Michael, O Diabo veste Prada 2, Um pai em apuros e mais estreias em cartaz

Chega aos cinemas brasileiros a cinebiografia de Michael Jackson, um dos filmes mais esperados do ano, estrelada por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor. Já a continuação de “O Diabo veste Prada” começa a ser exibida em pré-estreias antes do lançamento oficial. Veja quais são os filmes que chegam às salas de cinema nesta semana e os que permanecem em cartaz.

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  • ‘Michael’: cinebiografia de Michael Jackson evita polêmicas, mas emociona com recriação de shows e clipes.
  • Doce Maravilha: veja a programação completa do festival, que tem Caetano com Emicida e Bethânia com Paulinho da Viola.

As estreias da semana (23 a 29 de abril)

‘O ano em que o frevo não foi pra rua’

O documentário de Bruno Mazzoco e Mariana Soares acompanha o período de carnaval em Recife e Olinda durante a pandemia, reunindo depoimentos de foliões e trabalhadores da folia com suas memórias, emoções e expectativas.

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‘Boa sorte, divirta-se, não morra’

Diretor da saga “Piratas do Caribe” e do terror “O Chamado”, Gore Verbinski dirige esta sátira de ficção científica. O filme acompanha um homem (Sam Rockwell) que invade uma lanchonete alegando vir do futuro para reunir um grupo que o ajude a impedir que uma inteligência artificial rebelde cause a destruição do mundo.

Nostalgia e fandoms estão em evidência, e a indústria cinematográfica aposta em filmes com esse atrativo. “Michael”, cinebiografia dirigida por Antoine Fuqua e protagonizada por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, confia nesses dois elementos para conquistar o público. Nesse sentido, o longa é um acerto. A produção foca na primeira fase da carreira de Michael Jackson, desde a formação do Jackson 5 (na infância, o cantor é interpretado por Juliano Valdi), passando pelo início de sua trajetória solo e o lançamento de “Thriller”, até os shows da turnê “Bad” em Londres, em 1988.

Rafael Infante e Dani Calabresa protagonizam a comédia sobre um pai que enfrenta desafios para assumir a rotina dos filhos e da casa quando a esposa decide tirar férias. A direção é de Carol Durão.

O filme “Papagaios” se inspira na paisagem popular da Zona Oeste do Rio para narrar a história enganosa e sombria da dupla Tunico (Gero Camilo) e Beto (Ruan Aguiar). O longa é um conto obscuro, com toques de ironia, erotismo e violência, que gira em torno de uma obsessão contemporânea: o desejo de “aparecer” e se tornar famoso a qualquer custo. Na narrativa, esse fenômeno, hoje impulsionado pelas redes sociais, ainda está ligado à televisão, em uma abordagem “vintage” que torna a experiência mais divertida.

O documentário dirigido por Miguel Antunes Ramos acompanha duas crianças pregadoras: Daniel Pentecoste, de 17 anos, que já foi um dos mais famosos pregadores infantis do Brasil, e João Vitor, que, aos 12 anos, está no auge da fama, com milhões de seguidores.

‘O Diabo veste Prada 2’

Duas décadas após o primeiro filme, Miranda Priestly (Meryl Streep) retorna ao comando da revista “Runway” em meio às mudanças no mercado editorial, enquanto Andy Sachs (Anne Hathaway) e Emily Charlton (Emily Blunt) reaparecem em novas fases de suas carreiras. O reencontro promete reacender as tensões e alianças que marcaram o primeiro longa, novamente sob a direção de David Frankel.

‘Suspiria’

Considerado um dos filmes de terror mais influentes de todos os tempos, a obra-prima do italiano Dario Argento, de 1977, retorna às telas. O clássico cult narra a história de Suzy Banner (Jessica Harper), que vê o sonho de estudar em uma famosa escola de balé se transformar em um pesadelo após uma série de assassinatos e eventos inexplicáveis. Em 2018, o longa ganhou um remake dirigido por Luca Guadagnino.

‘Brasil História’

A mostra do Arte Sesc, no Flamengo, traz títulos que ajudam a “desvendar o que não foi descoberto” na História do Brasil. Grátis. Rua Marquês de Abrantes 99. Até 25 de abril.

