Resenha: um encontro com Holly

A persistente Holly está no celular, arrastando todos para a direita, disposta a conhecer quantos homens forem necessários até encontrar sua alma gêmea. A vida nos aplicativos, porém, não é nada fácil e, para piorar, a família dela decidiu que ela precisa passar o Natal em sua cidade — onde, exatamente na mesma época do ano anterior, Holly levou o notório pé na bunda. Ela concorda em ir para a casa dos pais, mas precisa desesperadamente arrumar um boy para chegar a Birch Lake mostrando a todos que deu a volta por cima.
Kai Kane é um empresário rabugento. Ele e Holly se conheceram em circunstâncias não muito agradáveis e se detestaram. Mas, por serem vizinhos e por Kai ser um dos donos do restaurante do momento — por coincidência, onde a escritora marca de se encontrar com todos os seus pretendentes —, ele resolve ajudá-la a pelo menos conseguir um convite para um segundo encontro e sumir da vista dele com todos aqueles homens deprimentes de uma vez por todas.
Kai acaba se revelando um excelente coach de relacionamento — apesar de sua vida amorosa ser um fracasso. O problema é que, conforme suas dicas de paquera vão funcionando, ele se mostra cada vez mais arrependido de ter embarcado naquele plano.
Porém, depois de mais uma decepção amorosa e desesperada por ainda não ter companhia para as festas de fim de ano, Holly percebe que a única solução é tirar da cartola um namorado fake. E Kai não pensa duas vezes em aceitar interpretar esse papel durante alguns dias. Holly só não imagina que ela é o presente de Natal com o qual Kai sempre sonhou?

Ficha Técnica: Um encontro com Holly

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Título: Um encontro com Holly
Título original: The Holly Dates
Autor: Brittainy Cherry
Tradução: Adriana Fidalgo
Editora: Record
Número de Páginas: 350
Ano de Publicação: 2023
Skoob: Adicione
Compre: Amazon

Um encontro com Holly marca a primeira comédia romântica de Brittainy Cherry, conhecida por suas obras românticas e de alta carga dramática, assinadas como Brittainy C. Cherry. A experiência com O ar que ele respira havia diminuído o interesse pela leitura da autora, mas o novo estilo de história despertou curiosidade, sobretudo por se passar na época de Natal — afinal, quem não gosta de um romance natalino? Traduzido por Adriana Fidalgo, o livro foi publicado pela editora Record e está atualmente disponível no Kindle Unlimited.

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Holly alcançou sucesso como escritora ao coassinar mais de 50 romances publicados com sua melhor amiga. Há um ano, porém, não consegue escrever mais nada desde que foi abandonada no altar pelo noivo… que a largou para ficar justamente com a melhor amiga em questão. Agora, está determinada a voltar acompanhada para a cidade onde tudo aconteceu, a fim de passar o Natal com a família e mostrar que superou o passado. Ela só precisa, primeiro, encontrar um pretendente.

Em primeira pessoa, a narrativa se alterna entre capítulos de Holly e de Kai, o mocinho da história. Assim como Holly, ele carrega os próprios traumas, que pouco a pouco são descobertos. E, se ela é extrovertida e esperançosa, apesar dos dramas vividos, Kai é fechado e um tanto quanto mal-humorado. Por isso, a relação entre eles inicialmente é a típica cão e gato, repleta de más primeiras impressões e implicâncias mútuas.

Dia desses, acabei parando em um segmento muito esquisito de uma rede social e fiquei assistindo a um homem sem camisa cortar lenha por, tipo, cinco horas seguidas, então ele esmagou uma melancia com as coxas. Por que ele estava esmagando frutas com as coxas? Nem me pergunte. Por que eu estava vendo esse cara esmagar a tal fruta? Bem. Era meio que… impressionante.

página 22

Infelizmente, Um encontro com Holly passou longe de agradar e de convencer. Na primeira metade do livro, as personagens são caracterizadas de forma um tanto quanto estereotipada, sem haver de fato um bom desenvolvimento de cada uma. Mais do que isso, o romance não se sustenta, deixando a impressão de que o único fator que faz com que se apaixonem é a atração física. Kai ultrapassa os limites de “rabugento”, tendo atitudes e falas grosseiras. Mas, pior do que isso, o que mais incomodou foi a maneira paternalista como ele se porta em relação à Holly, como se a personagem — uma mulher adulta — fosse incapaz de ter o mínimo de noção sobre si e dependesse da ajuda dele para entender quem é e o que quer. Aliás, chega um ponto em que Holly depende até mesmo da aprovação dele para decidir o que fazer. Ainda que Holly esteja perdida e pudesse contar com o apoio de Kai em seu processo de amadurecimento, algo muito comum em romances, isso precisava ter sido mais bem trabalhado para não ficar superficial como ficou. Uma comédia romântica pode ser leve e, ainda assim, ter profundidade, ainda mais quando se propõe a abordar traumas delicados como os de Holly e Kai — há muitas extremamente bem-sucedidas nesse quesito. Personagens precisam ser bem delineadas, independentemente do tipo de livro, e não apenas representar papéis esperados dentro de cada gênero.

Sendo justa, a segunda metade do livro traz um aprofundamento maior dos protagonistas, quando ambos começam a criar uma conexão mais forte e se abrem sobre o que viveram. Contudo, esse estágio não se sustenta, já que houve uma falha na construção da relação. Também, a partir daí, boa parte do livro traz uma gama de citações de efeito para causar impacto emocional e proporcionar reflexões. Frases desse tipo são interessantes, mas precisam estar associadas a uma profundidade do livro como um todo, o que não é o caso daqui. Por fim, as personagens secundárias, os conflitos por elas vividos e como esses conflitos afetam o desenvolvimento central igualmente soam caricatos.

Mas eu fiquei, porque ele era a única coisa que confortava meu conturbado coração. Ele estava começando a parecer um lar para mim. Só esperava que aquele lar não ruísse com o tempo.

página 233

Um encontro com Holly tem seus momentos. O humor de Brittainy Cherry fez o livro parecer bastante promissor nas primeiras páginas e provocou risadas, enquanto as reviravoltas surpreenderam por não terem sido previstas. E, para quem gosta de cenas sensuais e apimentadas, a autora entrega um conteúdo satisfatório. Vale dizer que também houve pontos positivos nos apontamentos de Holly sobre a literatura romântica, em especial a erótica, que em geral sofre tantos preconceitos. Porém, nada disso foi suficiente para que o livro tivesse um balanço positivo. Quem procura uma leitura rápida e para se distrair pode gostar, sem se incomodar com os aspectos que, nesta avaliação, foram suficientes para que não houvesse vontade de ler mais nada da autora.

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Redação
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