Campo Grande já confirmou 14 morcegos infectados pela raiva em 2026. É o maior número registrado em pelo menos cinco anos e supera os 11 casos contabilizados ao longo de todo o ano passado. Enquanto o vírus segue circulando entre os morcegos, a vacinação de cães e gatos — a barreira que impede a doença de chegar às residências — está no patamar mais baixo do período.
Até sexta-feira (16), o município havia imunizado 53.961 animais, sendo 37.929 cães e 16.032 gatos. A meta anual é de 322.566, o que corresponde a 16,73% de cobertura. Restam 268.605 animais, cinco em cada seis previstos, e faltam menos de 11 semanas para o encerramento do ano. Para fechar a conta até 31 de dezembro, seria necessário vacinar cerca de 3.600 animais por dia.
Os dados são do painel eVaccine Pets, que reúne as doses registradas pelos municípios, e foram divulgados pelo Midiamax. As informações de 2026 ainda são parciais.
A cobertura vacinal recua há três anos consecutivos
Em 2024, Campo Grande vacinou 115.938 animais, o equivalente a 34,43% da meta de 336.727. No ano seguinte, foram 71.516, ou 21,24%. A meta de 2026 é menor, com 14.161 animais a menos, e mesmo assim a cobertura voltou a cair.
Os casos em morcegos trilharam o caminho inverso: 4 em 2021, 6 em 2022, 7 em 2023, 6 em 2024, 11 em 2025 e 14 até o momento em 2026. No começo do mês, a cidade somava 13 registros, com ocorrências no Centro, Santa Fé, Pioneiros, Vivendas do Bosque, Campo Alto, São Francisco, Ouro Preto, Nasse e Sargento Amaral. Até o fim de julho, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) já havia recolhido 772 morcegos para análise.
Por que o morcego exige atenção
A maior parte dos morcegos da cidade se alimenta de frutos ou insetos e contribui para o equilíbrio ambiental. O perigo aparece quando um animal infectado cai no quintal e um cão ou gato brinca com ele. O bicho sem vacina pode contrair o vírus e transmiti-lo à família.
Foi o que ocorreu no último caso registrado em cão em Campo Grande, em 2011: o animal se infectou após contato com um morcego contaminado. Antes disso, o registro anterior era de 1988. O último caso em pessoa na capital data de 1968.
Em Mato Grosso do Sul, o último caso humano aconteceu em 2015, durante o surto em Corumbá e Ladário, na fronteira com a Bolívia. Naquele ano, o estado concentrou 71 dos 85 casos de raiva canina do país, e um homem morreu em Corumbá. Hoje, Corumbá já vacinou 67,37% da meta.
Considerando todo o estado, a cobertura está em 27,59%, com 270.336 animais vacinados. Em 2025, havia chegado a 44,23%.
Vacina gratuita e disponível durante todo o ano
A vacina antirrábica é obrigatória e pode ser aplicada no CCZ e na Subea, ambos da prefeitura, além do consultório móvel da Subea, que atende em bairros diferentes. O animal precisa ter no mínimo 3 meses de idade e estar saudável.
Ao encontrar um morcego, vivo ou morto, ninguém deve tocá-lo. A orientação é afastar crianças e animais, cobrir o bicho com um balde ou caixa sem encostar nele e acionar o CCZ. Em caso de contato, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde 24 horas.
Onde vacinar e o que fazer ao achar um morcego
- Vacina: gratuita, ao longo de todo o ano, para cães e gatos a partir de 3 meses
- CCZ: Av. Senador Filinto Müller, 1.601, Vila Ipiranga. De segunda a sexta, das 7h às 21h. Sábados, domingos e feriados, das 6h às 22h
- Subea: Rua Rui Barbosa, 3.538, Centro. De segunda a sexta, das 7h30 às 13h
- Morcegos: recolhimento pelo CCZ pelos telefones (67) 2020-1801 e (67) 2020-1789, de segunda a sexta, das 7h às 17h. Das 17h às 21h: (67) 2020-1794. WhatsApp: (67) 99142-5701
Achou um morcego, vivo ou morto?
- Não toque no animal, nem com luva.
- Afaste crianças, cães e gatos.
- Cubra o morcego com um balde ou caixa, sem encostar nele.
- Acione o CCZ para o recolhimento.
Teve contato com morcego? Procure uma unidade de saúde com atendimento 24 horas para avaliação, mesmo sem mordida aparente.
Antes de levar o animal
- O animal precisa ter pelo menos 3 meses e estar saudável.
- Fêmeas prenhes ou amamentando também podem ser vacinadas.
- Respeite o intervalo mínimo de 10 dias entre o vermífugo e a vacina.
Informações da Prefeitura de Campo Grande, do CCZ e do painel eVaccine Pets, com dados parciais até 16 de outubro de 2026.