Festival de Cinema Europeu Imovision

Desta quinta (23) até o dia 29, a mostra exibe, no Estação Net, no Cinesystem Botafogo e no Reserva Cultural, em Niterói, 14 longas-metragens, de títulos franceses e italianos a suíços e poloneses. Entre os destaques estão “As cores do tempo”, de Cédric Klapisch, e “Amiga silenciosa”, de Ildikó Enyedi. Além das exibições, o festival promove algumas sessões especiais seguidas de debates (todas no Reserva Cultural). Nesta quinta (23), tem “E seus filhos depois deles” (às 13h), com conversa com os irmãos Boukherma; “8 décadas de amor” (às 17h), com conversa com Julio Medem, entre outros.

‘Orlando Senna – Cinema, Brasil e América Latina’

A Caixa Cultural, no Centro, recebe a mostra em homenagem ao cineasta, escritor e jornalista responsável por “Iracema – uma transa amazônica” (dia 25, 15h). Além de filmes dirigidos por Senna, serão exibidas produções baseadas em seus roteiros, documentários e um curta-metragem. A programação inclui também uma exposição afetiva sobre a trajetória do cineasta e de Conceição Senna. Entre os destaques, “O rei da noite” (dia 23, 14h) e “Longe do paraíso” (dia 28, 16h). Rua do Passeio 38, Centro. Até 10 de maio.

‘Power to the People: John & Yoko – Live at the One to One Concert, New York City, 1972’

Chega nesta quarta-feira (29) aos cinemas (com reexibição dia 3 de maio) o filme-concerto que apresenta o único registro de John Lennon nos palcos após os Beatles. Com sucessos como “Imagine”, “Instant karma!” e “Come together”, a apresentação foi realizada no concerto beneficente “One to one”, no Madison Square Garden.

Filmes que seguem em cartaz

Baseado em um romance espírita, o filme de Wagner de Assis acompanha um advogado que se envolve em um caso com uma história mal resolvida de vidas passadas. Com Nicolas Prattes, Beth Goulart e Lorena Comparato.

Cult dos anos 1980, o filme retorna aos cinemas em versão remasterizada para celebrar seus 40 anos. Dirigido pelo francês Jean-Jacques Beineix, o longa acompanha a intensa relação de um aspirante a escritor (Jean-Hugues Anglade) e sua namorada, a impulsiva Betty (Béatrice Dalle).

Inspirado em uma história real, este thriller policial francês acompanha Stéphanie (Léa Drucker), policial do departamento de assuntos internos, responsável pelo caso de um jovem ferido por bala de borracha durante os protestos dos Coletes Amarelos. A direção é de Dominik Moll.

O filme de Bruno Bini não se destaca pela originalidade. A estrutura do roteiro se assemelha a de outras produções que apresentam tramas engenhosas por meio de idas e vindas no tempo e de lacunas que são preenchidas ao longo da projeção. Da mesma forma que em outras realizações, Bini utiliza um contexto social trágico como matéria-prima para criar um thriller eletrizante. Apesar de não inovar, o resultado é competente. Não por acaso, o filme saiu do Festival de Gramado com os Kikitos de melhor filme, ator coadjuvante (Xamã), roteiro e montagem (ambos assinados por Bini).

Xamã e Bella Campos em cena de "Cinco tipos de medo"

‘A conspiração Condor’

Ambientado nos anos 1970, o thriller político dirigido por André Sturm traz Mel Lisboa como uma jornalista que começa a investigar as mortes, no mesmo ano, dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart durante a ditadura militar. Dan Stulbach e Maria Manoella completam o elenco, com participação de Pedro Bial.

‘Crepúsculo – Lua nova’

Reexibição do segundo filme da saga vampiresca estrelada por Kristen Stewart e Robert Pattinson. Na trama, Bella (Stewart) se aproxima do lobisomem Jacob (Taylor Lautner).

O longa de estreia na direção de Kristen Stewart é radical: ou o espectador mergulha fundo na trama e prende o fôlego até o fim, ou abandona o excesso de simbolismo no primeiro ato. O tema é recorrente, especialmente sob a direção de mulheres, que finalmente extravasam a violência sexual sofrida por crianças e jovens. Vítimas de homens, maridos, pais. Sim, pais. Supostamente feitos para “cuidar”, eles usam e abusam de suas filhas de forma criminosa. O longa é inspirado na autobiografia da escritora norte-americana Lidia Yuknavitch, coautora do roteiro com Kristen, que merece aplausos pela ousadia da forma, turva ou cristalina, de representar uma jovem violentada, desde sempre, pelo pai em um cenário familiar desestruturado.

