Uma pesquisa conduzida por cientistas da Áustria, Hungria e México revelou que os cães podem ser ainda mais sensíveis às expressões humanas do que se supunha. O estudo demonstrou que o cérebro desses animais é capaz de distinguir emoções no rosto de uma pessoa, inclusive quando ela não é conhecida.
O trabalho, divulgado na revista científica iScience, empregou exames de ressonância magnética funcional para monitorar a atividade cerebral canina enquanto os animais observavam fotografias de faces humanas.
Dois grupos de cães participaram da investigação. No primeiro experimento, oito cães — seis border collies, um labrador e um golden retriever — visualizaram rostos alegres e neutros. No segundo, doze cães foram submetidos a imagens de pessoas expressando felicidade, tristeza, raiva e medo.
O que os exames revelaram
Os achados apontam que o cérebro canino não apenas diferencia expressões positivas de negativas. A avaliação completa do cérebro mostrou que os animais também conseguem distinguir algumas emoções negativas entre si. Os cientistas identificaram variações específicas entre medo e tristeza, bem como entre medo e raiva.
Mesmo com essa descoberta, os pesquisadores fazem uma observação importante: os cães não compreendem necessariamente o significado das emoções da mesma maneira que os humanos. Os padrões cerebrais indicam que há um registro das diferenças entre as expressões, mas isso não prova que o animal entenda o estado emocional da pessoa.
Conforme os autores, “o cérebro do cão pode distinguir entre expressões faciais humanas positivas e negativas, e entre algumas expressões faciais negativas”. A pesquisa concluiu ainda que “o cérebro canino possui uma representação das expressões faciais humanas que vai além da simples classificação por valência”.
A pesquisadora Mariana Bentosela, ouvida pelo site de notícias Infobae, considera a descoberta relevante por demonstrar a capacidade dos cães de perceber sinais muito sutis. “Os resultados demonstram que os cães podem distinguir não só entre expressões emocionais positivas e negativas, mas entre o medo e o enojo assim como entre o medo e a tristeza”, declarou.
A especialista acrescentou que essa habilidade pode auxiliar os cães a antecipar comportamentos humanos e escolher como reagir. Ela recomendou, por isso, que os tutores observem com mais atenção as respostas dos animais e busquem compreender melhor a linguagem canina.
O estudo, no entanto, apresenta limitações. A maior parte dos cães avaliados era da raça border collie, reconhecida pela aptidão em seguir sinais sociais, e os pesquisadores advertem que os resultados não devem ser generalizados para todas as raças. Outro ponto é que foram empregadas apenas fotografias estáticas, sem expressões em movimento.







