A popularidade das chamadas canetas para emagrecer tem intensificado o debate sobre os efeitos dos agonistas do GLP-1. Desenvolvidos originalmente para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, esses medicamentos também começaram a ser usados fora das indicações médicas aprovadas.
Nesse cenário, clínicos têm relatado casos de uma drástica diminuição do desejo por comida. O fenômeno vem sendo chamado informalmente de “agonorexia”, um termo que não consta nos manuais de diagnóstico oficiais.
Esse estado se caracteriza por uma severa supressão do apetite, que pode levar a uma queda considerável na ingestão de alimentos. Entre os possíveis riscos, especialistas apontam perda significativa de massa muscular, deficiências nutricionais, fadiga constante, redução da imunidade e alterações no metabolismo.
A rápida perda de peso, nessas condições, pode estar associada a uma absorção inadequada de calorias e nutrientes. A restrição alimentar prolongada aumenta o risco de desnutrição e comprometimento das funções do organismo.
Mecanismo de ação e recomendações
Os agonistas de GLP-1 atuam em áreas do cérebro que regulam a fome e a saciedade, além de retardarem o esvaziamento gástrico. De acordo com a endocrinologista Marina Karam, essas substâncias influenciam precisamente essas regiões cerebrais ligadas ao controle do apetite.
A médica acrescenta que os remédios também podem afetar o circuito de recompensa do cérebro. Ela explica que eles reduzem a tendência a consumir álcool e até a fumar, devido à sua ação nesse sistema. Os profissionais recomendam que o uso sempre seja feito com prescrição e acompanhamento médico durante todo o tratamento.






