A cantora colombiana Shakira, possui uma característica que a protege do declínio cognitivo, condição mais frequente com o avançar da idade. Ela é poliglota.
É amplamente conhecido que a artista, dona de uma carreira repleta de hits, domina ao menos seis idiomas. Além do espanhol, sua língua materna, ela adquiriu fluência em inglês, catalão, francês e italiano. Também tem noções de árabe, devido às suas raízes libanesas, e se comunica em português, graças às inúmeras turnês realizadas no Brasil.
Essa aptidão de se expressar em mais de uma língua (ou até três) oferece efeitos protetores para a saúde do cérebro. Está relacionada a um risco reduzido de desenvolver comprometimento cognitivo leve e demência, condições que deterioram de maneira progressiva funções como memória, raciocínio e habilidades de planejamento.
A comunidade científica endossa essa descoberta. Uma pesquisa robusta, publicada no periódico Nature Aging, analisou dados de 86 mil indivíduos com idades entre 51 e 91 anos, provenientes de 27 países europeus. A conclusão foi que ser fluente em mais de um idioma pode desacelerar o envelhecimento cerebral, ajudando a evitar prejuízos cognitivos.
Outro estudo, bastante relevante, dividiu uma comunidade urbana na Índia, composta por 1.234 pessoas, em dois grupos: os que falavam apenas um idioma e os bilíngues. Os pesquisadores realizaram visitas domiciliares para entrevistar os participantes e coletar seus históricos de saúde.
Após essa distinção, o resultado foi evidente: aqueles que dominavam duas línguas apresentavam maior proteção contra o comprometimento cognitivo e a demência em comparação ao grupo monolíngue. O artigo, divulgado no jornal da Associação do Alzheimer, reforça que o bilinguismo atua como um fator de defesa contra a deterioração das capacidades mentais.
“Aprender mais de um idioma está associado à formação intensificada de conexões entre os neurônios, o que pode postergar o surgimento do Alzheimer e de seus sintomas”, explica a geriatra Mariana Bellaguarda Sepulvida, coordenadora do Serviço de Geriatria do Hospital São Luiz/Rede D’Or de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Trata-se de uma das atividades intelectuais que, ao longo da vida, mobilizam as células nervosas e contribuem para a construção da chamada reserva cognitiva. Essa reserva protege o cérebro contra doenças que comprometem a memória, a orientação temporal e espacial e, consequentemente, a independência.
Embora seja mais fácil assimilar um novo idioma durante a infância ou a juventude, nunca é tarde para se inscrever em um curso de línguas e se beneficiar desse “efeito colateral”. Além de facilitar a comunicação em viagens pelo mundo, o cérebro ganhará mais um recurso para evitar uma “aposentadoria” precoce.
Shakira já está à frente nesse aspecto.







