David Wise discute legado das trilhas de videogames e Donkey Kong

David Wise, o renomado compositor responsável pelas trilhas sonoras da série Donkey Kong Country, marcou presença nos dias 1 e 2 de maio da gamescom latam 2026. Durante o evento, ele participou de apresentações, sessões de meet & greet e painéis dedicados à sua trajetória. O IGN Brasil teve a oportunidade de conversar com o artista, que refletiu sobre seu legado na Nintendo, a influência de suas composições no universo dos videogames e a duradoura popularidade de Donkey Kong.

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“É extremamente gratificante perceber que algo que criei há 30 anos ainda é ouvido e apreciado pelas pessoas”, comentou Wise a respeito da longevidade de suas trilhas para a série Country, com destaque especial para a faixa “Aquatic Ambience”, da memorável fase aquática do jogo.

O ressurgimento dos jogos da década de 1990 é um fenômeno notável nas redes sociais, evidenciando como o legado de Wise permanece vivo, mesmo que através de áudios virais. Paralelamente, artistas como Childish Gambino (pseudônimo de Donald Glover) samplearam suas faixas para criar novas músicas. A própria Nintendo também reutiliza partes do trabalho do compositor em trilhas de novos títulos, como exemplificado pela faixa “New Donk City” em Bananza.

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“Se eles não tivessem usado, eu teria me sentido muito pior”, disse Wise, rindo, ao falar sobre o prestígio dentro da empresa. “É maravilhoso que as faixas tenham causado um impacto nas pessoas e que elas optem por utilizá-las. Estou muito satisfeito com isso.”

Não surpreende que a Pitchfork, um dos sites de crítica musical mais respeitados da internet, tenha classificado Wise como “o compositor mais ambicioso da Rare” (a desenvolvedora dos jogos).

“Sempre me esforcei para que a trilha sonora soasse como os sintetizadores que eu usava quando trabalhava na loja de música. Alguns equipamentos, especialmente no Super NES, e até no N64 e no Gamecube, eram bastante limitados quanto aos sons que se podia produzir. Tentei ultrapassar os limites do hardware. Então, suponho que sim, eu era bastante ambicioso ao tentar fazê-lo render mais do que deveria”, disse Wise, um pouco envergonhado com o elogio do site.

“Na verdade, eu não escolhi trabalhar com trilha sonora; meio que ela veio até mim”

Compositor desde os primórdios dos videogames, Wise entrou para a Rare na década de 1980. No entanto, o artista jamais imaginou que trabalharia nesse universo, já que era apenas um vendedor em uma loja de instrumentos musicais em Leicester, no Reino Unido.

“Dois homens entraram e queriam comprar alguns equipamentos. Eram Chris e Tim Stamper, e eles tinham uma empresa chamada Rare, mas eu não sabia disso na época. Tim era o músico e entrou querendo adquirir alguns equipamentos.”

Wise conta que estava demonstrando os aparelhos, tocando covers de bandas da época, como Duran Duran e Go West. Porém, após um tempo, seu repertório de canções se esgotou, levando-o a tocar músicas de sua própria autoria. “Fiquei muito constrangido com isso”, recordou.

“No entanto, eles pareceram gostar e me ofereceram um emprego.”

Com mais de quatro décadas de carreira, Wise acompanhou de perto a evolução dos games e consoles, especialmente no que se refere ao hardware e à capacidade de armazenar músicas cada vez mais complexas.

“Quando [os cartuchos] tinham apenas oito canais, precisávamos inserir uma melodia, pois essa era a melhor forma de representar o jogo naquele momento. Hoje, com tanta tecnologia disponível, é possível ter uma faixa de ambiente, mas muitos dos temas simplesmente não estão mais presentes”, discutiu o compositor.

Wise então observa que, apesar do avanço tecnológico em diversas áreas, empresas e compositores contemporâneos, especialmente, acabam negligenciando elementos mais simples.

“Se você observar os filmes e jogos da Marvel, eles parecem carecer de um tema principal forte, o que é uma pena. Fui apresentado a compositores como John Williams, que sempre criavam um tema principal grandioso e marcante. Olhe para Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, Star Wars ou mesmo Tubarão. Todos possuem esses grandes temas principais que ficam gravados na mente das pessoas.”

O compositor explica que isso se deve a um motif, uma unidade musical reconhecível que pode se repetir ao longo de uma faixa. Como Wise exemplificou, é praticamente o “Dan Dan” de Tubarão. Com notas simples e repetitivas, ela cria uma sensação de urgência e atenção. No caso do filme de Steven Spielberg, a trilha composta por John Williams é quase sempre associada ao tubarão, em grande parte devido à popularidade do longa-metragem e também da música, que já transcendeu as barreiras do cinema.

“Não vemos isso com tanta frequência hoje em dia. Apesar da qualidade sonora ser superior com o uso de orquestras e outros recursos, essas composições provavelmente não são tão memoráveis, justamente porque a tecnologia evoluiu muito”, apontou.

Por essa razão, Wise sugere que artistas interessados em trilhas sonoras, seja para jogos ou não, precisam ter um repertório vasto.

“É fundamental ter um grande repertório de estilos para utilizar, além de muita experiência compondo música: clássica, de terror, música alegre”, explicou, revelando que atualmente ouve muito rock, trilhas de filmes e música clássica. Para ele, “desde que seja bom, eu vou ouvir”.

No universo dos games, o compositor admite que às vezes não tem muito tempo para jogar enquanto está trabalhando.

“Quando eu tiver tempo, o que provavelmente será daqui a dez anos”, disse, rindo. “Pretendo voltar e jogar todos os videogames que sempre quis jogar.”

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