Quem convive com cães precisa montar em casa um espaço que proponha desafios cotidianos e atividades olfativas, fundamentais para preservar a saúde mental do animal. A veterinária Fernanda Maris explica que enriquecimento ambiental é o conceito que consiste em oferecer um ambiente capaz de incentivar os comportamentos naturais dos pets.
Estímulos que resgatam o instinto
Trata-se de uma técnica que procura estimular os comportamentos naturais dos cães por meio de desafios diários, afastando o tédio e o estresse. Fernanda Maris sugere esconder a ração em tapetes olfativos ou dentro de brinquedos recicláveis, o que ativa o faro e o instinto de caça dos animais.
Sinais de dor podem ser confundidos com tédio
Antes de concentrar a atenção apenas no comportamento do pet, é preciso descartar problemas físicos, como dores ou alergias. A destruição de objetos e a lambedura compulsiva nem sempre apontam para tédio; podem ser indícios de dor ou de alergia. Um erro frequente é humanizar o cão, mantendo brinquedos permanentemente disponíveis e fazendo despedidas longas e eufóricas na hora de sair de casa.
A especialista adverte que tratar o pet como humano faz com que as famílias ignorem as reais necessidades biológicas dos cães. Respeitar a essência do animal, com atividades guiadas, permite que ele manifeste seu comportamento natural de forma saudável. Quando o ambiente não oferece estímulos, os cães procuram ocupações por conta própria, o que pode acabar em móveis destruídos e latidos em excesso.
Descartar problemas físicos, como dores e alergias, é essencial antes de investir em distrações comportamentais. A dermatologista veterinária Fernanda Maris conta que muitos casos recebem o diagnóstico equivocado de estresse, quando na verdade se trata de questões de saúde, como coceira ou dor.
Alternativas acessíveis para o dia a dia
Para quem passa o dia fora de casa, brinquedos que permitem esconder a comida são ideais: estimulam o faro, ativam o instinto de caça e ajudam a reduzir o cortisol. É possível montar esse ambiente com poucos recursos, usando garrafas plásticas e caixas de papelão, sempre ajustando o grau de dificuldade para não frustrar o cão.
Deixar os objetos sempre espalhados faz com que o cachorro perca o interesse rapidamente. A interação social também é indispensável, pois nenhum brinquedo substitui a convivência direta com a família. Despedidas eufóricas na saída criam expectativas desnecessárias e prejudiciais para o animal.
“O ideal é tratar a saída com naturalidade, sem alardes, transmitindo segurança de que se trata de uma rotina comum e que o retorno é certo”, orienta a veterinária, destacando que uma postura calma ajuda o cachorro a lidar melhor com suas emoções diárias.







