Dercy Gonçalves se tornou um ícone no Brasil por sua linguagem sem filtro, expressões fortes e irreverência na televisão. No entanto, um novo trabalho biográfico expõe que a pessoa por trás da figura cômica era oposta à sua persona pública: insegura, reservada e, surpreendentemente, conservadora. Essas descobertas estão na obra Dercy: A Diva Debochada (editora Objetiva), lançada há pouco pela jornalista Adriana Negreiros.
A escritora afirmou que os leitores ficarão espantados com os detalhes da vida íntima da artista. “Talvez muitos se surpreendam ao perceber que, atrás daquela imagem pública da diva irreverente, existia uma mulher que podia ser bastante conservadora nos hábitos, uma mulher, até certo ponto, moralista também”, detalha Adriana.
Adriana Negreiros lança o livro Dercy: A Diva Debochada. A obra de 304 páginas da editora Objetiva pode ser encontrada por R$ 71,90 em sua versão física.
“Embora ela fosse um antídoto contra o moralismo e uma crítica desse mesmo moralismo, por vezes ela podia incorrer nele”, diz a autora.
De acordo com a autora, a irreverência que Dercy demonstrava nos palcos e na TV ficava confinada fora de sua residência. Na vida particular, a humorista adotava uma postura rígida quanto aos costumes vigentes.
“Na intimidade, ela defendia que as mulheres não tomassem a iniciativa no sexo, que elas se casassem virgens. Era uma pessoa com uma perspectiva retrógrada sobre homossexuais, os quais ela criticava e detestava”, complementa.
Na intimidade, a Dercy contrariava a imagem pública de uma mulher pornográfica e que topava qualquer coisa.
Adriana Negreiros
Outro aspecto central da biografia trata das intensas inseguranças de Dercy em relação ao envelhecimento e sua aparência. Alvo frequente de chacotas e críticas preconceituosas sobre sua idade e atitudes, a atriz buscava esconder o passar dos anos nas mesas de cirurgia.
“Dercy passou por tantas cirurgias plásticas ao longo da vida que não consigo nem precisar o número. Sempre que a chamavam de velha, ela recorria a um cirurgião plástico para fazer alguma correção na aparência”, opina a jornalista, mencionando também os relacionamentos abusivos com homens que ela enfrentou e o impacto que tiveram sobre ela.
Dercy Gonçalves faleceu em 19 de julho de 2008, aos 101 anos, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Rio de Janeiro. A causa do óbito foi uma pneumonia severa, que se transformou em sepse pulmonar e insuficiência respiratória.