Cena de 'A cronologia da água', estreia de Kristen Stewart na direção

Carolina Dieckmann interpreta Kátia Klein, uma escritora bem-sucedida que vê a vida sair dos eixos diante das pressões da carreira, do casamento, dos filhos e dos pais. Sóbria há 15 anos e em busca de alívio, ela passa de uma simples taça de vinho ao descontrole total. O filme é dirigido por Rosane Svartman e Carol Minêm, com Caco Ciocler, Júlia Rabello, Irene Ravache e Daniel Filho no elenco.

‘Devoradores de estrelas’

Histórias sobre heróis relutantes enviados ao espaço sideral para salvar o planeta de uma ameaça misteriosa têm se mostrado uma das fontes de entretenimento mais confiáveis do cinema moderno. Além de ser inspirado em um best-seller, “Devoradores de estrelas” conta com nomes consagrados como Ryan Gosling (“Barbie”) e Sandra Hüller (“Anatomia de uma queda”, “Zona de interesse”). O azar do novo filme da dupla Christopher Miller e Phil Lord (a mesma de “Uma aventura Lego”, de 2014) foi transformar o livro homônimo de Andy Weir (o mesmo de “Perdido em Marte”) em um entretenimento “para toda a família”, o que geralmente serve de desculpa para uma trama tímida, sentimental e sem imaginação.

'Devoradores de estrelas', ficção científica com Ryan Gosling

‘O diário da Pilar na Amazônia’

Baseado na série de livros infantis de Flávia Lins e Silva, o filme acompanha Pilar (Lina Flor), uma menina que viaja para a Amazônia com uma rede mágica herdada do avô e se junta à ribeirinha Maiara e a seres folclóricos para ajudar a comunidade e impedir o desmatamento. Direção de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put.

Convidativo para quem apreciou o caos do argentino “Relatos selvagens” (2014), “O drama” é uma comédia romântica de humor negro com os queridinhos Zendaya e Robert Pattinson como protagonistas. Seus personagens engatam um namoro após uma cantada um tanto sem jeito em um café e, poucos anos depois, se veem na preparação da festa de casamento. Parece uma linda história de amor, mas o filme capricha nas engrenagens de roteiro para bagunçar o enredo: tem reviravolta, conflito, clímax e desfecho, tudo bem demarcado na tela como se ensina nos cursos de construção narrativa clássica.

Robert Pattinson e Zendaya em 'O drama'

A sempre atual dicotomia literatura-cinema ganha um caso de peso: “O estrangeiro”, de Albert Camus, clássico de 1942 que chega às telas sob direção de François Ozon, coautor do roteiro. Não se pode acusar o expoente do cinema francês de infidelidade. Longe disso. Talvez o oposto — a ousadia de transcrever, quase palavra por palavra, a atmosfera, as causas e as consequências de um crime cometido por um francês branco na Argélia nos anos 1930. O texto irônico e com estocadas sobre o absurdo da existência ganha uma representação correta (Visconti tampouco foi longe em 1967, com Marcello Mastroianni no papel principal).

O diretor italiano Paolo Sorrentino não é conhecido pelo minimalismo. Mas a margem de erro é mínima ao lado de Toni Servillo, um dos grandes atores da atualidade. Juntos pela sétima vez em “A graça”, criador (também roteirista) e criatura (Prêmio Volpi de Melhor Ator no Festival de Veneza 2025) unem forças em uma obra primorosa. Afinal, o que se passa na cabeça de um presidente a seis meses da aposentadoria? Armar novas alianças, tecer intrigas, derrubar uns e outros? Ficar no poder, custe o que custar? Não, nada disso. Mariano de Santis, o presidente italiano fictício, pensa. Delibera. E cultiva a ambição de chegar a um acordo consigo mesmo, fiel à Justiça, à Ética e aos filhos.

