As propostas apresentadas pelos seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais para garantir a soberania do Brasil vão do investimento estatal em inteligência artificial à criação de moedas regionais e à saída diplomática do BRICS. Cada presidenciável apresentou um caminho próprio para reduzir vulnerabilidades e ampliar a autonomia nacional.
A seguir, as principais medidas sobre o tema defendidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Lula
O programa de Lula trata a soberania nacional como princípio permanente, expresso na capacidade de autodeterminação em áreas como defesa, tecnologia, energia, recursos minerais, saúde, alimentação e política externa.
Na defesa, a proposta prevê investimentos na Base Industrial e Tecnológica de Defesa para ampliar a produção brasileira de equipamentos militares e diminuir a necessidade de importação tecnológica.
A candidatura também planeja reforçar a vigilância das fronteiras, da Amazônia Legal e da Amazônia Azul, além de expandir a atuação da Inteligência de Estado.
Em relação à soberania digital, o plano sugere a criação de uma infraestrutura computacional nacional, com supercomputadores mantidos por instituições públicas, e o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial adaptados às necessidades brasileiras. Também estão previstos um Conselho Nacional pela Soberania Digital e o fortalecimento da defesa cibernética.
Na economia, Lula defende reduzir a dependência externa de fertilizantes, medicamentos e insumos estratégicos. O programa ainda prevê uma política para minerais críticos e terras raras, incentivando o processamento e a agregação de valor no país.
No cenário internacional, a chapa rejeita alinhamentos automáticos com potências e prioriza o multilateralismo, a autodeterminação dos povos e a integração sul-americana. O texto também indica uma articulação maior com o BRICS.
Flávio Bolsonaro
O plano de Flávio defende que o Brasil negocie com grandes mercados, como China, Estados Unidos, União Europeia e nações asiáticas, sem levar em conta a orientação política dos governos.
Está prevista a reaproximação com parceiros tradicionais, como Estados Unidos, Argentina e Israel, além da abertura de novos mercados para produtos brasileiros e da atração de investimentos.
O programa também pede mais transparência sobre organizações não governamentais que recebem verba internacional e atuam em questões territoriais.
No campo estratégico, Flávio quer reduzir as dependências externas em cadeias de suprimentos e tecnologia. Para a defesa, a proposta prevê modernizar as Forças Armadas e usar mais tecnologias como drones e inteligência artificial.
Augusto Cury
Cury concentra suas propostas de soberania nas áreas tecnológica, digital, territorial e diplomática. O candidato afirma que o Brasil precisa deixar de ser apenas consumidor de tecnologia e ampliar a capacidade de produção nacional.
Entre as prioridades está atrair investimentos para fabricar semicondutores, chips e componentes eletrônicos.
A inteligência artificial é tratada como infraestrutura estratégica de Estado, com previsão de um marco legal para o setor e políticas de incentivo à pesquisa. O objetivo é assegurar autonomia tecnológica e competitividade internacional.
Na área digital, a candidatura sugere reforçar a segurança cibernética e a proteção de dados estratégicos, reduzindo a dependência estrangeira em segmentos críticos.
Conforme o plano, a política externa deve priorizar os interesses nacionais em comércio, energia, tecnologia e recursos naturais. A proposta é adotar postura firme, mas com abertura ao diálogo.
Ronaldo Caiado
Caiado apresenta a soberania como política de Estado ligada à defesa do território, à proteção das fronteiras e à autonomia tecnológica.
O programa prevê atualizar a Estratégia Nacional de Defesa, com atenção para a Amazônia, o Atlântico Sul, o ciberespaço, as fronteiras e as infraestruturas críticas.
O candidato também propõe ampliar a defesa cibernética e usar investimentos em ciência, tecnologia e indústria para produzir no Brasil equipamentos de uso militar e civil, reduzindo a dependência de tecnologias estrangeiras.
Na política externa, Caiado defende autonomia sem isolamento e sem neutralidade. A estratégia seria diversificar mercados, parceiros, tecnologias e fontes de financiamento para evitar excesso de dependência de um único país.
Renan Santos
O programa de Renan Santos aponta vulnerabilidades nas áreas territorial, industrial, militar, tecnológica, monetária e de recursos estratégicos.
Além dos planos para a segurança pública, a proposta inclui criar uma Zona Econômica Especial para verticalizar a cadeia produtiva, indo da extração e do refino à fabricação de produtos de alta tecnologia, como ímãs e semicondutores.
A candidatura também define a meta de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O plano prevê ampliar a produção nacional de fosfato, potássio e nitrogênio e determina que, a partir de 2035, nenhuma colheita brasileira dependa de fertilizantes vindos de fora.
Na área militar, Renan quer que o Brasil alcance autonomia completa no ciclo do combustível nuclear, incluindo capacidade industrial de reprocessamento, além do fortalecimento da indústria nacional de defesa e da ciberdefesa.
O programa defende a criação de uma cesta de moedas sul-americanas liderada pelo real para reduzir a dependência do dólar nas transações regionais.
Romeu Zema
Zema propõe uma diplomacia pragmática e soberana, em que as relações internacionais sirvam aos interesses econômicos, tecnológicos e comerciais brasileiros. A candidatura recusa alinhamentos baseados exclusivamente em afinidades ideológicas.
Uma das propostas mais emblemáticas é a retirada diplomática do Brasil do BRICS, mantendo apenas as relações comerciais com os países do bloco. A medida viria acompanhada da defesa da independência brasileira para atuar como mediador em conflitos, sobretudo na América do Sul.







