Novo ‘Resident Evil’ traz terror cinematográfico à lógica dos games

O diretor Zach Cregger lidera uma nova adaptação cinematográfica de Resident Evil, apresentando uma história inédita situada em 2026. Com Austin Abrams interpretando um entregador preso em Raccoon City durante um desastre biológico, o filme abandona a ação exagerada das produções anteriores para recuperar o verdadeiro terror de sobrevivência dos jogos. Com uma atmosfera sombria, violência gráfica e alta tensão psicológica, a obra aposta no medo e na vulnerabilidade para proporcionar uma experiência aterrorizante.

Continua após a publicidade

Zach Cregger é um nome que vem se destacando cada vez mais em Hollywood. Antes de ser considerado uma das novas promessas do terror contemporâneo, o diretor era mais conhecido pelo seu trabalho como comediante e membro do grupo de esquetes The Whitest Kids U’ Know. Ao lado de Trevor Moore, Cregger dirigiu as comédias Miss March (2009) e The Civil War on Drugs (2011), antes de fazer uma mudança significativa para o horror com Noites Brutais (2022).

O sucesso do filme abriu portas para A Hora do Mal (2025), uma obra que consolidou sua reputação no gênero e rendeu a Amy Madigan (Campo dos Sonhos) o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Agora, com um prestígio que lhe permite escolher projetos cada vez mais ambiciosos, Cregger recebe uma espécie de liberdade criativa para desenvolver sua própria interpretação de uma das franquias mais icônicas dos videogames. Essa é uma responsabilidade considerável, especialmente para Resident Evil, que possui um público fiel e apaixonado há quase trinta anos.

Continua após a publicidade

No cinema, a franquia já percorreu caminhos bastante variados. A primeira adaptação foi lançada em 2002, sob a direção de Paul W. S. Anderson (Monster Hunter), com Milla Jovovich (O Quinto Elemento) como protagonista. Esta versão construiu uma identidade própria ao longo de seis filmes, além de ter uma sétima adaptação, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City, lançada em 2021, que contou com Kaya Scodelario (Maze Runner: Correr ou Morrer) no elenco.

Neste novo longa, há a escolha de uma abordagem distinta: não se busca dar continuidade às narrativas já exploradas nos cinemas nem reproduzir diretamente as histórias mais célebres dos jogos. Cregger utiliza o universo criado pela Capcom para elaborar uma aventura inédita, ambientada em 2026 — ao invés dos anos 90, que é quando os jogos se passam —, na qual Raccoon City volta a ser o cenário de um desastre biológico. Essa decisão permite ao diretor a liberdade de trabalhar com o que verdadeiramente parece interessá-lo: a experiência de estar preso dentro de um Resident Evil.

A trama acompanha Bryan (Austin Abrams, The Walking Dead), um entregador de suprimentos médicos que aceita uma missão em Raccoon City sem saber exatamente o que o aguarda. Ao chegar à cidade, encontra um cenário devastado pelo desastre biológico e deve atravessar uma longa noite enquanto luta para sobreviver às criaturas que surgem em seu caminho.

A estrutura é simples, quase como uma missão de videogame: chegar a um determinado local, descobrir o que está ocorrendo, encontrar algo ou alguém, escapar de uma ameaça e seguir em frente. Contudo, é exatamente isso que Cregger transforma em uma das soluções mais eficazes do filme. Em vez de apresentar Resident Evil como um filme de ação genérico repleto de personagens superpreparados, ele resgata a lógica do survival horror. Bryan não sabe onde está, não entende completamente as regras daquele universo e com frequência parece estar alguns passos atrás do perigo. Sua aparente falta de astúcia funciona porque traz consigo limitações. E, em uma obra como esta, limitações resultam em tensão.

Conforme a narrativa avança, os monstros ganham mais destaque — e são eles que conferem à ameaça uma dimensão concreta. As criaturas não estão ali apenas para completar uma sequência de ação: são obstáculos aterrorizantes, imprevisíveis e capazes de transformar qualquer ambiente em uma armadilha. O filme também compreende que o medo não se baseia apenas em conhecer o que acontecerá, mas na desconfiança em quem se pode confiar.

Bryan encontra indivíduos carismáticos, crianças clamando por ajuda e estranhos aparentemente dispostos a colaborar. Quem está infectado? Quem está escondendo algo? Quem representa uma ameaça e quem pode ser um aliado? A incerteza acompanha o protagonista durante a maior parte de sua jornada e coloca o espectador na mesma posição de vulnerabilidade.

Mesmo sabendo que Bryan deve chegar ao final da história, nada garante o destino das pessoas ao seu redor. Essa é uma diferença significativa em relação às adaptações anteriores: aqui, Cregger parece menos interessado em moldar um herói invencível do que em reproduzir a sensação de insegurança vivida por quem está jogando e não sabe o que existe atrás da próxima porta.

É também por essa razão que o novo Resident Evil se destaca quando adota sua própria gameficação. Não se trata apenas de inserir referências aos jogos na tela, mas de compreender por que a franquia funciona tão bem no formato de videogame: a exploração em primeira pessoa (POV), os recursos limitados, a ameaça invisível e a constante sensação de que algo pode surgir a qualquer momento. Cregger transforma esses elementos em ferramentas cinematográficas sem perder sua essência como diretor.

O resultado é um filme mais sombrio, violento e fiel ao espírito do survival horror do que as adaptações anteriores. O CGI e o gore acompanham essa proposta com eficácia, sem poupar o espectador da brutalidade do universo — o longa tem classificação de 18 anos no Brasil devido à sua violência sanguinolenta. Cabeças explodem, sangue jorra e criaturas são eliminadas de maneiras bastante gráficas.

Entretanto, mais relevante do que a quantidade de sangue, é o fato de que a violência possui peso e o clima criado é genuinamente assustador. Ao final, é evidente que Cregger compreendeu o que muitos fãs sempre almejaram: para realizar um bom Resident Evil, não é suficiente simplesmente colocar os monstros na tela. É preciso fazer o público sentir medo de encontrá-los.

 

Continua após a publicidade
Redação
Redação
Redação representa o esforço colaborativo de toda a equipe de jornalistas e editores dO Capixaba. Por meio de um trabalho integrado e multidisciplinar, contextualizando as informações e acompanhando as novidades do momento com agilidade e rigor.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Vitória, ES
Temp. Agora
17ºC
Máxima
21ºC
Mínima
18ºC
HOJE
19/09 - Sáb
Amanhecer
05:33 am
Anoitecer
05:36 pm
Chuva
0.2mm
Velocidade do Vento
1.54 km/h

Média
22ºC
Máxima
24ºC
Mínima
20ºC
AMANHÃ
20/09 - Dom
Amanhecer
05:32 am
Anoitecer
05:36 pm
Chuva
0.12mm
Velocidade do Vento
7.91 km/h

Não é Setembro Amarelo, nem Setembro Azul, é Setembro Vermelho

Igor Vitorino da Silva

Leia também