A hipertensão não é um problema exclusivo dos humanos. Cães e gatos também podem apresentar pressão arterial elevada, muitas vezes sem mostrar sinais evidentes.
A hipertensão não é uma questão restrita aos humanos. Animais de estimação, como cães e gatos, podem desenvolver pressão alta, frequentemente sem sinalizar os sintomas de forma clara no início. Por ser uma condição silenciosa, ela pode ser diagnosticada apenas durante a análise ou acompanhamento de outra doença.
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Conforme explica o médico-veterinário e farmacêutico Rafael Pinto, da rede Tudodvet, a hipertensão em pets geralmente está ligada a outras condições de saúde e deve ser observada com atenção, especialmente em animais mais velhos. “Mais do que considerar a hipertensão como uma doença isolada, é crucial vê-la muitas vezes como parte de um quadro clínico mais amplo”, esclarece.
Nos felinos, a atenção deve ser redobrada, principalmente nos mais idosos. Doença renal crônica e hipertireoidismo estão entre as condições frequentemente associadas à pressão alta. Ademais, gatos mais velhos podem desenvolver hipertensão mesmo sem que uma patologia subjacente seja claramente identificada.
Nos cães, a pressão arterial elevada com frequência se relaciona a doenças renais e endócrinas, como o hiperadrenocorticismo, conhecido como síndrome de Cushing. Diabetes, hiperaldosteronismo e outras alterações hormonais também podem estar envolvidas em certos casos.
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Pressão alta pode afetar órgãos essenciais
Quando a pressão arterial permanece elevada por longos períodos, pode causar lesões em órgãos-alvo, conforme descrito pela medicina veterinária. Os principais afetados incluem olhos, rins, coração e sistema nervoso.
Nos olhos, por exemplo, a hipertensão pode resultar em hemorragias e até no descolamento de retina. Em alguns casos, o responsável pelo animal só nota que algo está errado quando há uma perda de visão súbita. “Um gato hipertenso pode aparentar estar bem até mostrar uma significativa alteração ocular e perder a visão de forma abrupta”, alerta Rafael.
Os rins estão entre os órgãos mais impactados. A pressão alta pode aumentar a excreção de proteínas pela urina e contribuir para o agravamento de lesões renais. Há uma relação de reciprocidade: doenças renais podem favorecer a hipertensão, enquanto a pressão elevada pode causar novas lesões nos rins.
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No coração, a hipertensão pode resultar em sobrecarga e alterações estruturais, como a hipertrofia. Em situações mais graves, o sistema nervoso central também pode ser comprometido, levando a desorientação, alterações comportamentais, desequilíbrio e até convulsões.
Mudanças relacionadas à idade requerem investigação
Um dos desafios em identificar a hipertensão em animais mais velhos é distinguir alterações ligadas ao envelhecimento de sinais que podem indicar problemas de saúde.
Sinais de alerta que não devem ser simplesmente atribuídos à idade:
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- Estar mais apático que o habitual
- Demonstrar desorientação
- Andar sem direção ou colidir com objetos
- Ter dificuldade repentina para enxergar
- Mostrar fraqueza
- Ter mudanças significativas no nível de atividade
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“Envelhecer, por si só, não é uma doença”, enfatiza o veterinário.
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Esses sinais não indicam necessariamente hipertensão, mas devem ser investigados. A avaliação é ainda mais crucial quando o animal já possui doença renal, alterações endócrinas ou outras condições relacionadas à pressão arterial elevada.
Medição da pressão pode ser parte do acompanhamento
A pressão arterial de cães e gatos pode ser avaliada de maneira não invasiva, utilizando dispositivos específicos da medicina veterinária. Entre os métodos aplicados estão o Doppler e o oscilométrico.
Esse procedimento, no entanto, requer certos cuidados. O estresse causado pelo ambiente da clínica pode elevar temporariamente a pressão do animal, fenômeno conhecido como “efeito do avental branco”. Portanto, uma única medição pode não ser suficiente para um diagnóstico preciso.
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O ideal é permitir que o paciente se adapte ao ambiente, minimizar a manipulação e realizar várias aferições em circunstâncias semelhantes. As leituras são então analisadas junto com o histórico e a condição clínica do animal.
De acordo com Rafael, a aferição é especialmente relevante no acompanhamento de pacientes mais velhos e aqueles que apresentam doenças renais, endócrinas ou outras condições de risco.
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“É um exame relativamente simples, não invasivo e que pode indicar uma alteração significativa antes que consequências mais graves se manifestem”, afirma.
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Tratamento também deve levar em conta a rotina do animal
Quando o tratamento é necessário, a adesão do tutor é fundamental para o sucesso da terapia. Em doenças crônicas, como a hipertensão, a administração do medicamento deve ser realizada de forma consistente, muitas vezes por longos períodos.
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Nesse contexto, a apresentação do fármaco pode fazer uma diferença significativa. Dependendo do princípio ativo e da recomendação veterinária, podem existir alternativas como concentrações mais adequadas ao peso do animal, cápsulas menores, soluções ou suspensões orais e outras formulações.
A escolha também pode considerar características individuais do paciente, como a facilidade de administração do medicamento e a aceitação do sabor.
“Em tratamentos crônicos, a adesão é parte essencial do tratamento. A melhor formulação não é apenas a que contém a dose correta, mas aquela que, além de segura, estável e tecnicamente adequada, o animal consegue receber corretamente e o tutor consegue manter na rotina”, explica Rafael.
Interromper a medicação por conta própria é um erro
Como a hipertensão pode não apresentar sintomas perceptíveis, um dos principais equívocos é parar ou alterar o tratamento quando o animal parece estar bem.
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Na prática, o pet pode estar bem devido ao controle da doença.
É igualmente importante evitar ajustes na dosagem por conta própria, não interromper o medicamento sem orientação e informar ao veterinário quando houver dificuldades para administrar a medicação. Em algumas situações, uma alteração na concentração ou apresentação pode facilitar o tratamento tanto para o tutor quanto para o animal.
“O melhor protocolo não é apenas o que funciona no papel, mas aquele que conseguimos manter de forma segura e consistente na vida cotidiana”, conclui Rafael.”







