Após o cadastro, é necessário providenciar um suporte de cabeça e ter um dos smartphones exigidos. Normalmente, trata-se de celulares “avançados”, como iPhone 12 ou superior, Galaxy S21 ou superior, ou aparelhos da linha Pixel, do Google. A gravação costuma ser feita por um aplicativo chamado Minute, no qual a pessoa informa a qual plataforma o vídeo se destina. A exigência desses aparelhos mais sofisticados está ligada aos sensores; não apenas a imagem é capturada, mas também detalhes de profundidade do vídeo, por exemplo.
E como funciona a gravação? Antes de executar a atividade doméstica, é necessário informar no aplicativo de gravação o que será feito (por exemplo: limpar banheiro) e colocar o celular no suporte de cabeça; ao concluir a tarefa, a pessoa retira o aparelho do suporte e encerra a gravação. Entre as tarefas possíveis estão, por exemplo, guardar compras, arrumar a cama, tirar o lixo do saco e trocar o saco, limpar o banheiro, varrer o chão, receber entrega na portaria, guardar brinquedos etc.
Com a gravação concluída, o arquivo de vídeo é enviado diretamente aos servidores da plataforma. Conforme os trabalhadores desse setor, na maioria das vezes os vídeos são aceitos. As exceções ficam por conta de rostos de pessoas, documentos ou iluminação ruim. Após o upload do arquivo, é informado o tempo contabilizado. Os pagamentos acontecem em frequências variadas, mas o mais comum é via Pix, semanalmente.
Isso é novo?
O uso de gravações de tarefas domésticas no treinamento de sistemas de IA não é recente. “É muito comum na Índia, Vietnã, Malásia e Estados Unidos, e em meados de julho deste ano começaram a surgir várias intermediadoras no Brasil”, diz Matheus Viana, coordenador do Latraps (Laboratório de Trabalho e Plataformização e Saúde) e professor da UEM (Universidade Estadual de Maringá).







