Pesquisadores da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis), nos Estados Unidos, avaliaram 200 receitas caseiras para cães. Em 190 delas, faltava pelo menos um nutriente essencial. As fórmulas vinham de livros, sites e materiais sobre cuidados com animais, e algumas haviam sido elaboradas por veterinários. O estudo foi publicado em 2013 no Journal of the American Veterinary Medical Association e voltou a circular agora, em um momento de aumento no número de tutores que substituem a ração pela comida preparada em casa.
Frango, arroz e legumes estão presentes em boa parte das receitas que circulam na internet. A combinação pode parecer saudável, mas o equilíbrio da dieta canina depende das quantidades, da combinação dos ingredientes e de vitaminas e minerais nas proporções corretas.
A variedade do cardápio não eliminou as deficiências
Mais de 83% das receitas apresentavam duas ou mais deficiências. O uso de ingredientes variados não assegurava uma alimentação completa, e alternar receitas diferentes ao longo da semana também não preenchia essas lacunas.
Uma refeição baseada em carne e carboidrato, por exemplo, fornece energia e proteína, mas pode não oferecer cálcio, zinco, vitamina D, vitamina E e colina em quantidade suficiente ao cão. Proteínas, gorduras, vitaminas e minerais precisam chegar ao organismo do animal nas doses exigidas por ele.
Orientações vagas e porções sem cálculo
O modo de preparo também apresentava problemas. Em 92% das fórmulas, as orientações eram vagas ou incompletas, e 85% não informavam adequadamente as calorias nem o porte de cão para o qual a receita havia sido pensada. Sem esses dados, torna-se difícil repetir a preparação e acertar a quantidade para cada animal.
Apenas nove receitas atenderam aos critérios
Somente nove receitas alcançaram os níveis mínimos de nutrientes essenciais para cães adultos estabelecidos pela Associação Americana de Oficiais de Controle de Alimentos (AAFCO). Quando a comparação foi feita com as recomendações do Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos (NRC), esse número caiu para cinco.
As quatro fórmulas elaboradas por nutricionistas veterinários certificados apresentaram perfil nutricional adequado. A conclusão dos pesquisadores aponta para o improviso: a comida preparada em casa pode funcionar, desde que a receita seja submetida a uma avaliação nutricional feita por quem tem formação para isso.
Os efeitos de uma dieta desequilibrada no cão
Os danos surgem aos poucos, sobretudo quando a receita passa a ser a alimentação principal por um longo período. Dependendo do nutriente que falta ou que sobra, o cão pode apresentar alterações em ossos e músculos, queda da imunidade e outros distúrbios metabólicos.
Filhotes estão em fase de crescimento e necessitam de quantidades específicas de nutrientes. Cães idosos ou doentes também têm necessidades diferentes das de um adulto saudável, e uma fórmula genérica não é adequada para eles.
Alguns alimentos comuns à mesa da família são tóxicos para os cães e devem ficar fora de qualquer receita:
- Chocolate;
- Uvas e uvas-passas;
- Cebola;
- Alho;
- Produtos com xilitol.
Como preparar comida caseira com segurança
- Converse com o veterinário responsável pelo acompanhamento do cão e, se necessário, procure um nutricionista veterinário para elaborar uma dieta individual.
- A receita deve considerar idade, peso, nível de atividade, condições de saúde e necessidades nutricionais do animal.
- Siga as quantidades indicadas na formulação.
- Não substitua ingredientes nem retire suplementos por conta própria, pois qualquer alteração desequilibra a fórmula.
- Mantenha o acompanhamento ao longo do tempo.
O estudo da UC Davis, que analisou 200 receitas caseiras para cães, identificou deficiência de pelo menos um nutriente essencial em 95% delas, inclusive nas fórmulas disponíveis em livros e sites. Apenas as receitas elaboradas por nutricionistas veterinários certificados se mostraram adequadas.