'A graça', de Paolo Sorrentino

Não espere entender a Rússia de Vladimir Putin em duas horas e meia de cinema, mas “O mago do Kremlin” se esforça para chegar lá. Dirigido pelo francês Olivier Assayas, baseado no romance homônimo do italiano Giuliano da Empoli e com todos falando inglês em Moscou como se aquilo fosse Miami, o filme atravessa três décadas de Rússia para tentar explicar como o movimento que dissolveu o regime soviético nos anos 1990 acabou dando a Putin um poder e uma longevidade que poucos líderes tiveram no mundo moderno.

Jude Law e Paul Dano em "O Mago do Kremlin"

‘Maldição da Múmia’

Nesta releitura de terror do diretor Lee Cronin (“A morte do demônio: a ascensão”), uma família se depara com uma múmia ancestral, desencadeando uma aventura sobrenatural. Com Jack Reynor, Natalie Grace e Laia Costa.

O julgamento mais emblemático do século XX foi transformado em um teatro hollywoodiano digno de Sessão da Tarde. Não há problema em histórias sérias com roupagem pop. Mas a pergunta básica que um crítico sempre faz é se o tema de um filme se encaixa no estilo. É aí que “Nuremberg” derrapa. Há um descompasso entre a atuação de Rami Malek e a de Russell Crowe. O primeiro está sempre um tom acima, com expressões exageradas e muitos trejeitos, tudo amplificado por uma direção que pesa a mão na montagem e nos efeitos sonoros.

'Nuremberg', com Rami Malek e Russell Crowe

Jim Jarmusch, ícone do cinema independente dos anos 1980, hoje com 73 anos, já se envolveu com vampiros e zumbis (“Amantes eternos”, “Os mortos não morrem”), solitários urbanos (“Paterson”), entre outras tribos. Sua última investida é bem mais familiar — “Pai Mãe Irmã Irmão”, Leão de Ouro no último Festival de Veneza. Jarmusch, também roteirista e coautor da trilha musical, oferece uma obra com fotografia requintada, figurinos grife Yves Saint Laurent e um elenco afiadíssimo que fala pouco, mas diz muito. Família, sob a batuta de Jarmusch, não é para principiantes.

Adaptação russa em live-action do clássico consagrado pela animação de 1940 da Disney. Direção de Igor Voloshin e roteiro de Aksinya Borisova, Alina Tyazhlova e Andrey Zolotarev.

Estrelado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann, este thriller policial gravado no Pará acompanha uma policial (Antonelli) jurada de morte em São Paulo que precisa resgatar a filha, médica em missão humanitária sequestrada por garimpeiros ilegais. Dirigido por Gustavo Bonafé.

‘Super Mario Galaxy: o filme’

Depois de salvar o mundo, Mario e seus amigos precisam se unir novamente para combater Wario e Bowser Jr. Direção de Aaron Horvat e Michael Jelenic.

O investimento em um elenco formado majoritariamente por artistas idosos é louvável. Em “Velhos bandidos”, filme de Claudio Torres, Fernanda Montenegro e Ary Fontoura interpretam Marta e Rodolfo, um casal envolvido em um roubo a banco. Dividem o protagonismo com Vladimir Brichta e Bruna Marquezine, que fazem uma dupla de assaltantes, Sid e Nancy. As ótimas intenções, porém, superam o resultado devido à fragilidade do roteiro (de Torres, Fabio Mendes e Renan Flumian). Apesar das restrições, o filme retoma a parceria entre Fernanda Montenegro e Claudio Torres, mãe e filho artisticamente unidos pelo cinema.

Fernanda Montenegro, Vladimir Brichta, Bruna Marquezine e Ary Fontoura em cena de "Velhos bandidos"

O mundo da moda projeta glamour, beleza e perfeição. Mas quem conhece os bastidores sabe que se trata de um espaço de muita frustração, sacrifício, competição e pressão. “Vidas entrelaçadas”, da francesa Alice Winocour (vencedora do César de melhor roteiro original com “Cinco graças”, de 2015, dirigido por Denis Gamze Ergüven), apenas arranha essa superfície. Angelina Jolie interpreta Maxine, cineasta contratada para fazer o curta-metragem de abertura de um desfile. Quando chega a Paris, descobre estar com um câncer.

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