GTA III: jogo que marcou uma nova era no mundo dos games

O ano de 2001 foi um período relevante para o universo dos games, marcado por grandes clássicos lançados para uma nova geração que se aquecia cada vez mais. Foi nesse cenário que GTA III começou a consolidar seu lugar entre os maiores nomes do entretenimento.

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Chegou em outubro de 2001 ao PlayStation 2, recebeu versões para Windows no ano seguinte e para Xbox em 2003. O desenvolvimento ficou a cargo da então DMA Design, atualmente Rockstar North, com publicação da Rockstar – que já estava sob o controle da Take Two Interactive.

Uma nova dimensão sem mudar a essência

GTA III é lembrado com frequência como um dos marcos divisores da indústria dos games por tudo o que representou. A obra deixou o patamar de poucos milhões de cópias vendidas — algo já significativo para seus antecessores — e alcançou mais de 17 milhões de unidades. No entanto, mais importante do que esse total, que reúne vários anos e plataformas, foi o número de 1,4 milhão de exemplares ainda em dezembro de 2001. Em menos de dois meses e apenas em uma plataforma, que era bastante nova, GTA III se tornou o jogo mais vendido do ano.

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Boa parte desse resultado se deve ao mundo aberto em 3D, um avanço enorme não só para a franquia, mas também para a indústria. Mesmo sem ser o primeiro nem o mais bonito graficamente a adotar essa abordagem, teve o maior impacto, diante das controvérsias de sempre e do alcance das vendas.

A chegada da terceira dimensão, porém, não alterou a proposta do jogo. O mundo criminal representado, a possibilidade de roubar carros aleatórios na rua e as armas espalhadas pela cidade continuavam presentes como antes.

Diversas polêmicas cercaram o pós-lançamento do título. A possibilidade de matar civis inocentes e policiais, de se relacionar com prostitutas e outros elementos foram criticados por veículos da época. No fim, tudo isso ajudou a construir a fama da obra, que pavimentou o caminho para a franquia chegar ao que é hoje.

Aventuras em 3D e a criação de Liberty City

O jogo começou a ser desenvolvido logo após a conclusão de GTA 2. Naquele momento, a DMA estava dividida em duas equipes: uma trabalhava na continuação da série e a outra tocava um projeto de Godzilla. Depois da aquisição da empresa pela Take-Two, os dois times se juntaram para trabalhar em GTA III.

A Rockstar pressionava por um mundo em 3D, e a demonstração técnica foi desenvolvida no Dreamcast. Com apenas quatro meses de desenvolvimento, porém, a produção foi migrada para o PS2. Assim, a aventura de ação em terceira pessoa começava a tomar forma. No início, uma cidade genérica foi criada, mas logo os desenvolvedores perceberam que, ao se inspirar em uma cidade real, “mais coisas poderiam ser ditas (sobre ela)”, segundo o produtor Dan Houser. A partir disso, o mapa foi redesenhado como Liberty City, cidade do primeiro jogo da série, baseada em Nova York. Além da ilha principal de Manhattan, outras duas áreas apareciam na Big Apple digital: uma representando o Brooklyn e o Queens; e outra com os subúrbios de Nova Jersey.

Ainda de acordo com Houser, o título usava “a história para explicar as mecânicas, e as mecânicas para contar a história”. Ou seja, um elemento alimentava o outro para que a narrativa avançasse e o jogador conhecesse as novidades e comandos do game.

Claude, a cidade que nunca dorme e as controvérsias

O público assume o controle de Claude, traído pela namorada de maneira não romântica após um roubo a banco, e acaba preso. Solto depois de um ataque do cartel colombiano, o protagonista começa a se aproximar da máfia local e a realizar trabalhos para os criminosos. Conforme a história avança, Claude ajuda os mafiosos a vencerem diversas disputas, seja contra o cartel, contra a tríade ou ainda membros da yakuza. No final, ele parte em busca de vingança contra Catalina, a namorada que o traiu.

Apesar de GTA III contar com dublagens, Claude é um protagonista mudo, no melhor estilo dos treinadores Pokémon. Seu silêncio era tanto que o nome só foi revelado em 2004, quando ele apareceu em uma ponta em GTA: San Andreas. A escolha de deixar Claude sem fala foi feita para que ele se encaixasse no que o jogador quisesse que ele fosse, o que combinava com a proposta de liberdade do game.

Antes mesmo de chegar às prateleiras, GTA III precisou passar por algumas alterações por conta dos ataques de 9 de setembro. A Rockstar adiou o lançamento em três semanas para realizar ajustes. Entre eles, a capa da versão americana foi modificada, os carros de polícia deixaram as cores e o design inspirados na Polícia de Nova York e ganharam opções mais genéricas, as trajetórias de aviões que apareciam no fundo mudaram para não passarem minimamente perto de prédios, e uma missão que mencionava terroristas foi removida.

Um dos pontos fortes da franquia são as estações de rádio presentes na cidade. GTA III contou com três horas e meia de material, entre músicas, comerciais e comentários. Vários gêneros estavam disponíveis para que o jogador trocasse de estação, aumentando a personalidade de Liberty City. Diversos DJs foram contratados para aparecer nas programações, com falas inusitadas escritas para reforçar o tom absurdo do game. Ao final, músicas, comerciais, conversas e radio imaging (vinhetas, sonorização e identidade sonora) foram compilados nas estações presentes.

Recepção e legado

GTA III não teve problemas para ser recebido por crítica e público. Como já foi citado, o número de vendas mostrou o quanto os jogadores gostaram da nova aventura. As estimativas indicam que, até dezembro de 2001, 20 milhões de unidades do console já estavam nas mãos dos consumidores. Isso mostra que mais de uma pessoa a cada 20 que possuíam o PlayStation 2 comprou o jogo até aquele momento.

A mídia especializada registrou uma avaliação de 97% no Metacritic, site agregador de notas. Se a média ficou nesse patamar elevadíssimo, é compreensível que, para muitos, o game tenha sido perfeito. A inovação foi abraçada por todos, mesmo que o título não estivesse necessariamente reinventando a roda.

Atualmente, GTA III pode ser adquirido para PC, consoles de mesa e mobile por meio do remaster junto com os outros dois jogos da era 3D da franquia. GTA: The Trilogy – The Definitive Edition está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, PC (Steam), Android e iOS.

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