Wandinha Addams é uma das personagens mais vorazes da leitura na ficção. Que tal mergulhar nas referências literárias que aparecem na série?
Você já assistiu à produção Wandinha, estrelada por Jenna Ortega? Este spin-off da icônica e sombria Família Addams ocupa a vice-liderança do Top 10 Global da Netflix. A série foi assistida em mais de 150 milhões de lares, somando 1,02 bilhão de horas de exibição divididas por 6,8 horas de duração.
Desde sua estreia, a série Wandinha, dirigida e produzida por Tim Burton, se consolidou como uma das atrações mais populares da plataforma de streaming. Além de cativar o público de todas as faixas etárias, a produção recebeu indicações em duas categorias no Globo de Ouro 2023: “Melhor Série de Drama ou Comédia”, e Jenna Ortega concorre como “Melhor Atriz”.
Veja o trailer
https://www.youtube.com/watch?v=jC1UClvq9i8
Mistério investigativo e sobrenatural
Wandinha, inspirada pela série clássica A Família Addams, conta a história da jovem gótica, filha mais velha de Morticia e Gomez Addams, e suas vivências como aluna da Escola Nunca Mais. Esta instituição abriga seres sobrenaturais, como psíquicos, sereias, górgonas, lobisomens e vampiros.
Na trama, Wandinha Addams (Jenna Ortega) desvenda uma sequência de assassinatos ligada ao passado de sua família. A narrativa gira em torno de um enigma sobrenatural que aterroriza a cidade e a Escola Nunca Mais.
Criada por Alfred Gough, Miles Millar e Tim Burton, Wandinha conta com um elenco principal que inclui Catherine Zeta-Jones, Luis Guzmán, Isaac Ordonez e Gwendoline Christie.
Referências literárias
Nesse emaranhado de investigação e sobrenatural, a série está repleta de menções a filmes e obras de fantasia, terror e mistério. Entre as alusões literárias, uma das mais marcantes é ao poeta gótico Edgar Allan Poe. O nome da escola de Wandinha, “Nunca Mais” (Nevermore), é uma clara referência ao poema “O Corvo”, de Poe, de 1845.
Na série, Poe é mencionado como um ex-aluno da instituição, que possui uma estátua em sua homenagem. Outras referências ao escritor, um dos maiores expoentes do terror, também estão presentes.
Além de Edgar Allan Poe, a produção inclui menções a obras de Mary Shelley, Agatha Christie, Shakespeare, Robert Louis Stevenson, Maquiavel e Sartre. Essas citações enriquecem o enredo, revelando tanto o repertório da personagem Wandinha — uma leitora ávida e escritora — quanto as influências de Tim Burton, que se inspira na fantasia e no terror.
Que tal conferir os autores mencionados na série e expandir seu horizonte de leitura? A seguir, uma seleção de livros imperdíveis para conhecer ou revisitar.
O corvo, Edgar Allan Poe
“A morte de uma mulher bela é, sem sombra de dúvida, o tema mais poético do mundo.” Foi assim que Edgar Allan Poe justificou a criação de “O Corvo”, poema publicado em 1845. O que torna esses versos hipnotizantes sobre perda e desejo, escritos de maneira tão meticulosa pelo mestre do terror há quase dois séculos, merecedores de tantos elogios e controvérsias? Nesta edição, o leitor encontra as traduções mais notáveis da obra para o português, feitas por Fernando Pessoa e Machado de Assis. Elas são analisadas pelo poeta, tradutor e professor Paulo Henriques Britto, que também traduz três textos fundamentais de Poe (“A filosofia da composição”, “A razão do verso” e “O princípio poético”) e examina sua faceta ensaística.
Frankenstein, Mary Shelley
Frankenstein é um marco do romance gótico, um clássico do romantismo inglês do século XIX. A obra retrata a vida do cientista Victor Frankenstein, obcecado em desvendar os segredos da vida e da morte. Shelley costurou influências diversas para compor sua experiência literária, que vão do livro do Gênesis a Paraíso Perdido, da Grécia Antiga ao Iluminismo. Considerado o primeiro livro de ficção científica, Frankenstein faz sucesso desde seu lançamento em 1818, sendo anterior às obras de Poe, Bram Stoker e H.G. Wells.

O Natal de Poirot, de Agatha Christie
Para muitos, o Natal é uma época de paz e harmonia, em que famílias se reúnem e deixam de lado suas diferenças. Mas Hercule Poirot sabe o quão mal essas confraternizações podem terminar. Acompanhado do coronel Johnson, o detetive belga é convidado a investigar um assassinato ocorrido na mansão de um odioso milionário, na véspera de Natal. Quem seria capaz de um ato tão terrível, arruinando a noite de todos? Cada membro da família tinha motivos próprios para tirar a vida do patriarca. Como Poirot encontrará o verdadeiro culpado nesse covil de lobos?

Hamlet, William Shakespeare
Um jovem príncipe encontra o fantasma de seu pai, que afirma ter sido assassinado pelo próprio irmão, agora casado com sua viúva. O príncipe elabora um plano para testar a acusação, simulando uma loucura brutal para buscar vingança. Sua aparente insanidade logo causa estragos, tanto para culpados quanto para inocentes. Essa é a sinopse da tragédia de Shakespeare. Mas a trama do dramaturgo inglês vai além: Hamlet é um dos pontos mais altos da criação artística mundial, um retrato eletrizante e sempre atual da vida emocional de um ser humano adulto.

O Médico e o Monstro, Robert Louis Stevenson
Poucos clássicos são tão conhecidos e adorados quanto O médico e o monstro. O romance foi um sucesso imediato e inseriu Robert Louis Stevenson no seleto grupo dos grandes escritores universais. Ao narrar as experiências de um médico que, em uma “noite maldita”, toma uma poção fumegante e descobre “a dualidade absoluta e primordial do homem”, Stevenson criou uma história de suspense e horror. O perigo iminente não está do lado de fora, mas dentro, na parte obscura da alma.

Entre quatro paredes, Jean-Paul Sartre
Neste drama, todos estão mortos e, ao contrário do que acreditavam, percebem que o inferno não é uma câmara de tortura, mas uma sala de estar ao estilo do Segundo Império Francês. Lá, eles passarão a eternidade espionando, provocando, tentando seduzir e dilacerando uns aos outros. “O inferno são os outros.” Essa frase marca Entre quatro paredes, peça do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, escrita em 1944 e publicada no ano seguinte. A ação se passa no inferno, mas não no cristão, com demônios e castigos físicos. Nele, o jornalista Joseph Garcin, a lésbica Inês Serrano e a fútil Estelle Rigault são levados a um salão sem janelas, sempre iluminado. Ali, enclausurados, são condenados a uma “vida sem interrupção”, tornando a existência insuportável. Os personagens são atormentados por seus próprios fantasmas.








