marcas inéditas. O setor aéreo doméstico registrou 130 milhões de passageiros transportados em 2025, uma alta de 9,4% em relação ao ano anterior. O número representa o maior volume da história da aviação brasileira.

A tendência de alta se manteve no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril deste ano, o Brasil atingiu pela primeira vez a marca de 33 milhões de passageiros domésticos, segundo dados do Ministério do Turismo. Apenas em abril de 2026, foram 8 milhões de viajantes — outro recorde absoluto para o mês.

No turismo internacional, os primeiros quatro meses de 2026 também superaram as expectativas. O Brasil recebeu mais de 3,74 milhões de visitantes estrangeiros no período, com uma injeção de US$ 4 bilhões na economia brasileira, valor 8,1% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

Rio de Janeiro mantém protagonismo

Principal cartão-postal do país, o estado do Rio de Janeiro abriu 2026 em ritmo acelerado. Dados da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal apontam que o estado recebeu 289,3 mil turistas internacionais apenas em janeiro deste ano, uma alta de 17% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado representa o melhor janeiro da história para o turismo fluminense. Segundo Marcelo Freixo, o crescimento reflete o sucesso das estratégias de promoção do destino no exterior e a ampliação da conectividade aérea. “O Rio está no centro das atenções de mercados altamente competitivos e atrai cada vez mais viajantes”, destacou.

Dados da Embratur mostram ainda que, nos quatro primeiros meses de 2026, o estado ultrapassou a marca de 1 milhão de visitantes estrangeiros (1.065.011), consolidando sua posição como porta de entrada do turismo internacional no Brasil.

A nova gestão do Ministério do Turismo

Os números históricos chegam em um momento de transição na pasta. Gustavo Feliciano tomou posse como ministro do Turismo em 23 de dezembro de 2025, sucedendo Celso Sabino. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Paraibano de Campina Grande, formado em Direito, Feliciano construiu sua trajetória na gestão pública. Antes de assumir o ministério, foi Secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba entre 2019 e 2021, durante o governo de João Azevêdo. Também atuou como diretor-geral da União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc).

Em seu discurso de posse, Feliciano defendeu a democratização do acesso ao turismo. “O turismo deve ser para todos e não apenas para os ricos. É preciso democratizá-lo, fazê-lo uma coisa do povo”, afirmou na ocasião. O ministro também destacou o turismo como instrumento de justiça social e geração de oportunidades.

A nomeação de Feliciano foi resultado de articulação política envolvendo o União Brasil e a presidência da Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, Hugo Motta, endossou a indicação e afirmou que “quem é da Paraíba sabe cuidar, sabe acolher, e o turismo é um vetor fundamental de desenvolvimento”.

O desafio de manter o ritmo

Com os recordes de 2025 e o primeiro quadrimestre de 2026 já superando as marcas anteriores, a gestão de Gustavo Feliciano enfrenta o desafio de sustentar o crescimento em um cenário global de competição acirrada por turistas. O Brasil disputa espaço com destinos consolidados como México, Colômbia e Argentina na América Latina, além de concorrentes asiáticos como Vietnã e Japão.

O câmbio favorável — com o real desvalorizado frente ao dólar — tem funcionado como vetor impulsionador. Analistas apontam, no entanto, que a manutenção dos resultados dependerá da continuidade dos investimentos em infraestrutura aeroportuária, promoção internacional e segurança nos destinos turísticos.

O ministro Gustavo Feliciano tem sinalizado que a prioridade da pasta é ampliar a conectividade aérea, fortalecer parcerias com estados e municípios, e levar o turismo a regiões com menor tradição no setor. “Estamos colhendo frutos de uma área que gera emprego, renda e principalmente dignidade para o povo”, afirmou em entrevista recente.

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