Nascida em Pelotas (RS) em 1934, Glória Menezes mudou-se para São Paulo ainda na infância. Sua paixão pelas artes cênicas a levou a cursar a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD-USP) e a fundar o grupo de teatro amador Jovens Independentes. A dedicação aos projetos da companhia acabou exigindo tanto de seu tempo que a atriz optou por deixar a faculdade.
O Início da Carreira e o Reconhecimento
Em 1959, em seu primeiro espetáculo profissional, conquistou o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido pelo renomado diretor Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão no unitário Um Lugar ao Sol.
Em 1962, alcançou projeção internacional ao integrar o elenco do clássico O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte. O longa-metragem fez história ao ser premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, sendo até hoje o único filme brasileiro e sul-americano a conquistar a honraria máxima do festival francês.
Pioneirismo na Televisão e a Parceria com Tarcísio Meira
O ano de 1963 marcou o início de uma das parcerias mais bem-sucedidas e duradouras da televisão brasileira, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Ao lado de Tarcísio Meira com quem iniciou um romance e viria a se casar, Glória protagonizou 2-5499 Ocupado na TV Excelsior, considerada a primeira telenovela diária do país.
O sucesso da dupla repetiu-se na mesma emissora em produções como:
A Deusa Vencida (1965)
Almas de Pedra (1966)
Com a transferência para a TV Globo em 1967, o casal consolidou o status de ícones nacionais ao estrelar grandes sucessos:
Sangue e Areia (1967), escrita por Janete Clair
Rosa Rebelde (1969)
Embora formassem o casal mais famoso da TV, ambos também brilharam em produções separadas. Enquanto Glória formou par romântico com Carlos Alberto em Passos dos Ventos, Tarcísio atuou em A Gata de Vison ao lado de Yoná Magalhães.
Versatilidade nos Anos 1970, 1980 e 1990
Na década de 1970, destacou-se na novela Irmãos Coragem, na qual interpretou a complexa e atormentada personagem com três personalidades: a extravagante Diana, a recatada Lara e a equilibrada Márcia.
Nos anos 1980, esteve à frente de tramas de grande repercussão, como Corpo a Corpo e Brega e Chique (ao lado de Marília Pêra), além de atuar com o filho, Tarcísio Filho, e estrelar o seriado cômico Tarcísio & Glória.
Nos anos 1990, entregou uma de suas atuações mais memoráveis ao dar vida à inesquecível vilã Laurinha Figueroa em Rainha da Sucata. A socialite elegante e falida marcou a teledramaturgia brasileira com a célebre cena em que comete suicídio atirando-se de um prédio.
Consagração nos Palcos e Novelas Posteriores
Após o sucesso como Laurinha, Glória emendou participações em novelas de grande audiência na Globo, incluindo:
A Próxima Vítima
Torre de Babel
O Beijo do Vampiro
Senhora do Destino
Páginas da Vida
A Favorita
No teatro, sua versatilidade brilhou em montagens marcantes como Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos, e Jornada de um Poema, na qual emocionou o público ao interpretar uma paciente terminal de câncer.







