O termo “prolífico” não é suficiente para descrever a produção do Dr. Reiner Knizia, com mais de 800 jogos listados no BoardGameGeek, sem contar suas séries de quebra-cabeças. Durante a recente enxurrada de lançamentos do “Reiner-scimento”, além de repaginações e redefinições temáticas, alguns jogos inéditos foram lançados. Um lote recente de três jogos espaciais da Bitewing trouxe SILOS (Municipium), EGO (Beowulf: The Legend) e o jogo de corrida ORBIT (também conhecido como o Problema do Caixeiro Viajante).

A abundância de letras maiúsculas se explica porque cada título é uma sigla; ORBIT significa “Orbital Race Between Interstellar Tourists” (Corrida Orbital Entre Turistas Interestelares). Isso define bem o tema e prepara para o tabuleiro geométrico que recebe os jogadores na preparação. Cada um dos 2 a 4 jogadores (com regras adaptadas para dois jogadores) precisa mover sua nave pelo tabuleiro para visitar todos os outros sete planetas antes de retornar ao planeta de sua cor.

Os tabuleiros individuais registram as visitas, assim como o aspecto de engine-building, que melhora a capacidade de cartas e cubos de energia. Mais cartas significam mais opções; mais cubos de energia, mais movimentos bônus além do valor de 1 a 4 de cada carta. Além de planetas de madeira robustos, há Estações Espaciais que melhoram esses atributos e concedem habilidades de uso único. Até aí, normal: qual é a reviravolta característica de Knizia?

Provavelmente é possível adivinhar pelo nome: os planetas a visitar se movem. Em órbita. Às vezes para trás. Essa última parte não é muito temática, mas é uma mecânica divertida. O movimento é ativado a cada carta jogada: o movimento orbital é um dos três elementos, junto com o valor de movimento da nave e um bônus. Um ou dois planetas se movem a cada vez, embora algumas cartas movam todos os oito. Os bônus reabastecem energia, e algumas cartas permitem reverter a direção de um planeta.

O movimento dos planetas é o principal ponto de interação. Pouco se pode fazer quando outros jogadores melhoram suas naves ou usam portais de hiperespaço, mas é possível usar uma carta coringa para afastar um planeta de alguém se atrasá-lo for mais benéfico, especialmente se esse jogador estiver prestes a voltar para casa. Como um jogador que prefere evitar confronto, essa interação negativa me afastou de apoiar o financiamento coletivo, mas, após jogar várias vezes, acredito que a jogabilidade seria inferior sem ela.

ORBIT lembra Elfenland (AMIGO), vencedor do Spiel des Jahres de 1998 de Alan Moon, famoso por Ticket To Ride. Quem escreve teve Elfenland, mas nunca gostou e passou adiante. ORBIT usa o mesmo Problema do Caixeiro Viajante como núcleo, mas é mais acessível e divertido. Talvez sejam os 27 anos de evolução do hobby ou o design de Knizia, mas a comparação é justa.

Há variantes no manual de regras claro de ORBIT, como para dois jogadores, o verso do tabuleiro com órbitas divergentes e um oitavo objetivo estático que traz alívio fixo. Uma irritação foi a descrição detalhada de como jogar com a expansão, que não vem inclusa e precisa ser comprada separadamente. Regras, mas sem peças – é o que se ganha por não ter apoiado o Kickstarter.

No geral, ORBIT é um jogo de corrida agradável com percurso em constante mudança, boa apresentação, regras claras e jogabilidade refinada que permite jogadas inteligentes – em sua maioria táticas, com alguma estratégia sobre marcar caixas ou fazer melhorias. Ele é listado como jogo “Família”, o que é justo, mas é preciso cuidado com jogadores que ficam emburrados quando seu planeta-alvo é surrupiado, especialmente em turnos consecutivos em jogos com vários participantes. Os novos designs de Knizia ainda são, por vezes, de outro mundo.







