Guia para mulheres que viajam sozinhas é destaque nos 100 dias contra o feminicídio

Guia para mulheres que viajam sozinhas é destaque nos 100 dias contra o feminicídio

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, esteve presente nesta quarta-feira (20), em Brasília (DF), na cerimônia que celebrou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, ocorrida no Palácio do Planalto. Na ocasião, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou quatro projetos de lei que ampliam as medidas de proteção para mulheres vítimas de violência.

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“Nesses 100 dias, realizamos mais do que havia sido feito no século anterior. Quando o Estado demonstra que cumpre suas obrigações, as pessoas passam a confiar e a denunciar. Todos devem se sentir agredidos quando uma mulher é agredida. É necessário assumir a responsabilidade, pois a luta não é alheia, mas sim da humanidade”, declarou o presidente Lula.

O ministro do Turismo ressaltou o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, desenvolvido em colaboração com a UNESCO e lançado em março deste ano. “Um país seguro e acolhedor para a mulher que viaja sozinha é uma nação preparada para receber o mundo inteiro com excelência”, afirmou Gustavo Feliciano.

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O guia contém orientações para promover maior autonomia e segurança às viajantes, integrando as ações de turismo responsável do ministério. A publicação dialoga com políticas públicas como o próprio Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e o Protocolo ‘Não é Não’.

Agenda

O Ministério do Turismo tem expandido sua atuação na agenda da Mulher por meio de políticas que conectam desenvolvimento econômico, inclusão e segurança para mulheres no turismo brasileiro.

Nesse contexto, nos dias 3 e 4 de junho, o Ministério realizará em João Pessoa (PB) o Fórum Internacional de Mulheres no Turismo. Promovido em parceria com a ONU Turismo, o evento contará com a presença de autoridades nacionais e internacionais para debater empoderamento, representatividade e liderança feminina no setor.

Na área do empreendedorismo, o Ministério do Turismo tem fomentado políticas de apoio econômico para mulheres. Um destaque é a flexibilização das condições de financiamento do Fungetur para empresárias do setor que se tornaram mães recentemente, permitindo a suspensão temporária de pagamentos e a ampliação dos prazos de carência e amortização dos contratos.

“Com as condições especiais do Fungetur, garantimos que a empreendedora do turismo tenha o fôlego financeiro necessário para cuidar de seu filho sem precisar abandonar o sonho do seu negócio”, salientou o ministro Gustavo Feliciano.

Outros dois eixos importantes de atuação do Ministério são o movimento Turismo que Protege, uma articulação permanente criada para fortalecer o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente turístico; e o Guia Dicas para Atender Bem Mulheres Viajantes, que orienta o atendimento adequado ao público feminino, direcionado a agências de turismo, meios de hospedagem, transporte e estabelecimentos gastronômicos.

Dados recentes reforçam a importância da pauta. A Pesquisa Tendências do Turismo 2025 (Ministério do Turismo/Nexus) revelou que 53% dos viajantes nacionais no ano passado eram mulheres. Outro levantamento do órgão mostra que 17% das empresas inscritas no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) declaram ter mulheres na liderança. Entre os segmentos, destacam-se agências de viagem (45%), seguidas por hotelaria (18%) e restaurantes (11%).

Pacto contra o Feminicídio

Lançado em fevereiro de 2026, o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio é uma iniciativa conjunta dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com a participação dos Ministérios Públicos e Defensorias Públicas. A ação representa uma resposta coordenada ao aumento da violência contra a mulher.

Representando o Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, destacou a celeridade na análise judicial de casos de violência contra a mulher. “Mais de 50% das decisões são proferidas no mesmo dia do requerimento e, muitas delas, exigem 48 horas para serem protegidas. O compromisso do Judiciário é com a proteção efetiva de cada mulher submetida a contextos de ameaça e violência e com a garantia de que crianças e adolescentes não cresçam privados da convivência materna devido à violência de gênero”, afirmou Fachin.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, ressaltou que a Casa aprovou 73 medidas desde a assinatura do Pacto, todas voltadas ao combate ao feminicídio no Brasil. “As mulheres não podem mais esperar para ter essa proteção necessária. O feminicídio é um flagelo que nos envergonha como nação, mas a união entre os Poderes aponta o caminho para que, em um futuro próximo, nenhuma cidadã precise temer por sua vida apenas pelo fato de ser mulher”, declarou.

O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio completa 100 dias com resultados concretos. Entre os principais avanços está a realização de um mutirão nacional, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que resultou em mais de 6,3 mil prisões de agressores. O período também foi marcado pela expansão da rede de proteção e por ações estruturantes de prevenção à violência em todo o país: as Casas da Mulher Brasileira, por exemplo, dedicadas ao acolhimento de vítimas, realizaram 148 mil atendimentos desde janeiro de 2026 e chegaram a 12 unidades em funcionamento no país.

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