Erika Blair tem tudo o que poderia desejar: uma carreira bem-sucedida como corretora imobiliária em Nova York e duas filhas lindas. Mas ela é lançada na escuridão mais profunda quando sua filha Kristen morre em um acidente de trem. Erika se sente devastada pela culpa — ela deveria ter levado as filhas à universidade naquele dia e as deixou irem sozinhas porque precisava mostrar mais um imóvel de milhões de dólares a um cliente.
Annie, a filha sobrevivente, enfrenta o luto à sua maneira: está convencida de que houve uma troca de identidades e de que Kristen segue viva. Entre a culpa de Erika e a confusão de Annie, mãe e filha se distanciam, cada uma isolada em seu tormento particular.
Então Erika recebe uma misteriosa mensagem anônima: “Encontre a paz perdida”. É uma frase dos cadernos de pensamentos que ela havia preparado, com todo o amor, para cada uma das filhas, repletos de dizeres sábios da mãe e da avó de Erika. A mensagem seria de Kristen? Ou uma tentativa desesperada de Annie de se reaproximar da mãe?
As mensagens não param de chegar, e as pistas conduzem Erika à ilha de Mackinac, onde viveu uma infância infeliz após a morte da mãe. Revisitar esse passado doloroso é o único caminho para encontrar um modo de se reconectar com Annie.
Erika precisa reunir coragem e encarar os próprios demônios — antes que perca as duas filhas para sempre.
Ficha Técnica: As estrelas esperam no céu
Título: As estrelas esperam no céu
Título original: Quote me
Autor: Lori Nelson Spielman
Tradução: Ana Rodrigues
Editora: Verus
Número de Páginas: 388
Ano de Publicação: 2024
Skoob: Adicione
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As estrelas esperam no céu é o terceiro romance da estadunidense Lori Nelson Spielman. Apesar de somar mais de 30 edições traduzidas em diferentes idiomas, o livro não chegou a ganhar uma edição em inglês, já que foi primeiramente publicado na Alemanha, em 2016. Já em 2024, desembarcou no Brasil pela Verus, casa que também publicou A lista de Brett (2014) e Doce Perdão (2015), ambos com tradução de Ana Rodrigues.
Erika, corretora imobiliária divorciada, trabalhou muito para conquistar o lugar onde está. Mãe de duas universitárias de 19 anos, Annie, adotiva, e Kristen, biológica, ela se desdobra para equilibrar a maternidade e a vida profissional. Depois que um acidente tira tragicamente a vida de Kristen, porém, Erika e Annie são tomadas pelo luto, que igualmente despedaça a relação entre as duas. O afastamento cresce porque Annie acredita que Kristen continua viva e que foi dada como morta por causa de uma troca de identidades. Quando Erika começa a receber mensagens anônimas retiradas de um caderno de pensamentos que ela deu às filhas, ela se pergunta se a filha sobrevivente estaria certa, e parte então em uma viagem que a obriga a encarar seu passado doloroso.
Os capítulos de As estrelas esperam no céu alternam entre a perspectiva de Erika, em primeira pessoa, e a de Annie, em terceira pessoa, escolha fundamental para a construção da história. Ainda que o luto esteja entre os temas centrais do romance, a culpa também ocupa papel de destaque, assolando mãe e filha por motivos distintos. A partir daí se estabelece uma enorme falha de comunicação entre as personagens, que interpretam uma à outra a partir dos próprios medos e angústias, incapazes de enxergar as situações com clareza. Assim, quem lê pode acompanhar o panorama geral da trama, compreendendo os dois lados e se angustiando com a tensão crescente do conflito.
— Por que está inventando uma culpa, minha amiga? Não sabe que o mundo oferece culpa de graça?
página 227
Por isso, As estrelas esperam no céu é um romance voltado sobretudo às emoções das personagens e às bagagens que cada uma carrega. Mesmo que a premissa dê a sensação de certo mistério pairando sobre a trama, este não é um livro estruturado de fato no suspense. Sim, a dúvida sobre a morte de Kristen perdura até o fim, funcionando como um dos fatores que instigam a curiosidade e o virar de páginas; a resposta, contudo, é bastante evidente, justamente porque o foco do livro não é saber se Kristen está ou não viva, e sim o amadurecimento de Erika e Annie.
Lori Nelson Spielman construiu Erika com muita sensibilidade, uma mulher presa a um passado doloroso e dividida entre os tantos papéis que precisa exercer. Acompanhar a trajetória dessa personagem e as reflexões que ela provoca é bastante bonito. Annie, por sua vez, também é cativante, dotada tanto de uma bondade inata quanto de explosões típicas da sua fase adolescente, o que faz jus a alguém em processo de amadurecer.
Às vezes a vida oferece momentos de lucidez tão vividos que é impossível ignorar, momentos em que as situações subitamente se cristalizam, de tal maneira que, quando se toma uma decisão, ela é tomada não por medo, ou por esperança, mas por uma crença inabalável de que aquela é a coisa certa a fazer. Minha avó Louise teria dito que esses momentos nos rodeiam o tempo todo, mas que só escutamos quando nossos corações e mentes estão abertos para recebê-los.
página 317
Vale dizer, também, que o livro traz como pano de fundo cenários variados, passando por cidades dos EUA e da França, o que torna a leitura mais atraente pela ambientação envolvente e, até mesmo, idílica. Outro ponto que agrada é o próprio caderno de pensamentos que Erika entrega às filhas: além das reflexões que as frases proporcionam, o presente é um gesto belíssimo de ligação entre as gerações, uma vez que nem Annie nem Kristen conheceram a avó, morta quando Erika ainda era criança, mas podem se conectar a ela por meio dos pensamentos anotados por Erika.
Como As estrelas esperam no céu é escrito por uma ótica sensível, positiva e, até mesmo, romântica da vida, essa perspectiva prevalece na narrativa, o que também rende um ponto crítico à obra. O livro acaba por ser capacitista ao retratar um personagem com deficiência como exemplo de superação ou mesmo como forma de conforto para Erika, que se compara a ele para se sentir melhor em relação à própria vida. Essa é uma maneira de desumanizar uma PCD, reduzindo a pessoa à sua deficiência.
Em linhas gerais, As estrelas esperam no céu proporciona uma leitura rápida, gostosa e envolvente. É um romance doce, que trata temáticas dolorosas com leveza e provoca reflexões capazes de fazer virar a última página com o coração menos carregado.






