Aprovados no vestibular mudam de ideia e escolhem novo caminho

Aprovados no vestibular repensam suas escolhas e seguem novos caminhos

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Mesmo depois de aterrissarem, eles ainda mudaram de direção. Em 14 de agosto, Tuyet Thanh, moradora da comuna de Ba Diem, na cidade de Ho Chi Minh, divulgou que tinha sido aceita no curso de Contabilidade, sua terceira opção, em uma universidade local. Contudo, após verificar as notas de corte, ela decidiu não se matricular e optou por cursar Tecnologia Eletrônica e de Comunicação em uma faculdade.

Thanh relatou que essa escolha a deixou em uma situação complicada, pois sua família ainda esperava que ela ingressasse na universidade, obtivesse um emprego estável no futuro e pudesse atuar perto de casa.

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“Sou uma pessoa extrovertida. Os conselhos da minha família são bons, porém, se eu cursar algo de que não gosto, a probabilidade de desistir no meio do caminho é alta. A faculdade é mais viável financeiramente, então tenho mais autonomia sobre as minhas escolhas”, contou Thanh.

Na visão de Thanh, a questão não se limita ao valor que precisa ser pago a cada semestre. Sua maior preocupação é a perspectiva de dedicar vários anos a uma área pela qual não sente interesse.

Le Ngoc Luan, natural de Dak Lak, vivenciou uma situação distinta.

Luan chegou a cursar Engenharia Civil na Universidade de Recursos Hídricos. Pouco tempo depois, precisou suspender temporariamente o curso ao notar que aquela área não o atraía. Quando as universidades anunciaram os resultados dos exames de admissão deste ano, ele se matriculou em Música Vocal em uma faculdade na cidade de Ho Chi Minh.

Um dos jovens mudou de trajetória antes mesmo de ingressar na universidade; o outro optou por um curso diferente depois de já estar matriculado. O ponto em comum entre eles é a recusa em manter uma escolha que julgavam inadequada.

Por trás da decisão de não se matricular

De acordo com Pham Thai Son, diretor do Centro de Admissões e Comunicações da Universidade de Indústria e Comércio da Cidade de Ho Chi Minh, cerca de 10% dos candidatos aprovados não confirmam matrícula na instituição anualmente.

As razões para essa desistência são variadas. Conforme Son, parte dos estudantes repensou a decisão ao perceber que as mensalidades e os custos associados superavam a capacidade financeira de suas famílias.

Todavia, não seria correto deduzir que todos os aprovados que não se matriculam estejam simplesmente migrando para um curso técnico ou profissionalizante. Há quem prefira outra instituição, quem resolva pausar os estudos e quem decida mudar de área depois de reavaliar a profissão inicialmente escolhida.

Em diversas escolas profissionalizantes de Ho Chi Minh, cresceu o número de candidatos que procuraram informações e enviaram inscrições depois que as universidades liberaram as notas de corte.

Hoang Van Viet, chefe do Departamento de Admissões, Treinamento e Cooperação Internacional da Faculdade Ly Tu Trong, em Ho Chi Minh, informou que, em meados de agosto, vários cursos de engenharia da instituição já tinham preenchido suas vagas. De acordo com ele, a política de subsídio das mensalidades em alguns cursos também contribui para atrair os novos estudantes.

Na Faculdade Politécnica de Saigon, Nguyen Thi Mong Lanh, diretora do Centro de Admissões e Comunicações, destacou que alguns candidatos alcançaram notas suficientes para entrar na universidade, porém acabaram reavaliando sua condição financeira ou descobriram que o curso pretendido não combinava com suas aptidões.

Parte dos estudantes escolhe faculdades comunitárias com o objetivo de encurtar a formação, diminuir os gastos e ingressar no mercado de trabalho mais rapidamente.

Essas situações mostram que, depois de conhecerem os resultados do vestibular, nem todo candidato mantém a decisão tomada inicialmente.

As mensalidades também pesam na decisão

Para muitas famílias, a escolha da instituição não se baseia somente nas notas de corte. Mensalidades, aluguel, locomoção, moradia e demais despesas durante o ano letivo entram igualmente na conta.

No caso de estudar em uma universidade de outra cidade, o montante que a família precisará desembolsar por mês pode ser bem superior ao valor da mensalidade descrito no boleto.

Sendo assim, para famílias com orçamento restrito, optar por uma faculdade ou escola profissionalizante pode ser uma alternativa mais viável.

Tran Anh Tuan, vice-presidente da Associação de Educação Profissional da Cidade de Ho Chi Minh, ressalta a importância de o estudante identificar uma ocupação que esteja alinhada às suas habilidades e metas, sem ignorar a realidade financeira de sua família.

Na avaliação de Tuan, quando o jovem não está pronto para uma graduação longa ou dispõe de poucos recursos, ingressar em uma faculdade para começar a trabalhar antes é um caminho viável e digno de consideração.

Ele ponderou ainda que os estudantes precisam adquirir as habilidades exigidas pelo mercado contemporâneo, entre elas autodidatismo, relacionamento interpessoal e domínio de tecnologia.

Mudar de rota também exige planejamento

A mudança da universidade para uma faculdade ou escola profissionalizante não deve ser encarada apenas como a opção mais simples ou barata.

Um curso mais rápido, mas incompatível com o perfil do aluno, ainda assim pode significar perda de tempo e dinheiro. Em contrapartida, escolher a profissão adequada pode encurtar a capacitação e possibilitar que o jovem comece a trabalhar mais cedo, ampliando as chances de obter experiência.

Diante disso, antes de alterar a decisão, é essencial que o candidato investigue a fundo a grade curricular, as exigências do cargo, as perspectivas de recolocação, os salários praticados e a chance de prosseguir nos estudos.

Em especial, não se deve optar por uma área simplesmente por ser tendência ou por ter mensalidade reduzida.

Para quem já foi admitido na universidade, abrir mão da vaga demanda atenção redobrada. Agir por impulso pode levar o estudante a desperdiçar tempo e a precisar recomeçar do início.

Quando o diploma universitário deixa de ser o único caminho

Para a maioria das famílias, a entrada na universidade ainda é um momento de celebração. Para alguns jovens, contudo, a carta de aprovação representa apenas uma possibilidade entre diversas direções a tomar depois do ensino médio.

A trajetória de Tuyet Thanh evidencia que há quem esteja disposto a abrir mão de uma vaga conquistada para buscar algo mais adequado. Já a experiência de Le Ngoc Luan revela que reconhecer a escolha errada após o ingresso também pode levar um jovem a recomeçar.

Essas decisões não significam que a universidade perdeu a importância. Ela permanece como uma via indispensável para diversas carreiras e para muitos alunos. No entanto, para funções que demandam competências práticas ou para quem pretende iniciar a vida profissional antes, as faculdades e os cursos profissionalizantes também surgem como alternativas legítimas.

É fundamental que os jovens compreendam o que estão selecionando e os motivos por trás dessa escolha.

Depois de 12 anos de estudos, ser aprovado na universidade é um motivo de orgulho. Porém, se a área escolhida não for apropriada, insistir apenas pelo fato de ter sido aprovado pode, em alguns casos, resultar em tempo perdido.

Para Tuyet Thanh, a mudança de rota aconteceu antes do início das aulas. Para Le Ngoc Luan, a decisão veio depois de uma vivência que mostrou que ele seguia na direção equivocada.

Talvez não trilhem o percurso convencional que muitas famílias esperam. Mas ao menos estão buscando um caminho que faça mais sentido para suas próprias vidas.

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