O Brasil deve enviar 316 mil turistas ao Reino Unido em 2026, um incremento de 2% em comparação com a estimativa para 2025. No entanto, o aspecto mais notável para o destino é o crescimento projetado nos gastos: a previsão aponta que os viajantes brasileiros injetem cerca de 366 milhões de euros na economia britânica, representando uma alta de 7%.
Esses dados foram divulgados na quarta-feira (10), em São Paulo, durante a missão comercial Destino Grã-Bretanha 2026, organizada pelo VisitBritain com o objetivo de conectar fornecedores britânicos a operadoras e agências de viagens brasileiras.
Conforme Paul Gauger, vice-presidente executivo do VisitBritain para as Américas, Ásia e Austrália, o Brasil permanece como um dos mercados mais relevantes para o turismo britânico.
De acordo com o executivo, os brasileiros permanecem, em média, 11 noites no país, quatro dias a mais do que a média global dos turistas internacionais.
Turismo além de Londres
Embora Londres continue sendo a principal porta de entrada para os brasileiros, o VisitBritain nota uma transformação gradual nos hábitos dos viajantes. Atualmente, mais da metade das pernoites dos turistas brasileiros ocorre fora da capital inglesa.
Essa tendência está alinhada com a estratégia da entidade de divulgar outras regiões do país, como Escócia, País de Gales e o norte da Inglaterra.
“Os turistas estão à procura de vivências que os liguem ao caráter e à essência da Grã-Bretanha, seja por meio da cultura, da história, do esporte ou da música”, afirma Gauger.
A popularidade de locais associados ao futebol e à música contribui para explicar esse movimento. Liverpool, por exemplo, se firmou como um dos destinos mais procurados pelos brasileiros, ficando atrás apenas de Londres e Edimburgo.
Missão comercial reúne fornecedores e compradores
A edição atual da missão comercial conta com a participação de 16 empresas britânicas e está organizada em três dias de programação. Nos dois primeiros dias, fornecedores do Reino Unido realizam rodadas de negócios com operadoras brasileiras. O terceiro dia é voltado para agentes de viagens.
Conforme Priscila Moraes, diretora do VisitBritain no Brasil, a iniciativa possui um papel estratégico para a geração de negócios e a divulgação de produtos ainda pouco explorados pelo mercado nacional.
De acordo com a executiva, as avaliações feitas após cada edição revelam ganhos concretos para os participantes, como aumento de vendas, geração de leads e ampliação da oferta de produtos britânicos comercializados no Brasil.
Entre os pontos altos da programação, estão os encontros realizados no Cavern Club, em São Paulo, uma réplica da famosa casa de shows de Liverpool. A escolha do local busca fortalecer a promoção do norte da Inglaterra, região que vem ganhando destaque entre os brasileiros por sua ligação com os Beatles e o futebol.
Reino Unido aposta em percepção de segurança
Além da diversificação da oferta turística, o VisitBritain considera que fatores geopolíticos estão beneficiando o posicionamento do Reino Unido no mercado global.
Priscila Moraes ressalta que o destino é visto pelo mercado como uma alternativa segura em um período de instabilidade mundial.
Conectividade reforçada
A conectividade aérea também tem contribuído para sustentar o crescimento do fluxo turístico. Patrocinadora da missão comercial, a British Airways anunciou recentemente a ampliação de sua parceria de codeshare com a Latam, o que facilita o acesso a cidades brasileiras além de São Paulo e Rio de Janeiro.

Conforme Raphael De Lucca, country manager da companhia aérea no Brasil, o desempenho das vendas no primeiro semestre foi impulsionado tanto pela demanda tradicional para o Reino Unido quanto pelo aumento das conexões para a Ásia via Europa.
A British Airways opera atualmente dois voos diários entre Brasil e Londres, um partindo de São Paulo e outro do Rio de Janeiro.
Números do mercado brasileiro para o Reino Unido
- 316 mil visitantes brasileiros previstos em 2026
- Crescimento de 2% sobre a projeção para 2025
- 366 milhões de euros em gastos turísticos estimados
- Alta de 7% na receita gerada pelos brasileiros
- Média de 11 noites de permanência
- Mais de 50% das pernoites realizadas fora de Londres










































