Durante a Semana Nacional de Conscientização sobre os Cuidados com as Gestantes e as Mães, que se encerrou em 15 de agosto, entender a relevância do pré-natal é parte essencial dos cuidados que envolvem a gravidez, o parto e o puerpério. Criada pela Lei nº 15.221, de 29 de setembro de 2025, a campanha busca divulgar direitos e cuidados ligados à saúde de gestantes, mães e bebês, com destaque para os primeiros mil dias — intervalo que vai da gestação até o final do segundo ano de vida da criança.
O pré-natal precisa ser iniciado o mais rápido possível, de preferência até a 12ª semana de gestação. O acompanhamento possibilita detectar alterações precocemente, acompanhar o crescimento e o desenvolvimento fetal e oferecer orientações sobre a saúde da futura mãe. No Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado é gratuito e acontece principalmente na Atenção Primária à Saúde, pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e pelas equipes que atendem na região onde a mulher reside.
Caderneta auxilia o acompanhamento da gestação
A versão de 2026 da Caderneta Brasileira da Gestante contém informações e campos para anotar consultas, resultados de exames, pressão arterial, calendário de vacinas, condições de saúde bucal e dados sobre o parto e o pós-parto. A Caderneta deve acompanhar a gestante nas consultas, nos exames, nos atendimentos de urgência, no momento do parto e nos cuidados do puerpério.
O Ministério da Saúde orienta a realização de, no mínimo, sete consultas de pré-natal, alternadas entre médicos e enfermeiros, além de pelo menos uma consulta com dentista. Até a 28ª semana, os atendimentos são mensais. Entre a 28ª e a 36ª semana, passam a ser quinzenais e, a partir da 36ª, semanais.
A Caderneta reforça que não há alta do pré-natal: o acompanhamento deve ser contínuo até o parto e durante o puerpério (período posterior ao nascimento). Depois que o bebê nasce, são indicadas ao menos duas consultas, sendo a primeira na semana seguinte à alta da maternidade e a segunda por volta de 30 dias após o parto.
Exames auxiliam na identificação de alterações
Nas consultas, a equipe mede a pressão arterial, confere o peso da gestante e outras medidas necessárias, acompanha o desenvolvimento do bebê, solicita e analisa exames, verifica as vacinas e orienta sobre o uso de vitaminas, ferro e outros medicamentos, quando indicado. Também deve informar qual é a maternidade ou o Centro de Parto Normal de referência e tirar dúvidas sobre o parto, o puerpério, a amamentação e o planejamento reprodutivo. Os exames do pré-natal conseguem detectar condições que merecem atenção, como hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e infecção urinária. Algumas situações de saúde, como doenças preexistentes, complicações em gestações anteriores, gestação múltipla ou uso contínuo de medicamentos, podem demandar acompanhamento mais frequente ou encaminhamento para o pré-natal de alto risco. Situações de violência, insegurança alimentar, sofrimento emocional intenso, situação de rua e dificuldade de acesso aos serviços também precisam ser consideradas pela equipe durante o acompanhamento.
Sinais de alerta pedem atendimento imediato
A gestante precisa buscar atendimento imediato se a pressão estiver mais alta que o normal ou acima de 140 por 90 mmHg, em caso de sangramento vaginal, dor abdominal forte ou persistente, febre a partir de 37,8 °C, dor de cabeça intensa, mudanças na visão, falta de ar, dor no peito, convulsão ou desmaio.
Também é essencial procurar ajuda se houver redução ou ausência dos movimentos do bebê, principalmente se ele permanecer mais de quatro horas sem se mexer depois da 20ª semana. A recomendação é buscar a UBS, a maternidade de referência ou um serviço de urgência. Caso seja preciso, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser chamado pelo telefone 192.
Manter a Caderneta da Gestante em dia e levá-la aos serviços de saúde ajuda a garantir a continuidade do cuidado durante a gestação, o parto e o pós-parto.






