O Partido dos Trabalhadores aprovou, durante seu 8º Congresso Nacional, realizado na última sexta-feira, o documento “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”. A plataforma política traça as diretrizes para as eleições de 2026, com ênfase na defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na elaboração de um novo projeto de desenvolvimento nacional. O texto argumenta que o Brasil se encontra em um cenário de instabilidade global, crise do capitalismo neoliberal, crescimento da extrema direita, tensões geopolíticas e necessidade de reformas estruturais. Como resposta, propõe o reforço do Estado, a soberania nacional, a ampliação dos direitos sociais, a transição ecológica e uma reorganização interna da legenda.
O manifesto aprovado pelo PT elege as eleições de 2026 como o eixo central da estratégia política partidária. A sigla sustenta que a reeleição de Lula seria determinante não apenas para o país, mas também para o equilíbrio de forças na América Latina e no contexto internacional.
O documento parte de uma análise crítica do cenário mundial. Para o PT, o capitalismo neoliberal enfrenta uma crise estrutural, caracterizada por desigualdade, concentração de riquezas, precarização do trabalho, fragilização das democracias liberais e aumento do poder das grandes corporações de tecnologia.
Na visão do partido, a ordem internacional também está em transição. O texto aponta o declínio relativo da hegemonia dos Estados Unidos, a emergência de novos polos de poder, a expansão dos BRICS e a urgência de fortalecer o multilateralismo como elementos-chave da disputa geopolítica atual.
Sete reformas estruturais como base programática
O manifesto organiza o projeto político do PT em torno de sete reformas estruturais. Segundo a legenda, elas são essenciais para sustentar um novo ciclo de desenvolvimento e superar entraves históricos do Estado brasileiro.
As reformas propostas são:
- Reforma política e eleitoral, com revisão do modelo de poder e das emendas parlamentares;
- Reforma tributária, direcionada à justiça fiscal e à redução da concentração de renda;
- Reforma tecnológica, focada na soberania digital e na regulação das plataformas;
- Reforma do Poder Judiciário, com mecanismos de democratização e autocorreção;
- Reforma administrativa, para reconstruir a capacidade do Estado;
- Reforma agrária, vinculada à soberania alimentar;
- Reforma da comunicação, com combate aos monopólios no setor.
Essas propostas se articulam em três eixos: fortalecimento do Estado como motor do desenvolvimento, crescimento econômico com distribuição de renda e transição produtiva, tecnológica e ambiental com foco na soberania nacional.
Educação integral, creches e fim da escala 6×1 no centro da agenda
O PT também defende a universalização da escola em tempo integral, a expansão do acesso a creches, a alfabetização na infância e o aumento dos investimentos em infraestrutura de educação e saúde.
Na esfera trabalhista, o manifesto incorpora a defesa do fim imediato da escala 6×1, relacionando a redução da jornada de trabalho ao direito ao descanso, à convivência familiar, ao estudo e à vida fora do ambiente profissional.
A legenda sustenta que a soberania nacional no século XXI não se limita a fronteiras e território, mas abrange também capacidade industrial, autonomia tecnológica, soberania alimentar, energética, ambiental, digital e comunicativa.
PT exalta gestão Lula e critica governo Bolsonaro
O documento afirma que o governo Lula retomou políticas públicas como Minha Casa Minha Vida, PAC, Farmácia Popular, Bolsa Família, Pé de Meia, Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica.
O manifesto também relaciona a gestão anterior, de Jair Bolsonaro, a desmonte institucional, agravamento social, negacionismo na pandemia e retorno da fome. Em contraponto, apresenta Lula como uma liderança capaz de enfrentar crises, citando enchentes no Rio Grande do Sul, queimadas, deslizamentos, tensões comerciais e instabilidade internacional.
Entre os dados destacados pelo PT estão o crescimento médio de 2,8% no mandato atual, a valorização real do salário mínimo, a redução da pobreza e da extrema pobreza, a inflação controlada, o aumento de recursos para educação e saúde, a expansão da educação integral e recordes em safra agrícola, turismo e balança comercial.
BRICS, América Latina e multilateralismo em destaque
Além do manifesto, o 8º Congresso Nacional do PT debateu a crise do multilateralismo e a reorganização da ordem global. O partido defendeu o fortalecimento dos BRICS, a integração da América Latina e a reforma das instituições internacionais.
O senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do PT, destacou os BRICS como um ator político relevante, com peso populacional e econômico crescente. O debate também abordou o uso de moedas locais, a criação de um banco internacional de desenvolvimento e a busca por maior autonomia do Sul Global.
Participantes do seminário defenderam uma ordem global baseada em regras, criticaram políticas unilaterais e ressaltaram o papel do Brasil na diplomacia, na mediação de conflitos e na promoção de uma cultura de paz.
Reorganização interna inclui transição geracional e paridade de gênero
O manifesto também aborda a estrutura interna do Partido dos Trabalhadores. A legenda defende o fortalecimento dos diretórios, núcleos de base, secretarias e setoriais.
Entre as medidas internas, o partido propõe limitar mandatos em suas instâncias, estimular a transição geracional e garantir um mínimo de 50% de mulheres nos espaços de deliberação.
O texto ainda reafirma o compromisso do PT com o socialismo democrático, a igualdade de direitos, o combate à discriminação e a construção de um projeto nacional baseado em democracia, justiça social e soberania.







